Tomás Pinto é emigrante em França, onde tem uma empresa de transportes, e contou que durante o mês de Agosto, como era habitual, esteve na sua terra e falou, na altura, com um funcionário da Câmara que lhe garantiu que a carrinha estava bem estacionada “uma vez que estava num espaço que me pertencia”. “Fiquei descansado e fui embora no dia 26 de Agosto”. Porém, no dia 26 de Setembro a sua viatura foi levada por um reboque para uma sucata em Paredes para ser abatida.
O alerta do desaparecimento foi dado por um cunhado que tinha uma cópia da chave da viatura para “dar umas voltas regularmente com a carrinha”. Numa tarde chegou ao local e deparou que o veículo já não se encontrava lá. “Liguei logo para a GNR, mas disseram-me que não tinham conhecimento de nada. Então, decidi ligar para Câmara onde me informaram que a carrinha tinha sido levada para desmantelar”, contou. Tomás Pinto veio de imediato a Portugal para resolver a situação. Ainda chegou a tempo de recuperar o veículo que tinha o seguro e o imposto de circulação em dia, só lhe faltava a inspecção anual.
Na origem desta situação, o emigrante desconfia que deverá estar uma queixa apresentada por um familiar que habita o Rés-do-chão da sua residência. “Essa pessoa deve ter feito queixa na Câmara Municipal que a carrinha estacionada não lhe permitia o acesso à casa”. O emigrante adiantou que “a carrinha estava estacionada onde já tinham estado outras viaturas durante a ausência da família em França”.
O queixoso alega que tudo isto foi “má fé”. “A carrinha nunca esteve estacionada na via pública. No local onde se encontrava é um terreno da casa. A viatura foi levada sem os respectivos documentos e no local não esteve presente nenhuma autoridade”.
Agora, o assunto está entregue a um advogado e Tomás Pinto pede indemnização à Câmara Municipal no valor de 8000 euros. Valor que o mesmo fundamenta: “Tive que pagar ao reboque que me levou a viatura. Tenho que reparar os danos causados na carrinha, além da semana de trabalho que perdi e o custo das deslocações a Portugal”, concluiu o emigrante.
A Câmara de Peso da Régua reafirma que apenas “cumpriu a Lei em vigor”. “O senhor foi avisado através de duas cartas com aviso de recepção e como ele não contestou nada, o processo correu os seus trâmites normais”.
Ao que apuramos quem terá ficado com as cartas e terá assinado o aviso de recepção foi uma tia que nunca deu conhecimento ao sobrinho.
A edilidade teve conhecimento do assunto através de uma queixa apresentada em Maio, pela sogra do dono da carrinha que alegou que “o veículo tirava visibilidade a uma janela e dificultava a sua entrada em casa”.
Quanto ao reboque ter ido directamente para a sucata e não para o parque municipal, a edilidade garante que “agora os reboques são feitos por privados que estão devidamente certificados”.




