Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
No menu items!
EntrevistaLista do PS às próximas legislativas deve “ser liderada por alguém que não seja um ‘corpo estranho’ à região”

Lista do PS às próximas legislativas deve “ser liderada por alguém que não seja um ‘corpo estranho’ à região”

Líder da Federação Distrital do PS desde setembro, Francisco Rocha assumiu o partido numa altura em que a ambição é “voltar a ganhar” as próximas legislativas, uma meta que pode ser “difícil” mas que acredita ser possível porque, afinal, “os Transmontanos e Alto-durienses não vão esquecer as malfeitorias que este Governo fez à região e aos portugueses”. Relativamente aos rostos socialistas que representarão o distrito, apesar de considerar ainda “prematuro” falar em perfis de candidato, o líder defende desde logo que o cabeça de lista seja alguém com “profundo conhecimento da região, das suas potencialidades, problemas e desafios”

-PUB-

Antes de mais pode recordar o seu percurso dentro do PS?

Por convite de Ascenso Simões, integrei como independente o movimento que apoiou Mário Soares a presidente da República na sua primeira candidatura. Gostei dessa experiência e tornei-me militante na JS onde fui coordenador da estrutura concelhia e a seguir líder da distrital. Continuei a minha caminhada no PS, onde depois de alguns anos como militante, fui eleito líder da Concelhia de Vila Real, tendo sob a minha liderança conseguido alcançar um feito político inédito – ganhar pela primeira vez a Câmara Municipal de Vila Real. Agora é tempo de conduzir o PS a nível distrital. Saliento que sempre consegui colocar a minha formação académica, o meu percurso profissional e a política em patamares diferenciados. Não dependo da política, nem de ciclos eleitorais para viver. Estou na política por gosto, porque acredito no poder da cidadania, do contributo cívico que cada um de nós pode emprestar ao bem-estar comum. A política é uma das formas mais nobres de contribuirmos para a comunidade, para a resolução dos problemas dos nossos concidadãos, de lutarmos por causas, ideais e valores, a favor do bem-estar comum, servindo a causa pública, tendo bem presente a ética republicana.

 

Foi eleito presidente da Federação Distrital em setembro do ano passado. Qual o balanço destes primeiros meses?

Muito positivo. Depois de um congresso federativo muito participado, com a aprovação da minha moção de orientação política aprovada por unanimidade, com a eleição de novos órgãos dirigentes distritais, o tempo é de focar o PS naquilo que importa: ganhar as próximas eleições legislativas, apoiando as estruturas concelhias, interpretando os anseios e problemas da nossa região, contactando com os agentes sociais e económicos, incentivando e elogiando os bons exemplos e as boas práticas. Mas, ao mesmo tempo, lembrar vincadamente que, passados 4 anos de Governo desta maioria PSD/CDS os principais problemas da região não foram nem estão resolvidos, muito pelo contrário, acentuaram-se e agravaram-se. O esvaziamento/encerramento de serviços desconcentrados do Estado, o encerramento de tribunais, a não solução encontrada para a Casa do Douro, a novela da colocação dos professores, assim como o acesso aos cuidados de saúde da nossa população, são disso bons exemplos. Não me consigo lembrar de nenhuma marca que este Governo e esta Maioria tenham conseguido gravar em TMAD neste seu mandato. A ideia que associo são sempre sinónimos ou palavras semelhantes a encerrar, desgraduar, adiar, desvalorizar, afastar, impedir. E ainda dizem que foi positivo para a região ter Pedro Passos Coelho como cabeça de lista do PSD….Não consigo perceber em quê!?

 

Como encontrou a “saúde” do PS no distrito? Atualmente quantos militantes tem?

Nada de anormal a assinalar. A estrutura distrital conta com cerca de 4200 militantes. Temos presença e atividade política em todos os concelhos do distrito. O PS, no distrito de Vila Real, tem beneficiado de excelentes dirigentes políticos que têm dado o seu melhor em prol do Partido. Não me canso de os elogiar. Desde a concelhia com menos militantes até à mais numerosa, a dedicação, o empenho e o trabalho só nos merecem reconhecimento. Mas confesso que não ligo muito a esses números. A força, a dinâmica e a participação política das pessoas não se esgota na militância partidária. Hoje em dia, existem outras formas de envolvimento dos cidadãos na política. A recente realização das primárias com a participação de 3500 simpatizantes foi um excelente exemplo. Muitas pessoas preferem ser simpatizantes e não militantes. O PS acolhe, valoriza e incentiva o contributo de todas, independentemente da sua condição formal perante o partido.

 

Na altura em que lançou a sua candidatura à distrital sublinhou que queria protagonizar o projeto que vai conduzir o partido à vitória em Vila Real… Como tem sido essa “caminhada”?

É o nosso principal objetivo político. O PS no distrito de Vila Real tem a ambição de voltar a ganhar umas eleições legislativas (só aconteceu uma vez) e assim contribuir para uma maioria absoluta. Temos consciência que é muito difícil, mas também temos a obrigação de dar o nosso melhor para que isso possa acontecer. Existem três fatores decisivos para que essa vitória possa ocorrer. Em primeiro lugar ter um programa político que se identifique com a Região e que vá de encontro às suas verdadeiras necessidades e desafios. Em segundo, os protagonistas que vão dar a cara por esse programa não devem ser estranhos à região. Em terceiro, o programa e os protagonistas devem despertar todo o empenho, envolvimento e mobilização dos nossos autarcas, militantes, simpatizantes e dos nossos concidadãos.

 

Segundo uma sondagem divulgada recentemente (Barómetro Eurosondagem fevereiro 2015) o PS vai à frente nas intenções de votos. Esses são sinais positivos…

São sinais encorajadores, mas que não nos devem descansar. Quem anda na rua percebe que existe um sentimento de mudança e da urgência dessa mudança. As pessoas desejam um novo futuro. Um futuro com esperança, que as faça acreditar que existe um outro caminho que não o da austeridade em cima de austeridade. Mas também desejam que não as enganem. Que afirmem uma coisa e depois façam o seu contrário. São tempos que exigem credibilidade, responsabilidade e confiança. É inegável que a maioria dos portugueses identifica esses valores com António Costa e é no PS que depositam a esperança na mudança e do direito a um futuro com mais oportunidades.

 

Estamos a alguns meses das eleições legislativas, já é possível levantar um pouco o véu sobre o perfil daqueles que vão ser os rostos candidatos pelo círculo eleitoral de Vila Real?

É prematuro. Tudo na política tem o seu tempo, embora tenha uma ideia muito clara sobre o assunto. Por isso, não escondo o desejo e a vontade de ver a lista do PS pelo círculo de Vila Real ser liderada por alguém que não seja um “corpo estranho” à região. Defendo e advogo que a lista deve ser liderada por alguém que tenha profundo conhecimento da região, das suas potencialidades, problemas e desafios, com forte experiência política e que assuma por inteiro os compromissos políticos para com TMAD. Não sou adepto de cabeças-de-lista que, de repente, descobrem que, em tempos idos, tiveram uma prima em 5º grau em Trás-os-Montes e Alto Douro e que gostavam muito do fumeiro que ela produzia e lhes enviava pelo Carnaval….

 

Em 2011 o PS apresentou a lista composta por Pedro Silva Pereira, Rui Santos, Paula Barros, Agostinho Santa e Ivo Oliveira para os cinco lugares disponíveis para o distrito no Parlamento Nacional. Hoje, os dois lugares conquistados pelo partido são ocupados por Agostinho Santa e Ivo Oliveira. Qual o balanço que faz da legislatura que está agora prestes a terminar?

Essa pergunta deve ser formulada, em primeira instância, aos próprios. No que diz respeito à avaliação política do seu desempenho, aquilo que quero destacar é que todos souberam estar à altura dos desafios: defenderam e lutaram intransigentemente pela região. A única voz que se ouve na Assembleia da República a defender os interesses de Trás-os-Montes e Alto Douro é a voz dos deputados do PS. Não é uma opinião, é um facto que se comprova facilmente pelos media e pelas redes sociais.

 

Segundo palavras suas, “o maior desafio da região é estancar o êxodo populacional que estamos a viver e o envelhecimento da população ativa”. Qual é a receita para conseguir esse objetivo?

Não existem receitas ou poções mágicas. Existem medidas políticas e decisões políticas que podem contribuir para o agravamento ou para o estancar desse problema, que é um dos grandes desafios que a região tem pela frente. Devemos ter perfeita consciência que qualquer coisa que façamos hoje pode só vir a ter resultados daqui a 10, 20 ou 30 anos. As problemáticas dos territórios de baixa densidade são complexas. Aquilo que sabemos é que o PS sempre apostou no Interior, canalizou investimentos inéditos, apostou na ciência, no conhecimento e na educação, desenvolveu o território. Nestes quatro anos, com este Governo deixamos de verificar essa atitude e passamos a assistir ao seu contrário, a ideia que o Interior é um fardo. Os Transmontanos e Alto-durienses no próximo mês de setembro vão ter de escolher qual das duas opções preferem. Um Governo que assuma claramente que nenhuma parte do seu território e respetivos habitantes são dispensáveis, ou um Governo com uma folha de cálculo que reduz o território e as pessoas a meros números.

 

Ao longo de décadas Vila Real foi considerado dos distritos mais “laranjas” do país. Acha que o contexto político atual poderá promover uma mudança de tonalidade?

Acredito firmemente que sim. Penso que os Transmontanos e Alto-durienses não vão esquecer as malfeitorias que este Governo fez à região e aos portugueses. Não foram ações pontuais. Quando a região mais precisava, este Governo foi-lhe (re)tirando o que restava, desde discriminações positivas até mesmo a justiça. Depois acrescentou um aumento brutal da carga fiscal, agravou as desigualdades sociais, o desemprego atingiu valores impensáveis, os idosos e as crianças estão muito mais vulneráveis à pobreza, a dívida pública aumentou, a economia parou, passamos a exportar jovens, licenciados e mão-de-obra muito qualificada. Este Governo não acertou uma! Afinal que razões objetivas existem para votarmos nos partidos desta maioria?

 

Em 2013 a Câmara da capital de distrito sofreu exatamente essa mudança. A forma como tem decorrido o mandato da equipa de Rui Santos (e mesmo o seu enquanto presidente da maior freguesia do concelho, do distrito e mesmo da região) poderá influenciar positivamente o eleitorado?

Claro que sim. Quem desempenha cargos públicos de natureza política é sistemática e quotidianamente avaliado. A avaliação de desempenho, mas também as características pessoais e de personalidade de cada protagonista político contribuem, ou não, para a construção de uma relação de empatia, de credibilidade e de confiança. Geralmente, é pela combinação desses fatores que os eleitores decidem em quem votar. Tenho a certeza absoluta que eu, o Rui Santos e todos os autarcas socialistas do distrito estamos a dar o nosso melhor para que o PS tenha o maior número de votos em todas as eleições a que concorra.

 

Na ‘corrida’ pela liderança do PS apoiou António José Seguro, mas o vencedor foi António Costa. Considera que o atual líder do PS é o melhor candidato a primeiro-ministro?

A peleja pela liderança do PS está completamente encerrada. O líder do meu Partido é António Costa e é com e ao lado de António Costa que estou a lutar pela vitória nas próximas eleições legislativas. Lamento, mas a realidade desiludiu e frustrou aqueles que vaticinaram que após essa luta pela liderança, o PS se desagregaria e se perderia em eternas e sucessivas guerrilhas. O Partido está unido, fortalecido e preparado para mobilizar Portugal para a mudança política que se impõe.


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS