O deputado socialista Rui Santos, eleito pelo Círculo de Vila Real, votou ontem a favor do Projecto de Resolução apresentado pelo Partido Comunista Português (PCP) e pelo Bloco de Esquerda, que recomenda ao Governo a não introdução de portagens na A23, A24 e A25.
À hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível conhecer os resultados da votação, no entanto, no dia anterior à discussão na Assembleia da República, o deputado vila-realense estava consciente de que seria “um dos poucos a votar a favor do projecto apresentado pelo PCP” e contra a bancada parlamentar socialista.
“Esta votação decorre da coerência vinda do passado recente”, explicou o deputado, recordando que, “enquanto presidente da Federação do PS de Vila Real, mostrou-se frontalmente contra a introdução de portagens na A24, acusando o Presidente Nacional do PSD de ser o responsável por esta decisão e de chantagear o Governo de José Sócrates”.
Agora também no papel de deputado, Rui Santos considera que, apesar da grave situação financeira do país, “as razões sociais, económicas e históricas que conduziram ao lançamento destas infra-estruturas no interior mantêm-se”. “Os critérios que justificam a A24 estar isenta de custos directos para os seus utilizadores, exprimem uma genuína preocupação com a coesão social e territorial do país”, defendeu também o socialista.
Recordando que, ao longo dos últimos anos, vários foram os políticos que defenderam a criação das novas auto-estradas da região como forma de repor a justiça no Douro e em Trás-os-Montes, Rui Santos reforça a ideia de que “a introdução das portagens volta a colocar estas populações em situação desigual, comparativamente ao resto do país”. “Não lhes é concedido tempo necessário de utilização, sem pagar, das modernas estradas, com o objectivo de acelerar o desenvolvimento da região, como aconteceu com a generalidade do país, tratando-se por isso de uma grande injustiça”, sublinha o deputado do PS.
Mais, Rui Santos adiantou ao Nosso Jornal que a portaria sobre a introdução das portagens, que deverá ser publicada durante este mês, “nem sequer prevê as isenções que o anterior Governo preconizava”, sendo de recordar que estava previsto um pacote de benefícios para a população e empresas locais que asseguraria, por exemplo, “um sistema misto de isenções nas primeiras 10 utilizações mensais e de descontos de 15 por cento nas utilizações seguintes da respectiva Scut”.
António Serafim, da Comissão de Utentes Contra Portagens nas auto-estradas A25, A23 e A24, que na semana passada reuniu com Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, explicou ainda ao Nosso Jornal que depois do encontro infrutífero no que diz respeito ao retrocesso na introdução de portagens, estão agora a ser pensadas as formas de protesto contra a medida.
Apesar do Governo não ter ainda avançado com uma data em concreto, Rui Santos acredita que, depois da aprovação da portaria que regulamentará todo o sistema de cobrança, as portagens deverão mesmo entrar em funcionamento ainda este mês.



