A Rio Tinto é uma das empresas líder a nível mundial do sector mineiro que está interessada em investir mil milhões de euros em Portugal, mais exactamente na exploração das minas de Moncorvo, reconhecidas como “um dos principais depósitos de ferro da Europa”.
Segundo fonte da “MTI – Ferro de Moncorvo”, empresa constituída por capitais nacionais e estrangeiros que detém a concessão da mina e parceira do grupo anglo-australiano Rio Tinto no investimento, trata-se de um projecto que, “em toda a sua extensão, trará elevados benefícios ao nível sectorial, regional e nacional, resultando em melhorias das infra-estruturas e qualidade de vida da população, gerando um cenário favorável a novos negócios e ampliando a participação de Portugal no contexto da mineração europeia de ferro”.
A concretizar-se o negócio, que o Governo já classificou publicamente como parte de uma estratégia de reestruturação do sector mineiro em Portugal, o investimento vai permitir, numa fase inicial, a criação de cerca de 420 novos postos de trabalho directos e 800 indirectos, a fundação de “um pólo de investigação e desenvolvimento no Nordeste Transmontano, com parcerias com instituições universitárias locais e internacionais”, bem como “a melhoria das ferrovias e vias fluviais, e o aumento da actividade nos portos atlânticos e em muitos outros sectores da economia”.
Sublinhando que se trata de uma “actividade económica que não se esgota a curto prazo, nem pode ser deslocalizada”, a MTI defende que se trata de “uma excelente oportunidade, uma actividade tradicional, uma fonte de recursos importante para Portugal e um empreendimento com imensas possibilidades de crescimento”.
Depois de confirmar o interesse da empresa australiana, o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, afirmou que o investimento previsto para Moncorvo é apenas um dos projectos que está a ser estudado e que se insere “numa estratégia do Governo de potenciar os recursos de Portugal”. “Temos vindo a apostar as nossas estruturas, nomeadamente a direcção-geral de Energia e Geologia e a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), para potenciar os nossos recursos”, disse aos jornalistas o mesmo responsável político, deixando no ar a ideia de que “há outros interessados” em investir em Trás-os-Montes mas também em outras zonas do país.
Calcula-se que as minas de Moncorvo, classificadas como “um dos maiores depósitos de minério de ferro da Europa”, tenham para ‘oferecer’ um património de mais de “552 milhões de toneladas de minério e recursos inferidos de mil milhões de toneladas”.
Segundo a MTI, “o arranque da exploração mineira será feito através de lavra a céu aberto e posterior beneficiação para produção de concentrados de ferro a partir do minério da jazida da Mua, com reservas medidas e indicadas de 120 milhões de toneladas”.
“A MTI pretende instalar em Moncorvo um sector de desenvolvimento e inovação, com o objectivo de optimizar a produção, aprofundar os conhecimentos sobre as jazidas de minério de ferro de Moncorvo e manter o projecto sempre balizado com as mais avançadas tecnologias utilizadas na indústria internacional”, garante a empresa que no início deste ano viu ser confirmada, através da publicação em Diário da República, a atribuição dos direitos de exploração das Minas de Ferro de Moncorvo até 2070.



