Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Novecentos viticultores terão o “Bilhete de Identidade” das suas vinhas

Os viticultores desta Cooperativa irão ter um documento que identifica todas as características das suas vinhas. Ou seja, serão vertidos, numa base de dados, a área, a inclinação, a produção, as castas, a composição do solo, a exposição e outros elementos, conjuntamente com um acompanhamento personalizado, de carácter técnico. Um autêntico “Bilhete de Identidade” das […]

Os viticultores desta Cooperativa irão ter um documento que identifica todas as características das suas vinhas. Ou seja, serão vertidos, numa base de dados, a área, a inclinação, a produção, as castas, a composição do solo, a exposição e outros elementos, conjuntamente com um acompanhamento personalizado, de carácter técnico.

Um autêntico “Bilhete de Identidade” das vinhas é uma iniciativa que partiu da Adega Cooperativa de Murça e que vem na sequência de uma política de maior proximidade, junto dos seus associados, iniciativa que tem o apoio de especialistas, dentro do sector, como o reconhecidíssimo enólogo Eduardo Natividade Jesus e Adriano Aires, especialista em viticultura.

 

Um documento evolutivo

e permanentemente

actualizado

 

O documento que acaba por ser um “cadastro” vai ser trabalhado e elaborado com muito rigor e vai abranger cerca de novecentos viticultores, inseridos nas freguesias do concelho: Noura, Murça e Candedo. A Adega Cooperativa de Murça pretende começar já a iniciar o respectivo processo, após o término da vindima deste ano e encetar, de forma faseada, a elaboração deste trabalho. Tudo em nome da qualidade do produto final.

Segundo António Ribeiro, Presidente da Cooperativa, “a elaboração de um cadastro completo referente aos associados, terá como ponto de partida os dados cadastrais que os organismos do sector já possuem, relativamente à Região Demarcada do Douro e dos elementos que a própria Adega já detém. Será criado um cadastro completo de cada viticultor. E estamos a falar na caracterização das suas vinhas, bem como, nomeadamente, o aconselhamento sobre o tipo de castas, na renovação das suas áreas vitícolas. O cadastro da Adega será um documento evolutivo e permanentemente actualizado”.

 

Estímulo e aconselhamento das boas práticas vitícolas

 

Todo o processo apontará para o estímulo e aconselhamento das boas práticas vitícolas, junto dos associados.

“Durante o ano, estaremos no terreno, dando, continuamente, apoio técnico que pode ir desde uma informação sobre qualquer trabalho, no âmbito da reconversão, até aos tratamentos mais adequados a desenvolver, castas mais convenientes, etc. Tentaremos, sempre, dar a informação correcta daquilo que, efectivamente, será melhor, para o viticultor”.

A Adega Cooperativa, com esta iniciativa, identificará, ao mínimo pormenor, a parcela de cada viticultor. “Pensamos que, com a elaboração do cadastro e o apoio disponibilizado por nós, os nossos associados estarão mais bem acompanhados e serão mais justamente valorizados” – sublinhou António RIbeiro. Também concorrerá esta acção para uma melhoria qualitativa dos vinhos da Adega. Esta, com este processo, conhecerá, com maior rigor e individualidade, a vinha de cada sócio, onde estão as melhores uvas, a produção do terreno, a altura ideal para a colheita das mesmas. Esta atitude de proximidade junto do viticultor, onde se insere a elaboração do cadastro da adega, projecta, para o futuro, novas iniciativas. Assim, a Adega Cooperativa de Murça vai conceber, no Douro, uma outra iniciativa. Será promovido um reconhecimento ao agricultor com o “Prémio para a melhor Vinha”, por exemplo. Esta distinção será destinada aos seus sócios e terá como objectivo a melhoria das práticas culturais conducentes ao aumento da qualidade das uvas produzidas na área das freguesias de Noura, Murça e Candedo. Ao mesmo tempo, pretende premiar as explorações vitícolas que, pela sua apresentação e gestão técnica, ao longo do ciclo vegetativo da videira, sejam uma referência, na região. Poderá também promover, no aspecto pedagógico, o intercâmbio de conhecimentos entre técnicos e associados da Adega, uma iniciativa que poderá ser seguida por outras Cooperativas da região e que se pode tornar, ao mesmo tempo, mais uma atracção turística, no Douro.

 

Incentivar a “proximidade”

 

A organização de convívios entre a Adega e os associados também faz parte da política de “proximidade”. Segundo a Direcção e o Corpo Técnico desta Cooperativa, é importante, com todas estas acções, criar responsabilidades partilhadas.

“Devemos qualificar e valorizar os nossos produtos e julgo que estamos no caminho mais acertado. Neste processo, teremos sempre em conta o grande esforço dos nossos lavradores que, durante o ano, gastam tanto dinheiro e, por vezes, não têm a devida compensação do seu trabalho. Este ano, fizemos, graças ao trabalho e da determinação do nosso enólogo António Bessa, uma selecção de uvas, para a produção de Vinhos de Denominação de Origem Protegida, DOC. Uma aposta nítida na qualidade que, como recentemente se viu, no concurso de vinhos da Confraria dos Enófilos da Região Demarcada do Douro, onde ganhámos a Medalha de Ouro com o Regional Branco de 2006, feito à base de Códega de Larinho”. A Adega Cooperativa de Murça, a exemplo do que aconteceu na Região Demarcada do Douro, terá uma quebra significativa, na colheita deste ano, a ultrapassar os 20%.

Esta agremiação foi fundada, em 1965, começando com, apenas, 193 associados. Detém cerca de setenta por cento da produção vitícola do concelho. Tem uma capacidade de armazenamento de seis milhões e meio de litros e uma área coberta de dois mil e duzentos e sessenta metros quadrados. Refira-se que o investimento total foi, nos últimos quatro anos, de mais de 8 milhões de euros (construção e equipamento), sendo que a Cooperativa teve que arcar com mais de 80% do custo total. Um valor elevado e que complicou, financeiramente, a instituição, pois os apoios dos fundos comunitários apontavam para uma percentagem de 60%, o que acabou por não se verificar, com a passagem para o III QCA. Porém, ao que soubemos junto dos gestores desta instituição, neste momento há sinais positivos de recuperação financeira da Cooperativa, a que não é alheia a melhoria qualitativa dos seus vinhos e uma gestão de “rigor, ao cêntimo” que a actual Direcção assume implementar.

 

José Manuel Cardoso

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