Finalmente, os cerca de 60 habitantes da aldeia de Macieira, freguesia de Limões, vão poder concretizar um velho sonho. Até agora, devido à pouca largura das suas ruas, os autocarros e os veículos pesados de maior dimensão não conseguiam passar nas artérias estreitas da localidade. No entanto, graças a um pedido feito pela Câmara Municipal de Ribeira de Pena ao Regimento de Engenharia de Espinho foi elaborado um protocolo para solucionar a situação. Do papel passou-se à acção e desde a semana passada que as máquinas estão a trabalhar na nova variante, que terá uma dimensão aproximada de 2 km.
No mês de Abril, no concelho de Chaves, os militares da Unidade de Engenharia 3 de Espinho também fizeram as terraplanagens para um parque de estacionamento em Couto de Ervededo, enquanto na cidade flaviense procederam ao embelezamento das instalações do jardim-de-infância do Cino-Chaves, ao pintarem a frente do edifício e o muro do jardim.
A intervenção, agora iniciada em Macieira, aldeia do concelho de Ribeira de Pena, que faz fronteira com os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real, em plena serra do Alvão, representa o regresso ao distrito de Vila Real deste Regimento, que há mais de 20 anos tem deixado a sua marca de bem servir e a sua disponibilidade para ajudar a comunidade e colaborar com instituições e autarquias. Uma das suas últimas obras de maior visibilidade foi a construção da pista do aeródromo municipal de Abadim, em Cabeceiras de Basto.
Em Macieira, dada a natureza da área a intervencionar, vão ser removidos milhares de toneladas de granito, estando previsto, em algumas situações, o uso de explosivos. Para o efeito, a unidade militar está a utilizar uma escavadora, um buldozzer, um auto dumper, um cilindro, uma retroescavadora, um camião com báscula e uma outra viatura pesada de apoio. A frente de obra é da responsabilidade do 1º Sargento Ferreira, que conta com quatro militares operadores e dois condutores.
Ao que apuramos, os trabalhos que estão previstos cingem-se à abertura, movimentação de terras, colocação de manilhas, para as linhas de água, e preparação da via para posteriormente receber asfalto ou tapete betuminoso, decisão que competirá à Câmara Municipal de Ribeira de Pena. Os elementos da Unidade de Engenharia falam das dificuldades nos trabalhos devido à natureza geológica do lugar, mas estão confiantes que serão ultrapassadas e a acessibilidade será concretizada.
Esta é a segunda vez que esta força militar está no concelho de Ribeira de Pena, a primeira ocorreu há 20 anos, quando colaborou na construção da estrada EM 312, entre Ribeira de Pena e Boticas.
O protocolo estabelecido com a autarquia prevê o pagamento de combustível, óleos, material de desgaste, eventuais reparações do equipamento, caso se deteriorem com a intervenção, alimentação e alojamento (nas instalações de uma antiga Escola Primária), e outros custos acordados com a edilidade.
O presidente da Câmara Municipal de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, manifestou, ao Nosso Jornal, a importância da obra. “Isto traduz a concretização de um protocolo com a Unidade de Engenharia de Espinho. A empreitada prevê a construção de uma variante à aldeia de Macieira, já que os autocarros não conseguem passar pelo interior da aldeia. Este desvio irá desencravar a aldeia e beneficiar a população. Esta era a aldeia com maior constrangimento nos acessos viários”. O autarca aproveitou para realçar outro aspecto importante. “Representa, também, um bom exemplo de colaboração entre o poder local e o militar na prossecução de acções dirigidas ao benefício da comunidade, que tem reflexo no próprio desenvolvimento e qualidade de vida”.
Agostinho Pinto evidenciou a componente financeira da obra. “O protocolo é vantajoso para o Município. Em tempos de grande contenção financeira, onde cada vez mais temos de ser rigorosos nos investimentos, este tipo de parceria é uma boa aposta”, sublinhou.
Depois da variante concluída, uma outra janela de oportunidade turística se abre no futuro, com a criação da Rota Pedestre do Linho. “Além da vantagem nas acessibilidades, irá abrir-se novas perspectivas no âmbito do turismo natureza, onde pretendemos criar percursos pedestres de elevado potencial panorâmico, dada a altitude desta aldeia. Estamos a falar de um percurso que compreende Ribeira de Pena, Macieira, Limões, Cerva e Agunchos, ou seja, aldeias com fortes tradições ligadas ao linho”. A obra terá uma duração de seis meses.
De sublinhar ainda uma situação curiosa que aconteceu com os militares na zona de Lamas de Olo. Quando a coluna estava a deslocar-se para Macieira, alguns populares interpelaram os militares questionando-os se iam construir a estrada de Barreiro (Mondim de Basto – Lamas de Olo.
Desbravar caminhos e abrir horizontes de progresso
Desde Janeiro, o Regimento de Engenharia Nº3 (RE3) organiza e prepara a Unidade de Engenharia 10 (UnEng10/FND/UNIFIL) para o Teatro de Operações do Líbano. Em Abril, esteve em Chaves, nas instalações do Regimento de Infantaria 19, a preparar-se para a missão no Líbano, que irá decorrer de 10 de Junho a 11 de Novembro, onde participará numa missão nacional com um efectivo de 141 militares (119 homens e 21 mulheres).
A fundação do Regimento de Engenharia remonta a 1 de Setembro de 1976, em resultado da transferência e mudança de designação do Batalhão de Engenharia N.º 3, criado em 1955, no Campo Militar de Santa Margarida, agora aquartelado no Quartel de Paramos, ao Sul de Espinho. Tem como missão aprontar duas Companhias de Engenharia, uma orgânica da Brigada de Intervenção (CEng/Brig Int) e outra de Apoio Geral (2 CEng (AG)). Em tempos de paz, esta Unidade tem meios que lhe permitem executar trabalhos de construções horizontais em proveito de outras unidades militares, bem como no apoio ao desenvolvimento nacional ou a populações em risco. Desde a sua criação, as suas máquinas já percorreram cerca de 5 milhões de quilómetros, com o transporte de terras ou de sustentação logística das equipas formadas, colaborando com 110 autarquias e com 280 organizações públicas ou de interesse público.




