Já Camões o sabia

Esta mania dos portugueses estarem sempre a olhar para a camisa nova do vizinho, é ancestral. Parece até que o ADN lusitano já vem impregnado de um cromossoma, onde pontifica um gene programado para que olhemos de soslaio para o carro novo do compadre e sintamos como que uma raiva de despeito.

Ficamos assim como que ougados, e ao olharmos para a nossa carripana já com alguns anos, dá-nos uma súbita vontade de corrermos para o stand e comprarmos um da mesma marca do parceiro, mas um modelo superior. E depois, irmos estacioná-lo mesmo ao lado do cobiçado e arranjarmos maneira de que o compadre saiba que é nosso. Mas como a carteira não dá sinais de abastança que dê para tanto, essa cobiça transforma-se em suspeição – uma espécie de bálsamo para a nossa incapacidade financeira – e não faltam elucubrações que nos alimentem as dúvidas sobre tanta prosperidade alheia: “- Meteste-te nalgum negócio escuro, meu malandro!”. Ou: “- A roubares assim aos impostos, também eu,

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