Terça-feira, 16 de Junho de 2026
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Fim dos transportes alternativos “não é admissível”

Os autarcas do Vale do Tua acusam a CP de violar o protocolo de mobilidade assinado pelas diversas entidades no âmbito da construção da Barragem e ameaçam voltar atrás no apoio à construção daquela infraestrutura, cujas obras, já em curso, deverão ser alvo de “um abrandamento significativo” por indicação da Unesco.

Desde o dia um de julho que a CP deixou de cumprir o financiamento do serviço de transporte alternativo na linha do Tua, uma situação considerada pelos autarcas como “inadmissível” uma vez que “põe em causa o encerramento definitivo do metro de Mirandela e, com isso, a viabilidade do futuro plano de mobilidade do Tua”.

Segundo os autarcas da Agência para o Desenvolvimento do Vale do Tua, que reúne cinco concelhos, e que no dia três fizeram uma conferência de imprensa para denunciar a situação, foi “violado o protocolo de mobilidade assinado pelas diversas entidades no âmbito da construção da Barragem do Tua”.

“A primeira entidade a não cumprir o protocolo da mobilidade foi a CP”, acusaram os autarcas num comunicado em que confirmaram que desde o início da semana que “o táxi entre o Cachão e o Tua deixou de funcionar por falta de transferência de verbas no montante de cerca de 125 000 euros, que eram pagos anualmente ao Metro de Mirandela para assegurar o transporte rodoviário alternativo às populações”.

O protocolo da mobilidade previa o financiamento por parte da CP da mesma verba (cerca de 250 000 euros) até à construção da barragem e à passagem definitiva da mobilidade para a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua.

Os autarcas exigem assim a reposição dos transportes alternativos que asseguravam a mobilidade das populações que ficaram sem comboio há quatro anos, com a suspensão da circulação na sequência de uma série de acidentes que resultaram em quatro vítimas mortais.

Mais, os presidentes de câmara, que lembram que o plano de mobilidade do Tua está previsto no Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução e na Declaração de Impacte Ambiental da Barragem de Foz Tua, prometeram já equacionar a sua posição em relação à construção da infraestrutura hidroelétrica caso não seja garantido o transporte alternativo às populações.

Também o Bloco de Esquerda (BE) já veio a público pedir explicações ao Governo sobre a suspensão, questionando “de que forma se justifica as violações das indicações da Declaração de Impacto Ambiental para a construção da barragem do Vale do Tua”.

“No caso da linha do Tua, perde-se o único eixo de ligação ferroviária da região, para além de um importante polo de promoção de atividades turísticas, como se vê, por exemplo, na vizinha Espanha, através do funcionamento deste tipo de linhas ferroviárias reabilitadas e recuperadas, e do contributo que isso tem constituído para reforço das oportunidades de revitalização económica e criação de emprego durável na região”, lamenta o BE no requerimento apresentado na Assembleia da República.

 

Unesco aconselha Portugal a “abrandar” obras de construção da barragem

Durante a reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorre em São Petersburgo, Rússia, e que no dia 27 discutiu a questão dos efeitos da construção Barragem de Foz Tua na região classificada do Douro Vinhateiro, foi aconselhado o “abrandamento das obras” daquela infraestrutura até ao final de julho.

Segundo informações veiculadas por vários órgãos de comunicação social nacionais, a proposta inicial do Centro do Património Mundial “previa a imediata suspensão dos trabalhos de construção da Barragem de Foz Tua por causa dos impactos graves e irreversíveis que vai provocar no Alto Douro Vinhateiro”, no entanto, por unanimidade, os membros do comité aprovaram “a proposta do Governo português, em alternativa à suspensão, que tem em vista um abrandamento significativo” dos trabalhos de construção.


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