Vila RealGNR apreende mais armas que em 2008

GNR apreende mais armas que em 2008

O último ano foi profícuo em termos operacionais na área do Comando Territorial de Vila Real da GNR. Nos dados referentes até meados de Dezembro, registou-se a apreensão de 126 armas, 4533 munições e cerca de 2,5 quilos de drogas, sendo detidas 24 pessoas. Estes elementos revelam duas particularidades: mais armas e munições a Norte do distrito e mais droga a Sul. Boticas, Montalegre e Valpaços são os concelhos com maior incidência na apreensão de armas.

Enquanto no consumo e tráfico de estupefacientes e apesar de uma redução comparativamente a 2008, a Sul do distrito, Alijó e Régua estão na frente.

Na área de influência do Comando de Destacamento da GNR de Chaves, que abrange os concelhos de Chaves, Valpaços, Montalegre, Boticas e a vila de Carrazedo de Montenegro, o Núcleo de Investigação Criminal, NIC, desta estrutura, não teve mãos a medir e os números dados a conhecer, ao Nosso Jornal, não deixam dúvidas quanto à posse ilegal de armas, furtos, roubos, burlas, falsificações e tráfico de droga. Assim só o NIC da GNR de Chaves apreendeu 115 armas, em especial em Boticas e Montalegre. Dados reveladores da existência de mais incidências e detidos nestes concelhos comparativamente ao ano anterior. Os detidos tem idades compreendidas entre os 16 e os 80 anos. No âmbito do armamento apreendido, o maior número foi de caçadeiras e pistolas 6.35mm. Mas, também, houve várias de “ponto 7”. Uma metralhadora, várias carabinas, espingardas de caça e alguns revólveres. Este aumento, confirmado por uma fonte da GNR, revela números muito superiores a 2008, fruto da reestruturação dos serviços do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Chaves, agora com mais acções de fiscalização e operações de investigação.

Na área da droga, no Destacamento de Chaves, destaque para a apreensão de 500 plantas de cannabis, em Valpaços, sendo uma das maiores registadas a nível nacional. Foram ainda apreendidas 15 viaturas. Um dos concelhos considerados de “risco” em termos de armamento ilegal é Boticas, onde a GNR efectuou muitas apreensões de armas e com alguns casos mediáticos envolvendo até um sacerdote. Contudo, esta situação pode ter uma causa que não é de agora. Um assunto que o presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Campos, não se escusou a explicar e aproveitou até para enviar um pedido ao Governo. O autarca considera que por trás da posse de armas existe uma prática cultural acumulada ao longo de várias gerações.

“Fundamentalmente, penso que é uma questão cultural. Não podemos fugir a ela, evidentemente que sabemos que por toda esta região, e por tradição, as pessoas têm uma caçadeira ou qualquer outra arma em casa. Contudo, isto não tem correspondência no número de mortos que vemos por esse país fora e do qual às vezes se fala muito menos”.

O edil julga até que tem havido um alarmismo desmesurado. “Também é bom dizer, que temos assistido a situações empoladas que não têm nada a ver com a realidade. No concelho, tanto quanto eu sei, grande parte das pessoas aderiu à legalização das armas quando o Governo abriu o processo de legalização, há cerca de dois anos”. Fernando Campos deixou um apelo. “Agora que as pessoas têm outra noção do problema, seria interessante que o Governo abrisse novamente um período de legalização para que as pessoas não pudessem dizer que não tiveram conhecimento”. Aliás, a própria autarquia tem alertado as pessoas para esta situação das armas. “Temos feito toda a sensibilização possível. Sempre que falo com os presidentes de junta, ou com as pessoas, digo sempre que há necessidade de legalizarem as armas. Mas, seria uma grande ajuda o Governo abrir o processo de legalização”, reafirmou.

A Sul do distrito de Vila Real, Alijó era um dos concelhos onde o problema do tráfico e consumo de droga era uma permanente dor de cabeça para autarcas e GNR, nomeadamente em algumas freguesias vizinhas. Apesar dos militares terem aprendido alguma droga este ano, o panorama está agora mais desanuviado. Isto mesmo reconheceu o presidente da Câmara Municipal de Alijó, Artur Cascarejo. “A toxicodependência no Concelho de Alijó era de facto um problema grave, há alguns anos atrás. Isto não quer dizer que esteja completamente eliminado, mas está bastante atenuado”.

O autarca encontra explicação para este sucesso em algumas iniciativas. “Tivemos um programa não apenas de combate mas de prevenção e reabilitação de toxicodependentes e, hoje, posso dizer com enorme satisfação que temos muitos recuperados, que são úteis à sociedade, a trabalhar em diversas instituições, como a Câmara Municipal, as IPSS do Concelho e até em empresas particulares”.

O edil deu a conhecer a “receita” que permitiu ao concelho de Alijó deixar de ser um dos maiores centros de tráfico de droga do Norte do país. “Em articulação com a escola, com o Centro de Saúde e com as IPSS, procurámos combater este fenómeno nas suas três componentes: prevenção, combate e reabilitação. Depois seguiu-se a reinserção no mercado de trabalho e na comunidade. É isso que temos feito e, hoje, podemos dizer que este problema não tem a incidência que já teve no passado no Concelho de Alijó”.

Artur Cascarejo, não esqueceu o papel da GNR. “O programa «Escola Segura» também contribuiu para diminuir este fenómeno e acabou mesmo por ser determinante”. Mas, a chave para a diminuição desta problemática foi a “reinserção profissional e social na sociedade. Um problema, todos nós podemos ter, agora se não tivermos uma ajuda é mais difícil recuperar. No nosso caso concreto, a chave para a resolução do problema esteve no trabalho em rede de todas as instituições envolvidas. Não quer dizer que tenhamos uma taxa de sucesso a 100 por cento, isso nunca ninguém tem, mas temos uma taxa de sucesso bastante elevada nesse tipo de situações”, concluiu Artur Cascarejo.

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