Chegaram ao fim “11 longos anos”, como admitiu o Primeiro-ministro, necessários para chegar à inauguração da sede do MD, que representou um investimento total de 5,2 milhões de euros, co-financiados pelo Programa Operacional da Cultura.
Nas intervenções do Primeiro-ministro e do Ministro da Cultura, sobressaiu a exigência de que o equipamento tenha uma dimensão nacional e não se confine só à região onde está inserido. Este argumento foi reforçado pelo responsável do Governo quando afirmou que o Museu do Douro (MD), se deve tornar “num equipamento com uma oferta cultural de ‘primeiríssimo’ plano em Portugal”.
O Presidente da Câmara Municipal de Peso da Régua, Nuno Gonçalves, foi o primeiro a discursar e as suas palavras vincaram bem a importância da obra agora concluída, que teve a colaboração da respectiva Fundação do Museu. O edil considerou a inauguração da Sede para a Fundação e para o Museu do Douro “um momento único”. “Atrevo-me mesmo a dizer, que será o único equipamento de onde vai irradiar uma acção que interage com toda esta Região, ou seja um verdadeiro Museu do Território”.
Nuno Gonçalves deixou transparecer que nem tudo foram rosas na construção do Museu e deixou um “recado”. “Foi um processo difícil e complexo, onde cumprimos integralmente o que nos foi superiormente determinado. É uma pena que, ainda hoje, haja quem se comporte como se esta obra não existisse ou não possua a dimensão e a valia que realmente lhe devemos dar. O Museu do Douro e a sua Fundação devem ser para a Região um factor de união e nunca um pretexto para a dividir. Temos que unir esforços em torno de um projecto que se revela como uma oportunidade única para todos nós. Saibamos dar uma resposta de maturidade e competência que naturalmente a todos irá beneficiar”, sublinhou o autarca.
O edil duriense pediu ainda aos Municípios para assumirem este projecto como um objectivo central para o desenvolvimento e afirmação de cada um dos Concelhos da região duriense. “Será necessário que os Municípios participem assumindo os seus direitos, mas também os seus deveres, e o peso que têm nesta Fundação, não se compadece com uma atitude titubeante”, disse.
O Presidente da Fundação do Museu do Douro, José Sarsfield Cabral, depois dos agradecimentos e de historiar o processo da criação do Museu deixou um aviso. “Os objectivos fundamentais deste projecto cultural podem não ser atingidos se o Museu não for acarinhado e sustentado pelas instituições da região. As autarquias fundadoras têm de cumprir e unir-se em volta deste projecto. Sem a vossa contribuição e apoio, o MD nunca poderá ser aquilo com que sonhamos”.
O Ministro da Cultura, José Pinto Ribeiro, considerou que em torno do Museu do Douro deverá ser desenvolvida uma actividade que permita “a criação de uma rede patrimonial e cultural”. “Deve ser desenvolvido um trabalho com rigor e determinação. Este Museu é de central importância para a cultura duriense e portuguesa e deve fazer mobilizar as pessoas”. No encerramento dos discursos, o Primeiro-ministro reconheceu que o MD “é um dos maiores e mais importantes investimentos feitos nos últimos anos na Região”. “É do Douro sim, mas também é nacional”.
José Sócrates lembrou o papel de alguns Ministros e deputados. “Foi ela, Isabel Pires de Lima, que deu o pontapé de arranque na construção daquilo que já ameaçava tornar-se num projecto completamente inacabado. Lembro-me também do António Martinho (actual Governador Civil do Distrito de Vila Real), do grande amigo Pedro Roseta que permitiu a compra da Casa da Companhia, Augusto Santos Silva e outros deputados que convenceram o Governo para concretizar esta grandiosa obra”. O chefe do Governo salientou que “o Museu está ao serviço da Cultura desta região, mas não só, uma vez que o Douro sempre teve uma vocação universal e um espírito cosmopolita, nunca se virou para si próprio, esteve e está aberto a novas ideias, e assim vem adquirindo uma presença de excelência no Mundo”.
José Sócrates elogiou a escolha da exposição sobre o Barão James Forrester para a inauguração do Museu. “Foi uma excelente escolha esta exposição de uma das figuras mais emblemáticas do Douro, que sempre esteve ligado à Região por uma história de amor”.
“No futuro, o Museu deve integrar uma rede mundial de oferta cultural funcionando em rede, estando sempre presente também as sinergias com outras instituições da região e fora dela, para que o MD seja realmente um pólo essencial e uma infra-estrutura para servir o Douro e o País. Aquilo que era um sonho para muita gente é hoje uma realidade, mas ao mesmo tempo uma oportunidade e uma responsabilidade”, sublinhou o responsável máximo pelo governo.
Atento aos discursos de Nuno Gonçalves e de José Sarsfield Cabral quanto à necessidade de apoios à Fundação do Museu, José Sócrates foi objectivo. “O Governo vai apoiar a Fundação. Queremos qualificar a oferta cultural do Douro”.
O MD foi criado em 1997 na sequência de uma lei aprovada por unanimidade na Assembleia da República, proposta pelo agora Governador Civil de Vila Real, António Martinho. Este é o primeiro museu de território construído em Portugal. A sede do MD foi instalada no antigo edifício da Real Companhia Velha, adquirido pelo Ministério da Cultura em Junho de 2004, através da Direcção Geral do Património, por 1,7 milhões de euros. O Museu do Douro terá uma rede museológica distribuída por onze concelhos.




