Estima-se que a doença arterial periférica atinja até 10% da população com 60 anos de idade, aumentado para mais de 15% após os 70 anos.
Esta doença carateriza-se pela obstrução progressiva das artérias, mais frequentemente dos membros inferiores. É responsável pela maioria dos eventos cardíacos (enfarte agudo do miocárdio) e cerebrovasculares (AVC ou Acidente Vascular Cerebral). Assim, nas pessoas com doença arterial periférica, o risco de morte aumenta até 25%.
CAUSAS E FATORES DE RISCO
A causa mais comum da doença arterial periférica é a aterosclerose, uma doença inflamatória que provoca deposição de gordura e cálcio na parede das artérias.
Os fatores de risco mais comuns, que podem aumentar até 11 vezes o risco de desenvolvimento da doença, são as pessoas do sexo masculino; hipertensão arterial; valores elevados de lípidos no sangue ou dislipidemia; tabagismo; diabetes; e insuficiência renal crónica.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico e tratamento da doença arterial periférica precoce são determinantes para a possibilidade de recuperação e prognóstico da doença.
Nas fases iniciais, a doença arterial periférica é geralmente assintomática ou provoca dor na barriga da perna e claudicação com o andar (deambulação), que aliviam com o repouso. Estes sintomas devem-se à isquemia (fluxo de sangue arterial insuficiente) induzida pelo exercício e reversível com o repouso.
Em fases avançadas pode haver dor no pé em repouso, por isquemia irreversível, ou mesmo feridas e gangrena. O risco de amputação nestas fases avançadas da doença, aumenta 30% ao ano, sobretudo na presença de infeção.
O tratamento pode incluir desde caminhadas regulares e controlo dos fatores de risco, nas fases iniciais, até medicação específica (por exemplo com aspirina, estatinas, antibióticos, entre outros) e tratamento cirúrgico nos casos avançados.
Até há poucos anos, os casos graves de doença arterial periférica com indicação cirúrgica eram submetidos a cirurgia clássica, aberta, de “bypass”, para resolução das obstruções em doentes graves.
Com o desenvolvimento de técnicas e dispositivos endovasculares passou agora a ser possível tratar muitos desses doentes com intervenções minimamente invasivas. Os resultados destas abordagens são semelhantes aos da cirurgia clássica, mas o risco de morbilidade e mortalidade é inferior.
Em doentes diabéticos, nos quais a doença arterial periférica tem uma localização preferencial abaixo do joelho e que muitas vezes não podem ser submetidos a cirurgia aberta, estas novas técnicas minimamente são hoje soluções essenciais e definitivas para o tratamento de feridas, com ótimos resultados imediatos.
A evolução em termos de materiais ultrafinos, tecnologias eluidoras de fármaco, stents ultraflexíveis e biomiméticos, acompanhados por dispositivos de imagem de última geração, disponíveis na rede Hospital da Luz, aliados às equipas de cirurgia vascular com experiência reconhecida, permite hoje dar resposta e tratar um conjunto vasto de doentes, diminuindo significativamente a taxa de amputação e promovendo a qualidade de vida e a autonomia dos doentes.
Este artigo é da responsabilidade de Mário Marques Vieira, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, no Hospital da Luz Vila Real

