IgrejaNo 88º Aniversário da Diocese

No 88º Aniversário da Diocese

1 – Celebrou-se no passado dia 20 deste mês o 88º aniversário da criação da nossa Diocese de Vila Real pelo Papa Pio XI, tomando essa data da bula «Apostolicae Praedecessorum Nostrorum» como referência

Os limites geográficos são os mesmos do distrito já existente na altura da criação da diocese, e as paróquias foram retiradas da Arquidiocese de Braga (166), de Lamego (71) e de Bragança (19), num total de 256. Actualmente são 264 paróquias pela criação de novas paróquias, nem sempre coincidentes com as freguesias civis, entre elas a de Santo António (Vila Real) e a da Sagrada Família (Chaves).

Tem de superfície 4.730,20 Km2, a sétima das dioceses portuguesas mais extensas. A população atingiu o ponto mais alto em 1960, vindo desde então em descida contínua, encontrando-se hoje abaixo da que tinha na altura da sua criação. Verifica-se ainda aqui outro fenómeno típico dos nossos dias: a gradual concentração da população nas vilas e cidades e o despovoamento das aldeias. Deve-se isso à desvalorização da agricultura, à subida do custo de vida, à necessidade de mais estudos para os filhos e à busca de melhores condições de saúde e de conforto. As cidades são quatro: Vila Real, Chaves, Régua e Valpaços. É muito grande o número de emigrantes para outras regiões do país e do estrangeiro, facto que sempre existiu em Trás-os-Montes. Os destinos preferidos para a emigração, que foram outrora o Brasil, África e Estados Unidos da América, são hoje os países europeus.

2 – Vila Real teve até hoje quatro Bispos diocesanos, sendo o primeiro D. João Evangelista de Lima Vidal que, nomeado em 1922, só entrou na diocese no ano seguinte e se manteve à sua frente até 1933. Seguiu-se D. António Valente da Fonseca de 1933 a 1967 (que teve como Auxiliar durante algum tempo D. António de Castro Xavier Monteiro), D. António Cardoso Cunha desde 1967 a Janeiro de 1991, e eu próprio desde 19 desse mês. Vem sendo hábito os bispos de Vila Real serem Coadjutores alguns anos. A partir de Fevereiro de 2008, trabalha na diocese como Bispo Coadjutor D. Amândio José Tomás, o primeiro dela natural.

3 – O embrião das dioceses pode encontrar-se nas primeiras comunidades cristãs que se foram constituindo à volta de cada um dos Apóstolos. O próprio Papa é prioritariamente o bispo diocesano de Roma que, desde o início, acumula com o governo da Igreja universal. Hoje as dioceses são um elemento estruturante da Igreja e só o Papa as pode criar.

Uma diocese tem uma base territorial e forma uma comunidade governada pelo seu bispo com determinada autonomia. O bispo local tem poder próprio (por isso a citação do seu nome é obrigatório na anáfora da Missa), não é um delegado do Papa como acontece com os Núncios Apostólicos, mas só pode exercer o governo diocesano em comunhão com os outros bispos e com o Papa (cujo nome é sempre citado na anáfora eucarística), com os quais forma um «colégio».

Cada diocese vive o mistério comum da fé da Igreja e tem uma marca específica que lhe vem do tipo de piedade do seu povo e do trabalho e cultura locais. Há dioceses mais devotas de NªSª que outras, mais afeiçoadas ao SS.mo Sacramento ou às Almas do Purgatório ou a determinado Santo, mais abertas ao mundo missionário e mais empenhadas no mundo; e há dioceses predominantemente rurais, urbanas, operárias, industriais, de população fixa ou emigrante. O trabalho pastoral em cada uma delas tem de ter isso em conta, mantendo o tronco comum da fé, dos mandamentos e da disciplina geral da Igreja.

4 – Depois do Concílio, colocam- -se grandes desafios pastorais que podem agrupar-se em dois grupos: a vida no interior da diocese e a relação com o mundo. No primeiro aspecto, ocupa um lugar de relevo o equilíbrio dos ministérios da hierarquia e dos leigos na prática do culto e no governo da Igreja, e o recrutamento das vocações consagradas e missionárias (sacerdócio e vida religiosa); no segundo grupo, a relação da Igreja com a sociedade civil e os Estados, o desafio é ainda mais delicado, tanto a nível oficial como no plano individual dos fiéis.

No interior da Igreja, a relação hierarquia e leigos, pendia, até ao Concílio, para a hierarquia, de modo que Igreja era sinónimo de «padres e bispos» (Curiosamente tal mentalidade veio ao de cima na linguagem utilizada para falar da recente praga da desordem sexual de alguns padres, classificando o vício como «pecados da igreja»)); logo depois do Concílio, acentuou-se a tónica dos leigos a ponto de, aqui ou ali, haver quem exagerasse a «hora dos leigos» desorientando inclusive alguns padres que chegaram a alterar a linguagem litúrgica e teológica para esbater as diferenças, somando tudo num «nós» colectivo em vez do «eu» e «vós», «meu e vosso sacrifício», etc. Hoje tende-se para um reequilíbrio, reconhecendo a especificidade do padre na Igreja

Na relação com o mundo, a tarefa é muito mais difícil. Por um lado, a nova e legítima laicidade dos Estados é confundida pelos políticos com militância laicista ou laicismo, onde nem leigos nem hierarquia teriam nada a dizer; por outro lado, os leigos não sabem situar-se nesse mundo conjugando a liberdade de consciência e a fidelidade à fé, acabando por fugir ao real compromisso no mundo e refugiarem-se nas tarefas internas da Igreja, ou, invertendo a sua vocação de leigos cristãos, abraçam os critérios do mundo e pressionam a Igreja para que ela se adapte ao mundo e altere a doutrina moral, a disciplina da Igreja e até as verdades da fé. Tornam-se cristãos às avessas: em vez de serem fermento cristão no mundo, passam a ser joio do mundo na seara da Igreja.

Só uma grande formação teológica e sólida vida de piedade podem responder a tais desafios. Como conseguir as duas coisas? Esse é o drama, sobretudo porque estão convencidos de que a liberdade os torna verdadeiros.

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