Terça-feira, 21 de Abril de 2026
Podcast "A falar é que a gente se entende"“Não há democracia sem um jornalismo isento”

“Não há democracia sem um jornalismo isento”

João Luís Sequeira é diretor do Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa. Professor de filosofia, e com passagem pelo mundo do jornalismo, admitiu, no podcast “A falar é que a gente se entende”, que a comunicação social atravessa “um momento crítico”.

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O responsável mostra-se preocupado com o facto de existirem cada vez menos órgãos de comunicação social no interior do país, lembrando que “não há democracia sem um jornalismo livre e isento”. Mas vai mais longe, frisando que “não há democracia nem uma sociedade saudável”.

Ainda sobre a escassez de meios de comunicação social, João Luís Sequeira não esconde que “isso faz com que as entidades deixem de ser escrutinadas, assim como o que se passa nos territórios”.

No seu entender, a comunicação social “deve ser incómoda”, ainda que, “atualmente, esteja algo condicionada, porque vive-se muito da ditadura dos números, de saber quantas pessoas leem uma notícia ou se é muito ou pouco vista (no caso das televisões)”.

E aproveita para comparar o jornalismo à cultura, que também tem “de ser incómoda”. “A cultura não pode ser um elemento decorativo da vida social. A cultura é e tem que ser um direito fundamental dos cidadãos, como são a educação e a saúde”, frisa, acrescentando que “a cultura é incómoda, o conhecimento é incómodo, mas é essa incomodidade que faz com que possamos evoluir”.

“A comunicação social deve ser incómoda. Infelizmente, atravessa um momento crítico”

No seu entender, a cultura “tem de ser encarada como um elemento essencial da vida social e, nesse sentido, não é apenas entretenimento”, confessando que “ter menos público não quer dizer que o evento foi um fracasso”. E exemplifica com os espetáculos que o Espaço Miguel Torga leva às aldeias, em parceria com o grupo de teatro Peripécia.

“Temos percorrido as aldeias do concelho de Sabrosa, levamos cultura às pessoas que, por algum motivo, não têm oportunidade de a consumir tanto quanto gostavam. Nesses casos, um espetáculo que, numa aldeia com 50 habitantes, mobilize 10 ou 20 pessoas pode ser considerado um sucesso”, indica.

ESPAÇO MIGUEL TORGA

O Espaço Miguel Torga é um local cultural que tem como desígnio fundamental a divulgação da obra do escritor transmontano que lhe dá nome.

Aberto ao público desde 2015, já acolheu milhares de visitantes, provenientes de todas as regiões do território nacional e do estrangeiro, que procuram aprofundar o seu conhecimento sobre a vida e obra de Miguel Torga, sendo agora possível visitar, igualmente, a casa onde o escritor viveu.

Este edifício, cujo projeto arquitetónico é da autoria de Eduardo Souto Moura, tem também vindo a ser palco de uma atividade cultural diversificada que inclui concertos musicais, representações teatrais, exposições de artes plásticas e visuais, apresentações de livros, festivais literários, recitais de poesia, entre outras.

No Espaço Miguel Torga, os visitantes poderão percorrer a sala de exposição permanente, dedicada à vida e obra do escritor, a sala de exposições temporárias, o auditório, a biblioteca, a loja e a cafetaria.

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