Vila RealFlorestas do distrito começam a arder durante a noite

Florestas do distrito começam a arder durante a noite

Uma percentagem considerável do número de incêndios que ocorrem, durante o ano, no distrito de Vila Real, tem o seu início durante a noite. Só na última semana, foram registadas treze ignições, entre as 23 e as 7 horas. Por detrás de tudo isto, há a quase certeza de mãos criminosas, realidade que faz desconfiar […]

Uma percentagem considerável do número de incêndios que ocorrem, durante o ano, no distrito de Vila Real, tem o seu início durante a noite. Só na última semana, foram registadas treze ignições, entre as 23 e as 7 horas. Por detrás de tudo isto, há a quase certeza de mãos criminosas, realidade que faz desconfiar as autoridades e os bombeiros da ocorrência de fogo posto. Todos “estranham” o sucedido, dado que não há razões lógicas climatéricas para a ocorrência de tantos princípios de incêndios.

A Norte do distrito, é nos concelhos de Valpaços, Montalegre, Chaves, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena que se registam maiores incidências, mas, a Sul, mormente em Vila Real e Santa Marta de Penaguião, os fogos também começam de noite. Por detrás de tudo isto, a mão criminosa parece ser o principal responsável.

O Comandante Distrital de Operações e Socorro, Carlos Silva, acha “anormal” e estranha que “alguns fogos comecem durante a noite”.

“É uma situação que existe. O número, comparativamente às ignições diurnas, não sendo, apesar de tudo, anormal, é, no entanto, uma realidade. Não vou dizer quais são as causas, nem se há negligência, pois que isso, no que respeita às origens dos fogos, competirá às respectivas autoridades averiguar. Nós apenas tentamos combater os fogos, da melhor forma que sabemos”.

Uma fonte da GNR avançou, ao Nosso Jornal, que “é complexo apontar quais as causas dos incêndios ocorridos durante a noite. Há muitos factores e interesses variados, no surgimento de ignições. Mas é invulgar ocorrerem princípios de fogos, havendo condições pouco propícias, como o aumento, em mais de 50%, da humidade do ar e o registo de temperaturas mais baixas. Há uma questão a pensar: se houvesse mais postos de vigias nocturnos, porventura estes incidentes teriam menor incidência”.

Um dos casos de fogo posto nocturno ocorreu numa aldeia de Carrazedo de Montenegro, na zona da Serra da Padrela. Desconhecidos (de motorizada?) terão passado numa estrada rural e, ao longo da valeta, resolveram atear as chamas. Valeu a baixa temperatura, para evitar que o fogo tomasse outras proporções. Chaves é um concelho onde as ignições nocturnas também ocorrem. O Comandante dos Bombeiros Flavienses evitou comentários a esta situação: “Apenas lhe digo que o fogo não nasce espontaneamente. Na nossa área, há incêndios que começam de noite, mas não posso adiantar mais nada. No entanto, nesta área, estranho muitas coisas”.

Em Vila Real, as chamas aparecem, também, durante a noite. O Comandante da Cruz Verde, Fernando Mota, assegurou que “este ano, já na época de incêndios, registaram-se cinco ou seis casos na zona da nossa actuação. “Há números que reflectem esta situação. Em 2006, mais de trinta por cento dos fogos tiveram o seu início depois da meia-noite. Tudo isto revela algum mistério, é estranho e surge a desconfiança, quanto às suas causas. Não se pode culpar a temperatura. Durante o dia, a negligência pode acontecer, mas, durante a madrugada, não se anda a queimar as ramas das batatas, a limpar os castanheiros nem os silvados. Embora tirando as nossas conclusões, obviamente que não podemos dizer se há mão criminosa por detrás de tudo isto. Isso compete às autoridades. Porém, repito que a noite não reúne as condições ideais para o princípio de qualquer fogo, antes pelo contrário, às vezes é um factor positivo, dadas as baixas temperaturas que permite, mesmo, extinguir os fogos”.

Joaquim Teixeira, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Murça, alinha pelo mesmo diapasão: “A noite não é propícia para ignições. As causas naturais são adversas. Refiro a humidade relativa que, durante este período, aumenta. Não acredito que, nos fogos que começam durante a madrugada, estejam por detrás causas naturais. Aliás, é nesta altura que os mesmos são mais fáceis de combater e controlar. Sabe-se que o período mais crítico do dia é entre as 11 e as 18 horas, altura em que se registam as temperaturas mais elevadas e em que existe uma maior facilidade de combustão. Para haver um fogo, tem de haver combustível, comburente e uma fonte de ignição. As duas primeiras estão lá, a outra aparece. Por tudo isto, considero que há qualquer coisa estranha, por detrás destes incêndios nocturnos. Crime? Não posso dizer, mas uma ideia, sobre tudo isto, acaba por se evidenciar. O que nos compete a nós, como Bombeiros, é apagar os fogos”.

No que se refere a Murça, dois fogos, na última semana, começaram durante a noite. Um, em 25 de Julho, em Suidro, por volta da 1,30 horas e outro numa mata de Toubres, na freguesia de Jou, por volta das 23 horas.

Outros “casos estranhos” o Nosso Jornal apurou. Nomeadamente, no concelho de Santa Marta de Penaguião, mais precisamente perto do Santuário do Viso, em Fontes. Aqui, um fogo teve o seu início por volta das 2 horas de anteontem. Foi o calor? Também em Santa Marta, por volta das 1,35 horas de Quinta-feira da semana passada, registou-se um princípio de incêndio florestal, na zona de Assureiras, Medrões. A Rotunda do Tondela, em Peso da Régua, não escapou aos incendiários noctívagos. Um sinistro, às 2,15 horas de Domingo, deu que fazer aos Bombeiros locais.

Refira-se que, em termos nacionais, o número de efectivos e de meios no terreno, neste momento, durante o dia, é de cerca de 2.400 equipas, formadas por 9.600 efectivos, um conjunto de 2.300 veículos e 56 meios aéreos. Das 56 aeronaves, nove são meios próprios do Estado, sendo seis helicópteros pesados e três ligeiros, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).

 

José Manuel Cardoso

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