Quarta-feira, 29 de Abril de 2026
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Feliciano Amaral é candidato a presidente da Direção da Casa do Douro

O Movimento “Viticultores Durienses” (VD), liderado por Feliciano Amaral, vai apresentar uma candidatura à Direção da Casa do Douro. 

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O candidato defende uma Casa do Douro “forte e pública”, que represente todos os viticultores (quer os que unicamente produzam uvas, quer os que também comercializam vinhos), porque a história demonstra que é a melhor salvaguarda, especialmente nos momentos de crise.

Os motivos que o levam a tomar esta decisão “prendem-se com a crise que se instalou na Região Demarcada do Douro (RDD)”, com quase duas décadas.

Feliciano Amaral é viticultor e tenente-coronel da GNR, natural de Ervedosa do Douro, concelho de S. João da Pesqueira, que há vinte anos, era considerada a freguesia mais rica do Douro (por ser a maior produtora do vinho generoso), onde hoje muitas pessoas desistiram da viticultura e com vários pequenos e médios Viticultores a não suportarem os custos de produção, quanto mais gerar rendimentos. Infelizmente, esta é a realidade da maior parte do Douro Vinhateiro – empobrecimento.

No ano de 2000 houve autorização para 152.500 pipas de benefício, com preço ao viticultor de 1.300 euros (260 contos) e a pipa de consumo a 700 euros (140 contos). Hoje há autorização para 102.000 pipas de benefício e sem valores por pipa próximos dos praticados. 

Porém, desde o ano 2000 a população mundial aumentou cerca de 28% (mais de 1.500.000 pessoas, potenciais consumidores) e desde 2001 a Região Vinhateira do Alto Douro classificada pela UNESCO – condições ótimas para o progresso, mas que não chegou a todos os setores na RDD.  A título de exemplo, França nestas duas últimas décadas conseguiu duplicar o preço ao produtor.

“Urge alterar o atual estado da RDD, pelos viticultores e pelo território”, diz Feliciano Amaral, acrescentando que o principal objetivo da candidatura é “aumentar os rendimentos dos viticultores”, com especial foco nos pequenos e médios Viticultores. Para isso, a aposta está em “vender mais e melhor” os vinhos, com reflexo no preço da uva, e o território.

É preciso que o preço pago pela uva aumente consideravelmente, sob pena dos Viticultores/Empresas que comercializam vinhos venham a ser considerados pelo Mercado “entidades sem Responsabilidade Social”, gerando “má publicidade” o que decerto prejudicaria as suas marcas e, indiretamente, a RDD.  Exemplo disso, acontece quando quem compra uvas despende menos na sua aquisição a terceiros, do que no tratamento das uvas do próprio. 

Esse aumento de preço pago pela uva fará valorizar os Stock e demonstrar junto do setor da grande distribuição que preços de 3.99 euros por uma garrafa de Vinho do Porto na prateleira de um supermercado não são admissíveis. Não é forma de tratar um dos maiores “Embaixadores” de Portugal no Mundo, sendo necessário estimular os portugueses e a diáspora portuguesa para o Vinho do Porto como a "Bebida de Portugal", para se enraizar o bom hábito do seu consumo, bem como os milhões de turistas que visitam Portugal (não só na RDD e na Foz do Douro), apostando no aumento de qualidade em algumas categorias (aproveitando já esta vindima) e na formação de como servir o néctar junto do canal HORECA – projeto a incrementar por todos os intervenientes no setor e não só a Casa do Douro.

Outro projeto que se pretende implementar é que todo o Vinho da RDD para poder ser comercializado terá que ser considerado “certificado” pelo IVDP ou Casa do Douro (sem custos) que cumpre os requisitos de “Desenvolvimento Sustentável” e de “Comércio Justo”. Isto é, imputar de facto todos os custos associados desde a produção da uva até ao consumidor final – não podendo haver ninguém na cadeia de valor a não ser justamente remunerado pelo seu esforço, gerando um verdadeiro impacto social e económico na RDD. 

Enquanto isso não acontece, recorda-se alguns Viticultores “maiores compradores de uvas”, que nos últimos meses defenderam publicamente (em entrevistas em diversos meios de comunicação social) que o importante era que o pequeno e médio Viticultor “não irá perder rendimento” no âmbito da atual Pandemia. O que se entende, porque se espera que honrem a palavra dada, que tendo havido corte no benefício estão dispostos no presente ano a pagar mais por pipa de benefício (considerando até os diversos apoios a receber do Estado) – se com 108.000 pipas de benefício em 2019 a 1.000 euros (em média), será necessárias 102.000 pipas de benefício a 1.059 euros (em média) para manter o rendimento. E a manutenção do preço do vinho de mesa face a 2019.

Outro projeto a desenvolver é que antecipadamente a cada Vindima sejam estabelecidos / contratados os preços. É inadmissível num país dito de primeiro mundo, o Viticultor desconhecer a que preço vai vender as uvas. No futuro deve o “Comunicado de Vindima” impor datas para os contratos de aquisição de uvas. Havendo já boas práticas na RDD de contratos plurianuais, algo a incentivar e a aumentar.

 

 


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