Vila RealFuturo do pólo de Chaves vai ser discutido em reunião extraordinária

Futuro do pólo de Chaves vai ser discutido em reunião extraordinária

No início do próximo mês, a maior academia transmontana vai debater o seu futuro. Além de temáticas como o seu pólo flaviense, outras questões, como a racionalização da oferta educativa, estarão sobre a mesa num debate que se pretende “alargado” e participado. Nos próximos meses, a UTAD deverá “tomar consciência” da sua realidade e do seu futuro.

O presidente do Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD), o embaixador Francisco Seixas da Costa, revelou, no dia 15, depois de mais um encontro do órgão máximo da academia, que o futuro do pólo de Chaves, bem como o projecto de criação do curso de medicina e a manutenção da Fundação Rei D. Dinis, serão discutidos no dia 11 de Novembro.

Segundo o mesmo responsável, a reunião extraordinária do Conselho Geral onde serão focadas as três temáticas, terá lugar depois de umas Jornadas de Reflexão Estratégica, onde a comunidade académica será chamada a participar numa “discussão alargada” sobre “a estratégia da UTAD, a sua dimensão, os seus cursos”. “É uma discussão extremamente importante porque vamos ouvir a academia sobre o futuro da Universidade”, explicou Seixas da Costa, advertindo, no entanto, que “a discussão não condiciona necessariamente quer a actividade do Conselho Geral, em termos de orientação estratégica, quer a acção diária do reitor, em termos de gestão quotidiana”.

O presidente do Conselho Geral lembra que o debate sobre os “três pontos” é da “maior importância”, considerando necessário o tratamento das temáticas de “forma decisória e definitiva”.

De recordar que, o possível encerramento do pólo de Chaves da UTAD tem vindo a estar sobre a mesa há muito tempo e o próprio presidente do Conselho Geral já reconheceu, em Junho, em declarações ao Nosso Jornal, que se trata de uma questão que a universidade deve pensar de “forma muito fria”, tentando perceber “se, sob o ponto de vista organizacional, financeiro e de impacto sobre a região, o pólo se justifica ou não”.

Outra das questões a debater nas Jornadas de Reflexão prende-se com a viabilidade da Fundação Rei D. Dinis, uma estrutura criada no seio da UTAD, em 2002, como “instituição de direito privado” sem fins lucrativos, com o objectivo de apoiar projectos de desenvolvimento da região, sobretudo no que diz respeito a candidaturas a fundos comunitários.

Finalmente, a criação do curso de medicina será também alvo das atenções da academia, nomeadamente a “definição final de uma posição” relativa à intenção da UTAD em apostar ou não nessa área.

“Nos próximos três meses vamos trabalhar na racionalização da oferta educativa da universidade”, sublinhou ainda o embaixador, considerando que a academia transmontana tem que “saber exactamente em que áreas se deve concentrar”. “Há um conjunto variado de questões a ter em conta, como as unidades curriculares, os trabalhos dos docentes ou os trabalhos de investigação, que deverão ser tidos em conta na discussão com as Escolas e as Comissões Inter-escolas”, um processo que tem como base uma proposta do Conselho Geral que foi apresentada e aprovada na última reunião e que visa a “racionalização dos recursos”.

Francisco Seixas da Costa recorda que “temos que perceber que os tempos mudaram”. “Hoje vivemos num mundo muito mais exigente, temos que nos concentrar melhor. Há alguns anos falou-se muito do Relatório ‘Porter’, um relatório que se fez sobre a competitividade da economia portuguesa. A UTAD tem que ter também o seu relatório ‘Porter’, ou seja, tem que perceber o que tem que fazer melhor, o que já faz bem e, eventualmente, começar a pôr em discussão algumas das dimensões que não são centrais à sua actividade”, defendeu o mesmo responsável.

“Temos três meses muito exigentes à nossa frente, mas penso que a UTAD pode ganhar muito com este tipo de decisões, com essa tomada de consciência”, concluiu o presidente do Conselho Geral.

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