Cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, repetiram hoje um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa das áreas da servidão administrativa. O presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes, afirmou à Lusa que nada os vai fazer parar. “Dissemos que não íamos parar e não vamos parar, nada nos vai desmobilizar da nossa luta”.
Os manifestantes juntaram-se às 06h00 nos terrenos assinalados para os trabalhos de sondagem da Savannah Resources e formaram um cordão humano em frente a uma máquina de prospeção. Com a chegada dos seguranças da empresa ao local, foi também chamada a GNR. Nélson Gomes frisou que “não queremos uma mina à porta das nossas casas”.
O responsável do coletivo acrescentou que ter uma mina próxima representa o risco de ter que abandonar as suas habitações. “Numa altura que tanto se fala da habitação, é precisamente também a nossa casa que está em risco”, disse Gomes.
No dia 9 de outubro, a associação já havia interrompido os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina. Nélson Gomes destacou que estão em terrenos baldios onde já foram realizados projetos de intervenção para preservar a floresta. “As máquinas entram, fazem decapação, cortam pinheiros e árvores”, lamentou.
Em maio, o ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa para permitir à Savannah realizar trabalhos de geotecnia em terrenos comunitários e privados. Esta decisão foi contestada em tribunal pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, resultando na suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.
Paulo Pires, pastor de Romainho, sublinhou que esta luta é pela defesa do modo de vida da comunidade. “Ninguém quer viver a 200 metros de uma mina a céu aberto (…) agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força”, afirmou.
A presidente da Junta de Covas do Barroso, Rita Mó, considerou o bloqueio um protesto contra a atuação da União Europeia. Ela questionou: “Onde se vê essa Europa dos direitos quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis?” A autarca criticou ainda o projeto mineiro promovido pela Comissão Europeia como um atentado ambiental.
Nélson Gomes garantiu que os bloqueios vão continuar enquanto for necessário. O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada emitida em 2023. A empresa Savannah pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.






