Vila RealMaronesa quer alargar zona de produção e aumentar consumo

Maronesa quer alargar zona de produção e aumentar consumo

Anualmente são comercializadas cerca de 1200 carcaças de Maronesa, um número que poderá vir a aumentar se forem atingidos os objetivos da Associação de Criadores

A Associação de Criadores de Maronês quer alargar a zona de produção da raça bovina que, atualmente, conta com mais de 4 mil produtores espalhados por 23 concelhos, dos quais se destacam Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Mondim de Basto.

A carne bovina maronesa com Denominação de Origem Protegida (DOP) tem “características sensoriais, nutritivas e hígio-sanitárias de elevada qualidade, resultante da união feliz de três vetores: um genótipo, corporizado na raça bovina maronesa; uma região, delimitada pelas serras do Marão, Alvão e Padrela; e um modo de produção diferenciado e amigo do ambiente”.

À margem do quarto Encontro de Raças Autóctones Bovinas, que decorreu em Vila Real no dia 28, Paula Teixeira, da Associação de Criadores, falou à VTM sobre o Maronês e o seu futuro. “Os nossos objetivos são aumentar a comercialização, para que possamos escoar o produto ao criador, e alargar a sua área de produção”, sublinhou.

Segundo a mesma responsável, a ideia passa por incluir no caderno de especificações algumas freguesias que têm características semelhantes às que se encontram inseridas na região DOP.

Caracterizada por ser uma produção de minifúndio, ou seja, em que a grande maioria dos produtores tem uma média de cinco vacas reprodutoras, a raça pode ser encontrada sobretudo nos concelhos de Vila Real, Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, havendo ainda registo de criadores Alijó, Murça, Boticas, Chaves, Montalegre, Valpaços, Amarante, Cabeceiras e Celorico de Basto.

Heitor Fernandes, que herdou a dedicação pela raça da família, pai e avô, explica que está envolvido na sua produção “praticamente desde que nasceu”. Hoje com 49 anos, o criador de Lamas d’Olo, em Vila Real, refere como principal dificuldade o facto do preço da carne não ter acompanhado o aumento dos custos de produção. “A carne está sempre ao mesmo preço e o resto está sempre a aumentar”, lamentou o produtor que, atualmente conta com mais de 30 animais, tem uma filha interessada em seguir a tradição familiar, já tendo mesmo submetido um projeto para se constituir como jovem agricultora.

Relativamente à comercialização da carne, que é garantida pela Cooperativa Agrícola de Vila Real, Paula Teixeira explicou à VTM que a partir de 2007 “houve um ligeiro decréscimo, talvez devido à crise económica sentida a nível nacional”. “O poder de compra das pessoas reduziu, no entanto existe um nicho de consumidores que continua a comprar, por isso temos assistido a uma estabilização dos números nos últimos quatro ou cinco anos, conseguindo escoar cerca de 1200 carcaças por ano”, contabilizou a técnica.

Joaquim Costa, do Restaurante O Costa, de Vila Real, é o representante oficial da raça, servindo, há 17 anos, exclusivamente aos seus clientes a carne maronesa. “As pessoas gostam. Dizem que tem um sabor diferente em relação as outras carnes, que é especial”, explicou o proprietário do restaurante que, além de servir a carne no seu estabelecimento comercial em Vila Real, ainda a leva além-fronteiras, ao representar a Associação de Criadores em várias feiras que se realizam em todo o país e também no estrangeiro, nomeadamente em Grasse, Badajoz, Madrid, Osnabruck e Paris.

No encontro de Raças, organizado pela Associação de Criadores de Maronês, Cooperativa Agrícola e Restaurante O Costa, com o apoio das Câmaras Municipais de Vila Real e Mondim de Basto e do Parque Natural do Alvão, participaram representantes das raças Mirandesa, Barrosã, Cachena, Minhota, Arouquesa, Marinhoa e Alentejana.

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