Empate soube a pouco

Pouco público no Monte da Forca, para assistir ao jogo em que o Vila Real defrontou o líder, Serzedelo. Com os jogos a regressar ao horário de Inverno, às 15 horas, o sol intenso criou maior desgaste aos jogadores. O Serzedelo entrou em campo com vontade de continuar a sua senda vitoriosa, mas, desta vez, […]

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Pouco público no Monte da Forca, para assistir ao jogo em que o Vila Real defrontou o líder, Serzedelo. Com os jogos a regressar ao horário de Inverno, às 15 horas, o sol intenso criou maior desgaste aos jogadores.

O Serzedelo entrou em campo com vontade de continuar a sua senda vitoriosa, mas, desta vez, tinha pela frente uma equipa que tem vindo a melhorar de jogo para jogo. Os primeiros minutos do encontro não foram fáceis para os “alvi-negros”, uma vez que os forasteiros, muito fortes no centro do terreno, não davam espaço ao adversário. Não foi de estranhar que as melhores jogadas e oportunidades fossem, também, para os homens vindos de Guimarães. A primeira, aos 5 minutos, surgiu quando Ricardinho apareceu em frente de Vieira, para tentar o “chapéu”, mas a bola saiu a rasar a quina do poste. Três minutos volvidos, de novo o perigo rondou a baliza vila-realense. Valeu a fraca pontaria do avançado “verde-rubro”. Esta entrada em jogo muito veloz colocou em sentido as hostes defensivas da casa. Aos 11 minutos, o Vila Real sacudiu um pouco a pressão e Nuno Meia teve nos pés a melhor oportunidade de toda a primeira parte, através de uma arrancada impressionante de Ernesto que ficou isolado e ofereceu o golo a Meia, mas o avançado permitiu a defesa do guarda-redes Paulo Jorge.

Seguiu-se uma parte do jogo pouco interessante, com muitas faltas e constantes paragens no desafio. O técnico Marco Alves teve mesmo que mudar dois elementos na sua equipa, os quais saíram lesionados. O Serzedelo acabou por perder a acutilância ofensiva dos primeiros minutos e o Vila Real começou a dominar as operações, a toda a largura do terreno.

O intervalo chegou e fez bem aos pupilos de Luís Pimentel. Vieram do descanso com outra mobilidade ofensiva e com um objectivo bem claro: vencer a partida. Tudo fizeram, para o conseguir, mas o guarda-redes Paulo Jorge esteve intransponível e em grande plano. O jogo teve um único sentido, com os homens da casa a pressionar sobre a defensiva contrária, onde os centrais, altos e possantes, conseguiram suster o maior poderio atacante “alvi-negro”. Foram várias as perdidas dos jogadores visitados. Mas, há duas que vamos descrever, por serem as mais flagrantes. A primeira, ao minuto 78. Grande jogada de entendimento dos vila-realenses que culminou no cruzamento de Castanha para o segundo poste, onde apareceu Nuno Meia a cabecear, mas o guarda-redes saiu da baliza e, com uma palmada, aliviou pela linha de fundo. A segunda foi mesmo ao cair do pano, no último minuto do encontro. A bola foi levantada para o interior da área, houve uma grande confusão, a bola ressaltou para Pedro Bouças que “encheu o pé”, mas a bola foi contra o guarda-redes Paulo Jorge. Nem ele próprio saberá como parou o potente remate do avançado da casa, uma vez que teve a sorte de se levantar e a bola lhe bater no corpo. Foi a última grande oportunidade do jogo, onde o Vila Real não se intimidou ao enfrentar o líder, mostrando que tem equipa para fazer um campeonato tranquilo. Faltou o golo que daria alguma justiça ao resultado, uma vez que, na segunda parte, só houve uma equipa a procurar a vitória: o Vila Real. Os transmontanos conseguiram “encostar o Serzedelo às cordas” e a equipa visitante acabou por perder, no Monte da Forca, os primeiros dois pontos da época.

No próximo jogo, o Vila Real tem a oportunidade de rectificar este empate, ao voltar a jogar em casa, recebendo o Padroense.

Uma última nota para a equipa de arbitragem que cometeu alguns erros, nomeadamente na análise da posição de fora-de-jogo, com os vila-realenses a serem prejudicados.

 

 

Luís Pimentel, treinador do Vila Real

“A vitória seria o resultado mais justo”

 

Luís Pimentel sublinhou a boa exibição da sua equipa que só pecou na finalização. Referiu, ainda, a fraca actuação da equipa de arbitragem, vinda de Bragança.

“O empate sabe a pouco, por tudo aquilo que fizemos, na segunda parte. Durante a primeira parte, o jogo foi equilibrado, mas a melhor oportunidade foi para o Vila Real. No segundo tempo, fomos mais criativos, mais fortes e mais intensos no jogo. Procurámos dar maior profundidade ao jogo e tivemos várias oportunidades. Penso que o melhor jogador do Serzedelo foi o seu guarda-redes que fez defesas extraordinárias. Foi um elemento preponderante que conseguiu manter o nulo. Estou satisfeito com o que fizemos, contra o primeiro classificado. Mas estou triste com o resultado que obtivemos. A vitória era o resultado mais justo. Ficou mais uma vez provado que o Vila Real tem uma equipa competitiva que poderá fazer um bom campeonato. Estamos a crescer e acabámos por não ter a sorte do nosso lado. Vamos tentar procurá-la, já no próximo jogo”.

 

 

Marco Alves, treinador do Serzedelo

“O empate é um resultado justo”

 

Marco Alves ficou satisfeito com o empate alcançado pela sua equipa, fora de casa. Realçou, ainda, que o objectivo do Serzedelo passa, apenas, pela manutenção.

“Assistimos a um bom jogo, na primeira parte, em que houve boa circulação de bola, empenho e oportunidades junto de ambas as balizas. Foi pena não ter havido golos que trariam outro brilho e emoção ao jogo. Não gostei da segunda parte da minha equipa. Recuámos no campo e não conseguimos explanar o nosso futebol, de pé para pé. Não consegui mexer na equipa como pretendia, uma vez que fui forçado a fazer duas alterações, ainda na primeira parte. Mesmo assim, foi um jogo interessante, com várias oportunidades, onde só faltaram os golos. O empate é um resultado que se ajusta ao que se passou no decorrer dos 90 minutos”.

O objectivo do Serzelo que continua na frente do campeonato é a manutenção, como nos confirmou o técnico: “Somos conhecedores da nossa realidade. Sabemos as dificuldades que enfrentamos, todos os dias. Tivemos muitas dificuldades para formar o plantel, uma vez que muitos jogadores da época transacta saíram para clubes do regional que têm maior capacidade financeira. Mesmo assim, vamos lutar para ficar nos primeiros seis lugares e, desse modo, alcançar a manutenção”.

 

 

Márcia Fernandes

FICHA TÉCNICA

Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca, em Vila Real.

Árbitro: Sílvio Gouveia, auxiliado por Carlos Meco e Paulo Gonçalves.

VILA REAL – Vieira; Bessa, Ernesto, Zé Monteiro (Nuno Fredy, aos 75’) e Caniggia (Leirós, aos 90’); Norberto, Pedro Bouças, Castanha e Moura; Nuno Meia e André Lisboa (Luís Carlos, aos 79’).

Suplentes não utilizados: Gamito, Conceição, Fred e Filipe.

Treinador: Luís Pimentel.

SERZEDELO – Paulo; Pinto, Xavi (Miguel Mota, aos 32’), Maurício e Ricardinho (Silva, aos 86’); Capucho (Nera, aos 54’), Davide, Dias e Carlos Filipe; Feliz e Quim Duarte.

Suplentes não utilizados: Rui, Hélio, Vitinha e Luís Filipe.

Treinador: Marco Alves.

Cartões amarelos: Norberto (31’), Zé Monteiro (49’), Castanha (66’), Quim Duarte (70’) e Pinto (85’).

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