Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Governo deve ser intransigente na defesa da marca “porto”

A Avidouro quer que o governo português tenha uma posição firme na defesa dos interesses dos viticultores e do património, que é a marca “porto”.

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Em causa está o alerta deixado, na semana passada, pelo presidente do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), Frederico Falcão, que, em entrevista à agência Lusa, referiu que o acordo comercial que está a ser negociado com os Estados Unidos pode representar uma ameaça para o vinho do Porto, inundando o mercado de garrafas de “Port” americano. Frederico Falcão reconheceu que este tipo de acordos “são vantajosos em tudo o que tenha a ver com a eliminação de barreiras alfandegárias”, mas podem colocar dificuldades ao setor do vinho. “Aquilo que nos preocupa neste acordo com os Estados Unidos prende-se precisamente com a questão do vinho do Porto”, isto porque os Estados Unidos não reconhecem a Denominação de Origem (DO) portuguesa que protege o vinho do Porto e outros produtos originários de uma determinada região, impedindo utilizações abusivas”, referiu o presidente do IVV.

A associação de viticultores refere que o governo tem de atuar para travar os chamados acordos de “Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento”, os TTIP, ou “Acordos Transatlânticos” de “livre comércio”.  Trata-se, mais uma vez, de fazer o frete às grandes multinacionais”, acusa a Avidouro.

Basicamente vai ser aplicada a designação genérica “Port” para rotulagem de vinhos produzidos nos EUA, o que “se confunde facilmente com a nossa ‘marca’ Porto e pode desviar parte importante do comércio do nosso vinho do Porto para o tal “port wine” (licorosos) fabricado nos EUA e outros países”, alerta Berta Santos, presidente da Avidouro.

A dirigente recorda que, já há alguns anos, a África do Sul tinha sido autorizada a idêntica manobra no âmbito da OMC, Organização Mundial do Comércio, e com a cumplicidade do governo português da época. “E, também, no âmbito desta mesma OMC, já a UE, sempre com a cumplicidade do governo português, tinha liberalizado (alienado) as designações de qualidade do nosso Porto e do nosso Madeira – tawny – rubi – vintage”.

Berta Santos sublinha ainda que no momento em que “se abrem algumas condições para o aumento das nossas exportações de vinho do Porto, surgem logo perspetivas que, a consumarem-se, vão ser fortemente lesivas dos nossos direitos e interesses”.

Por isso, o governo português deve opor-se, a todos os níveis, à liberalização da designação “Port”. Cumpre ao Governo Português, em primeiro lugar, “opor-se a mais este esbulho daquilo que é património nosso, de Portugal e dos vitivinicultores durienses, o vinho do Porto e a ‘marca’ Porto”, finalizou Berta Santos.

 

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