Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Desertificação em Monteiros pode ser salva pela Barragem

É uma das aldeias do concelho de Vila Pouca de Aguiar onde o efeito da desertificação se tem sentido mais. Neste pequeno lugar, vivem apenas 9 pessoas, no entanto, durante o dia o número reduz-se a metade. Os poucos habitantes têm ainda a ténue esperança que a barragem do Tâmega possa trazer pessoas para a aldeia.

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Há alguns anos, a Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar ainda tentou estancar o processo e aproveitou o antigo edifício da Escola Primária para criar um Centro de Dia. Idalina da Graça, 82 anos, é das poucas habitantes de Monteiros. Teve onze filhos e todos partiram para o estrangeiro. “Primeiro, a terra tinha muita gente que trabalhava na agricultura, na floresta, agora todos emigraram”.

Esta idosa não tem medo de ser praticamente a única transeunte da aldeia, durante o dia. “Vou e venho do campo e não vejo ninguém na rua. Das nove pessoas, quatro estão acamadas, as outras saem para Vila Pouca de Aguiar”. A esperança de Idalina é que a construção da barragem traga gente para a localidade, mas ainda está apreensiva se irão avançar com as obras. Estes receios parecem ter algum fundamento, já que, na zona de Ribeira de Pena, as várias equipas espanholas da Iberdrola que estavam lá a trabalhar abandonaram a região e regressaram a Espanha. Aparentemente, a situação parece estar num impasse.

Até à construção da barragem, Monteiros irá continuar a ter uma missa de vez em quando, um padeiro, às segundas e às quintas, e o merceeiro ambulante, aos sábados.

Neste momento, está a ser elaborado um livro sobre este costume de Monteiros, que têm uma tradição única no país. Dada a sua localização geográfica, no Verão, a aldeia atinge elevadas temperaturas e, como antigamente não existiam frigoríficos, as pessoas construíram pequenas grutas no xisto (minotas) para conservar os vinhos leves e pouco graduados, que desta forma, ficavam mais frescos e conservados, com graus quase constantes.

Depois da última vindima, o “morangueiro” era colocado em garrafas, garrafões e pipos de quinze almudes, bem rolhados para não “virar” (acidular). Depois, deixava-se passar o tempo frio, e quando os primeiros calores apareciam, em Março ou Abril, os vinhos eram colocados nas “minotas” até ser bebido.

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