Os comerciantes e moradores da zona do Seixo sentem-se “injustiçados” com a redução do estacionamento na avenida Cidade de Ourense, artéria de Vila Real que foi alargada no âmbito do projecto de construção do pavilhão desportivo e da central de transportes.
Com faixas estendidas juntas ao gradeamento da zona comercial do edifício do Seixo, os comerciantes pedem mais estacionamento e questionam o município sobre “os seus direitos”.
Em causa estão os lugares de estacionamento antes disponíveis na faixa ascendente do troço da avenida Cidade de Ourense, entre a Rotunda da República Portuguesa e o cruzamento da Segurança Social, na rua de sentido único, descendente, que vai desde a Avenida da Noruega. “Não nos importamos de ter parquímetros, desde que haja opções para que os clientes possam estacionar e vir às lojas”, explicou Filomena Rodrigues, proprietária de um estabelecimento comercial.
“Há comerciantes que tiveram um prejuízo de 80 por cento”, referiu a lojista, revelando ainda queixas relativamente à perseguição por parte da Polícia. “Não temos condições nem para descarregar mercadoria. Num só dia tive que pagar três multas”, contabilizou Filomena Rodrigues.
Esta reestruturação “estragou muito o negócio”, confirmou a empresária Isabel Costa, referindo que também os moradores têm muita dificuldade em estacionar. “Dizem que vão fazer um parque de estacionamento, mas de certeza que vai ser a pagar”, lamentou.
Confrontado com a questão, Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila real classificou o problema como “uma falsa questão”.
“Requalificamos aquela entrada da cidade. É um espaço que tem que ter alguma fluidez. Cada vez que um carro estacionava ou saía causava transtornos ao fluxo de trânsito”, defendeu o autarca, deixando a garantia de que “não há hipótese nenhuma” dos lugares de estacionamento serem repostos naquela rua.
No entanto, o autarca adiantou que “na rua de trás” serão criados cerca de 14 lugares de estacionamento para compensar os que desapareceram.
Manuel Martins sublinhou que, com a contestação, reconheceu que os serviços da autarquia cometeram “um erro” no processo de instalação dos mecos na rua que vai dar à Avenida da Noruega. “Pusemos ali uns mecos para que os peões possam circular em segurança e para evitar o estacionamento junto das casas das pessoas, mas só me apercebi depois que puseram uma placa única de paragem proibida junto ao cruzamento quando a ideia não era essa”, garante o edil, explicando que o estacionamento é permitido a seguir à entrada para o Bairro da Concha.
O autarca vila-realense revelou ainda que está já em adjudicação a segunda fase da construção do Complexo do Seixo, no âmbito do qual será criado um parque de estacionamento subterrâneo pago, com capacidade para 200 viaturas, e que deverá estar pronto dentro de quatro meses.



