Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2025
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Mais que uma viagem de comboio, um regresso ao início do século XX

Os cheiros emanados da “Maria Fumaça”, os sons da maquinaria e dos apitos que anunciam a passagem do comboio acompanhados por canções tradicionais durienses e, sobretudo, a vista da paisagem património mundial, com uma moldura especial, as janelas das cinco carruagens históricas, são as várias sensações de uma verdadeira viagem ao passado, uma viagem que […]

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Os cheiros emanados da “Maria Fumaça”, os sons da maquinaria e dos apitos que anunciam a passagem do comboio acompanhados por canções tradicionais durienses e, sobretudo, a vista da paisagem património mundial, com uma moldura especial, as janelas das cinco carruagens históricas, são as várias sensações de uma verdadeira viagem ao passado, uma viagem que se repete, todos os Sábados, na Linha do Douro.

A partir do próximo Sábado e até Outubro, a linha do Douro, entre as estações da Régua e a Foz do Tua, voltará a ser percorrida pela “elegante” locomotiva a vapor, da marca alemã Henschel e Sohn, construída no início do século XX, uma iniciativa da CP – Caminhos de Ferro Portugueses – que teve a viagem inaugural da campanha de 2008, no dia 31.

A linha do Douro é a única, em Portugal, que, com regularidade, vê passar as peças de museu, ou seja, a locomotiva a vapor e as cinco carruagens restauradas, com capacidade para 250 pessoas e também datadas do início do século XX. O Comboio Histórico permite não só a divulgação “da oferta global da CP, como também enriquece o turístico do Douro”, constituindo-se um ícone da região, conforme frisou Acúrcio dos Santos, coordenador dos serviços regionais da empresa.

Segundo o mesmo responsável, só no ano passado, nas 22 viagens da campanha Comboios Históricos do Douro, foram cerca de 4.000 os passageiros que percorreram, a 30 quilómetros à hora, os 46 quilómetros que separam o Peso da Régua do Tua, na grande maioria turistas estrangeiros.

“Estamos com boas perspectivas para este ano”, revelou Acúrcio dos Santos, lembrando que, em 2007, houve “alguns problemas” com a locomotiva, devido a utilização “de um tipo de carvão que não era o mais adequado”, um problema que já foi resolvido.

Este ano, as viagens do Comboio Histórico vão contar com outra novidade, a instalação, na estação do Tua, de um espaço destinado a venda de produtos regionais, desde compotas, frutos secos, pão, vinhos e azeite, entre outras iguarias.

“Fizemos parcerias com produtores da região”, explicou o responsável da CP, referindo que os turistas podem provar e adquirir os produtos durienses, enquanto esperam que a locomotiva dê a volta, para o regresso à Régua.

Apesar de alguns poderem considerar que os bilhetes não são acessíveis ao bolso de qualquer família portuguesa (43 euros para adultos e 21,5 para crianças entre os 5 e os 12 anos), Acúrcio dos Santos garante que “este não é um serviço pensado para a CP ganhar dinheiro. Os preços reflectem, de facto, os gastos com o funcionamento e manutenção do comboio histórico”.

Ana Lúcia foi uma das primeiras passageiras de 2008 da locomotiva a vapor, e, como explicou ao Nosso Jornal, a viagem seguiu-se a um cruzeiro pelo Douro.

“Fascinava-me a ideia de poder fazer essa viagem e como sabia que a linha do Tua estava em risco de desaparecer, decidi proporcionar ao meu filho, de seis anos, esta oportunidade”, referiu a jovem, de 33 anos.

“Adorei a viagem de barco e estou a adorar a de comboio”, revelou a jovem lisboeta, garantindo que vai voltar ao Douro.

O serviço “Comboios Históricos do Douro” dispõe de viagens regulares, todos os Sábados, de Maio a Outubro, com partida da Régua às 14.46 horas e chegada ao Tua às 15.55 horas. O regresso fica programado para as 16.59 horas, com chegada à Régua às 18.05 horas. De realçar que, como explicou Acúrcio dos Santos, a viagem não se realizará nos dias assinalados pelos bombeiros como de maior risco de incêndios, já que o seu funcionamento pode libertar faíscas e originar fogos em locais onde as acessibilidades, para os “soldados da paz”, são bastante reduzidas.

“Este ano, contamos com uma cisterna, para poder apagar algum incêndio. No entanto, nos dias de maior calor e menor humidade, não vamos fazer a viagem”, sublinhou o mesmo responsável.

 

 

 

Maria Meireles

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