Vila RealMais de cinco mil artigos contrafeitos foram apreendidos na “Feira dos Farrapos”

Mais de cinco mil artigos contrafeitos foram apreendidos na “Feira dos Farrapos”

Só em vestuário e calçado, foram apreendidos, na “Feira dos Farrapos”, mais de cinco mil artigos contrafeitos, foram identificados 30 feirantes e levantados outros tantos processos-crime. Mas, acima de tudo, a acção de combate ao crime de contrafacção causou “reboliço” no Mercado do Levante, chamando a atenção dos vila-realenses que passavam e “estragando o negócio” […]

Só em vestuário e calçado, foram apreendidos, na “Feira dos Farrapos”, mais de cinco mil artigos contrafeitos, foram identificados 30 feirantes e levantados outros tantos processos-crime. Mas, acima de tudo, a acção de combate ao crime de contrafacção causou “reboliço” no Mercado do Levante, chamando a atenção dos vila-realenses que passavam e “estragando o negócio” aos feirantes.

Numa operação conjunta do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizada no dia 29, foram apreendidos, no Mercado do Levante, em Vila Real, 5.147 artigos contrafeitos, no valor total de 68.633 euros.

Em comunicado, a PSP contabilizou que, da grande operação que envolveu 90 agentes, entre polícias, fiscais da ASAE e uma equipa de ordem pública do Corpo de Intervenção, foram apreendidas 4.011 peças de vestuário, 456 peças de marroquinaria (malas, cintos e carteiras), 339 pares de calçado, 311 óculos de sol e 30 relógios.

Em duas horas e meia de operação, foram recolhidos artigos que encheram “duas carrinhas”, tendo sido identificados trinta comerciantes e elaborados 27 processos-crime.

“Esta acção estava a ser planeada há cerca de duas semanas”, explicou o Comissário Manuel Marinheiro, da PSP de Vila Real, relatando, no entanto, que uma fuga de informação acabou por levar a que alguns feirantes tentassem “fugir” à fiscalização, um intento mal sucedido, já que, como explicou o Comissário Marinheiro, “estava montado um esquema para impedir que os comerciantes abandonassem o mercado”.

Duas viaturas cheias de materiais foram também apreendidas. Uma delas foi mesmo bloqueada, porque não foi identificado o seu proprietário.

Apesar de a operação ter corrido “de forma pacífica”, para os feirantes o aparato policial acabou por “estragar” o negócio de mais uma Sexta-feira de mercado.

Amândio Pinto de Carvalho, comerciante de sapatos há 22 anos, viu 10 pares de sapatilhas serem apreendidos pela PSP, numa atitude que garante não compreender, já que, como afiança, tinha “facturas” de toda a mercadoria e estava “tranquilo”.

“Não sei quem vai pagar por isto, mas alguém vai ter que pagar”, frisou o feirante, mostrando-se revoltado com a situação.

Mas o prejuízo do feirante não se limitou aos dez pares de sapatilhas apreendidos. Amândio de Carvalho também lamentou a quebra nas vendas desse dia, já que todo o aparato montado levou muitas pessoas a abandonar o mercado.

Uma queixa deixada também por Maria de Fátima, outra comerciante de calçado que, apesar de não ter visto qualquer mercadoria ser apreendida, lamentou o facto de a operação policial lhe ter “estragado” o dia.

Apesar de garantir que “não está contra a acção de fiscalização”, também José Carlos, comerciante de vestuário, testemunhou, ao Nosso Jornal, a quebra nas vendas, numa altura em que “o negócio já está mau”.

 

Maria Meireles

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