Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
Paulo Brandão
Paulo Brandão
Radiologista - Hospital da Luz Vila Real

Ecografia com contraste: uma opção segura!

Os exames de imagem com contraste têm um papel crucial no incremento da sensibilidade diagnóstica em múltiplas patologias.

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Estes, maioritariamente são realizados por meio de duas técnicas: a tomografia computorizada (TC) e a ressonância magnética (RM).

A ecografia com contraste (contrast enhanced utrasoud – CEUS), combina a técnica da ecografia com a administração de contraste endovenoso para, assim como nas restantes técnicas de imagem contrastada, permitir melhor visualização e caraterização de vasos e órgãos.

Para tal é utilizado um contraste à base de microbolhas revestidas por uma membrana fibrolipídica, suficientemente pequenas para percorrer a microvasculatura, sendo exaladas pelos pulmões ao fim de 5 minutos.

Dada a sua composição, e contrariamente aos produtos contrastados habitualmente utilizados na TC e RM, não apresenta nefrotoxicidade, sendo desta forma um método de imagem particularmente útil para a caraterização de diferentes tipos de lesões em insuficientes renais, mesmo aqueles que realizem diálise. Neste ponto, ressalva-se também a sua praticamente nula taxa de efeitos secundários, tornando-se um meio indicado em pacientes alérgicos aos produtos de contraste da TC e/ou RM.

Tendo por base a ecografia, é uma técnica de fácil acesso, económica comparativamente a outros métodos e inerte de radiação, pelo que se adequa à população pediátrica/adultos jovens, podendo igualmente servir como método de imagem no seguimento e avaliação intercalar de diversas patologias, combinada com outras técnicas, diminuindo desta forma a exposição à radiação da população no adequado seguimento das suas patologias/condições clínicas.

Apresenta, contudo, algumas limitações, sendo praticamente as mesmas que o seu método de imagem base, nomeadamente a baixa acuidade em pacientes obesos e lesões profundas, limitação por interposição gasosa e na avaliação de múltiplas lesões e em órgãos distintos, podendo, nestes casos, serem necessárias múltiplas administrações de contraste. Tem como contraindicações a patologia cardíaca grave, a gravidez e o aleitamento.

Dentro dos vários espetros de condições médicas, a CEUS permite a avaliação e caracterização de lesões sólidas e quísticas hepáticas, esplénicas, renais e pancreáticas. Permite ainda a avaliação de estruturas vasculares, monitorização e avaliação da atividade da doença inflamatória intestinal e ainda, no que concerne ao aparelho geniturinário, a avaliação de refluxo vesicoureteral.

Trata-se portanto de uma técnica com largo espetro de aplicação, posicionando-se como um método seguro no diagnóstico e seguimento de inúmeras patologias/condições médicas, que dadas as suas vantagens comparativamente a outras técnicas, quer ao nível dos produtos de contraste, quer ao nível da ausências de radiação, permite colmatar algumas das lacunas que delas derivam.

Colaboração de JOÃO MACEDO | Radiologista Hospital da Luz Póvoa de Varzim 

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