A festa da subida do SC Vila Real, ao Campeonato Nacional da 3.ª Divisão, ficou adiada. No” derby” da cidade, o Abambres não permitiu que os “alvi-negros” festejassem a subida, a cinco jornadas do fim do campeonato. Apesar do tempo instável que se fez sentir, foram muitos os adeptos que se deslocaram ao Maria de Lurdes do Amaral, para apoiar os seus clubes. Foi pena não haver golos, para dar outro colorido ao espectáculo. Num jogo muito musculado, a meio-campo, as oportunidades de golo foram escassas, em ambas as balizas. Começaram melhor os forasteiros, com uma oferta de Fontinha, através da qual poderia ter chegado à vantagem. Aos 2 minutos, o guarda-redes da casa não conseguiu segurar a bola, Nuno Meia ficou com ela, mas não lhe conseguiu dar a melhor direcção. O médio ofensivo não esperava o ‘brinde’ de Fontinha que mostrou algum nervosismo, nesta fase inicial, mas, com o decorrer do jogo, ganhou confiança e esteve bem, entre os postes.
Com o pelado em péssimas condições para a prática de futebol, o jogo era muito disputado no centro nevrálgico do terreno, onde a equipa visitante, sempre mais acutilante, não conseguia encontrar o caminho para furar a muralha defensiva do Abambres. Muito bem colocados no terreno de jogo, os homens da casa dificultavam as movimentações da frente adversária. Castanha e Nuno Meia não tinham espaço para fazer os desequilíbrios e os flancos não funcionavam. Foi necessário esperar mais trinta minutos, para ver um lance de perigo, junto da baliza caseira. Desta feita, houve uma combinação entre Fraguito e Meia que culminou num potente remate do primeiro, mas Fontinha, atento, conseguiu desviar, com classe.
O nulo verificado ao intervalo premiava a boa organização defensiva da equipa da casa e penalizava um Vila Real que optava sempre por lançar as bolas pelo centro, não explorando as faixas laterais.
Ao ver esta situação, o seu técnico, ao intervalo, deixou Caniggia nos balneários e lançou Luís Carlos em jogo, para tentar criar outras dificuldades à defesa visitada.
José Gomes também mexeu na equipa, ao intervalo, com a entrada de André Viamonte para o lugar de Shuster.
Reiniciaram melhor os “alvi-negros”, incutindo maior velocidade no seu jogo, com as laterais a serem, agora, exploradas. Decorria o minuto 58, quando Nuno Meia teve nos pés o golo. Luís Carlos ganhou uma bola a meio-campo, isolou o médio ofensivo que, perante a saída de Fontinha, atirou ao lado. Poderia ter feito melhor, uma vez que Palhares estava solto, a pedir a bola.
O Abambres, sempre muito fechado no seu reduto, tentou espreitar o contra-ataque, mas só conseguiu criar perigo aos 65 minutos. Já com Pedrinho em campo, foi Castanha quem fez o corte providencial. A jovem promessa do Abambres conseguiu ultrapassar vários adversários, mas, quando se preparava para alvejar a baliza, Castanha conseguiu travar o remate.
Já muito perto do final, houve duas grandes oportunidades, para cada lado. A primeira foi para o Vila Real. Registou-se um bom trabalho, na esquerda, entre Peixoto e Luís Carlos, este colocou no coração da área, mas apareceu um defesa, a tirar da zona perigosa, quando Meia estava pronto para rematar à baliza. Já em período de descontos, grande ocasião para o Abambres desfazer o empate. Mas o remate do avançado saiu a milímetros da quina da baliza.
O empate acaba por ser um justo prémio para a equipa do Abambres que preencheu bem os espaços e não deixou o Vila Real explorar o seu futebol. Ficou, assim, adiada a festa da subida de divisão, uma vez que o Vila Real está a uma vitória de conseguir regressar ao Campeonato Nacional.
Luís Pimentel, treinador do Vila Real
“Pecámos na finalização”
O técnico vila-realense estava conformado com o resultado e referiu que o empate foi penalizador para a sua equipa.
“Apesar das condições difíceis do terreno, fizemos um bom jogo. O Vila Real assumiu desde o início do jogo que queria ganhar e criou algumas boas ocasiões para o fazer. Infelizmente, não conseguimos materializar nenhuma ocasião. A equipa do Abambres tentou explorar o contra-ataque, ficou sempre atrás da linha da bola e dificultou ao máximo a nossa tarefa ofensiva. Fechou bem os espaços para a sua baliza e nós, apesar de termos tido a paciência suficiente para circular a bola e criar situações de golo, não concretizámos. Quero salientar a excelente atitude da equipa e o bom futebol praticado neste terreno pelado e lamacento. Pecámos, apenas, na finalização. O nosso objectivo era conquistar, aqui, o título de Campeão. Não conseguimos, vamos tentar concretizar esse objectivo já no próximo jogo”.
José Gomes, treinador do Abambres
“Foi um jogo bem disputado”
Satisfeito com o ponto conquistado, perante o líder, o técnico da casa referiu que ambas as equipas estão de parabéns, pelo jogo que fizeram e pelo empenho demonstrado.
“Foi um jogo bem disputado. Os meus jogadores estão de parabéns, porque fizeram exactamente o que lhes pedi. Trabalhámos bem, retirámos os espaços ao adversário, no nosso meio–campo defensivo. Gostaríamos de ter feito as transições para o ataque com maior velocidade, mas nem sempre conseguimos. Ficou evidente alguma inexperiência e imaturidade da nossa equipa que é muito jovem. Mesmo assim, penso que não houve grandes oportunidades de golo, para ambas as equipas. Houve, apenas, duas, para cada lado. Quero dar os parabéns, também, ao Vila Real que tem uma boa equipa e excelentes jogadores. Será o justo vencedor deste campeonato”.
Para as restantes jornadas, José Gomes espera maior qualidade ofensiva da sua equipa e que consiga maior posse e circulação de bola, entre os sectores.
“Espero que a equipa fique mais confiante e que acredite mais nas suas potencialidades, uma vez que ainda é muito jovem”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Campo M.ª de Lurdes do Amaral, em Abambres.
Árbitro: Pedro Mesquita.
Auxiliares: Bruno Trindade e Ângelo Borges.
ABAMBRES – Fontinha; Kokas, Nuno, Hélio e Daniel (Pedrinho, 59’); Pedro, Tiago Nóbrega, Júlio e Shuster (André Viamonte, 45’); Alexandre (Rómulo, 78’) e Rodri.
Suplentes não utilizados: André, Rolando, Tiago Oliveira e João Mário.
Treinador: José Gomes.
VILA REAL – Carlos; Leirós, Zé Monteiro, Miguel e Peixoto; Norberto (Fredy, 90+4’), Castanha e Fraguito; Palhares (Pedro, 70’), Nuno Meia e Caniggia (Luís Carlos, 45’).
Suplentes não utilizados: Vieira, Conceição e André.
Treinador: Luís Pimentel.
Cartões amarelos: Norberto (40’), Zé Monteiro (40’), Shuster (41’), Palhares (61’), Fraguito (65’) e Pedro (67’).




