Domingo, 17 de Outubro de 2021
©Elsa nibra

Em dia de aniversário voltou ao quartel para ser homenageado

O dia em que completou 90 anos de idade vai, certamente, ficar na memória de Manuel Carvalho. Bombeiro desde os 18 anos, voltou ao quartel da Cruz Branca para uma pequena homenagem por parte da corporação

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“Estou bastante comovido, porque não estava à espera disto” começou por dizer à VTM, lembrando, de seguida, que “desde os meus 18 anos que estou ligado à corporação, exceto os dois anos em que estive na tropa”.

Estou bastante comovido, porque não estava à espera disto. Desde os 18 anos que estou ligado à corporação”
Manuel Carvalho
Homenageado

São, portanto, 71 anos de serviço. “Entrei para a corporação a 22 de novembro de 1949”, recorda, confessando que “deixei muito da minha vida para trás, mas faz parte, e fiz aqui muitos amigos”.

E se há algo de que se orgulha é de ter criado a fanfarra. “Quando entrei para os bombeiros não havia fanfarra, só sete clarins de pequena dimensão. Mais tarde, quando me tornei chefe dos clarins, falei com a direção e pedi para serem comprados mais 10”.

Fundou a fanfarra em 1961 e em 1972 deu-lhe uma nova vida “com instrumental de pistões” e admite que “não tínhamos mãos a medir para tanta saída e atuação”. Contudo, lamenta o facto de “hoje em dia os tempos são diferentes, há formação específica na área da música e as fanfarras acabam por desaparecer”.

HOMENAGEM

“A família avisou-nos, já no ano passado, que o senhor Manuel ia fazer 90 anos e nós conseguimos prestar-lhe esta pequena homenagem que, não fosse a pandemia, seria feita de outra forma”, explica Orlando Matos. 

O comandante da Cruz Branca fala ainda dos ensinamentos que Manuel Carvalho partilha com a corporação. “Ele conta-nos muitas histórias, mas há uma coisa que, para ele, é essencial, a disciplina”.

“A família avisou-nos, já no ano passado, que o senhor Manuel ia fazer 90 anos e nós quisemos fazer-lhe uma homenagem”
Orlando Matos
Comandante Bombeiros Cruz Branca

Sobre a fanfarra, Orlando Matos admite que “teve de ser reformulada de forma a termos um contingente mínimo que nos permita ter algumas saídas”, salientando que “grande parte dos elementos da nossa fanfarra fazem parte do corpo ativo e a época das festas coincide com a dos incêndios, fazendo com que haja menos treinos e não nos seja possível ter tantas saídas quanto gostaríamos”.

Já António Graça, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca (AHBVCB), mostrou-se algo emocionado porque “estes momentos tocam-nos sempre de alguma maneira”.

“Estou nesta casa há 30 anos e acompanhei muitas vezes o senhor Manuel e conviver com ele é muito fácil, basta falar de bombeiros e da fanfarra e temo-lo a debitar histórias a noite toda, se for preciso. Isto foi a vida dele, que acaba por ser um exemplo para todos”, conclui. 

Manuel Carvalho foi surpreendido pelos bombeiros da Cruz Branca no dia em que completou 90 anos. No quartel foi recebido em parada, com honras da fanfarra e houve até direito a bolo e algumas lembranças, tudo sobre o olhar atento de alguns familiares.

“Conviver com ele é muito fácil, basta falar de bombeiros e da fanfarra. Isto foi a vida dele e é um exemplo para todos”
António Graça
Presidente AHBVCB
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