Em contagem regressiva para o início de mais um ano lectivo, a Câmara Municipal de Vila Real desvendou ao Nosso Jornal um conjunto de projectos que promete uma verdadeira revolução, ao nível do Ensino Básico, na capital de distrito. A requalificação e ampliação de várias escolas, o arranque da construção de raiz de um novo centro escolar e o reforço ao nível da Acção Social fazem parte das “contas de somar” da rede escolar vila-realense.
As escolas do Ensino Básico do Primeiro Ciclo (EB1) e os Jardins de Infância (JI) do Bairro São Vicente de Paulo, da Timpeira e da Araucária serão as primeiras a ver no terreno um conjunto de obras de ampliação e requalificação que promete não só o aumento da capacidade desses estabelecimentos de ensino mas também melhores condições para os alunos, num investimento total que deverá rondar os três milhões de euros.
Com os concursos públicos para adjudicação das obras a decorrer (sendo que as propostas serão todas abertas até ao próximo dia 22), está previsto que as empreitadas tenham início durante as férias do Natal, sendo de realçar que a maior intervenção vai para a Escola da Araucária que, considerada como um dos quatro centros escolares de Vila Real, vai ver a sua capacidade praticamente duplicada e construídos espaços como um biblioteca, refeitório, ginásio e salas de actividades, entre outros.
Nesta obra, a autarquia estima um custo de mais de um milhão e 680 mil euros, comparticipado, em cerca de 40 por cento (634 mil euros), pelo ON.2 – O Novo Norte (Programa Operacional Regional do Norte 2007/2013), programa financiado exclusivamente pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder).
À semelhança da escola da Araucária, a intervenção da EB1/JI do Bairro São Vicente de Paulo vai resultar num aumento da capacidade daquele estabelecimento de ensino, sendo que só na valência do Jardim de Infância se irão juntar mais 25 vagas às actuais 75. Uma ampliação que vai abarcar novas casas de banho, refeitório e sala de actividades, tudo isso graças a um esforço financeiro de mais de 1,1 milhões de euros, também apoiado, em quase 40 por cento, pelos fundos comunitários.
Finalmente, no caso da Escola da Timpeira, a autarquia irá gastar cerca de 260 mil euros para a sua ampliação, construindo mais duas salas de aula e um refeitório e dando assim resposta à grande procura educativa existente.
“Vamos precisar da compreensão e do apoio dos Agrupamentos, dos professores, dos funcionários e dos pais”, explicou-nos Dolores Monteiro, Vereadora da Câmara Municipal de Vila Real, responsável pelo pelouro da Educação, lembrando que as intervenções vão exigir a transferência temporária das crianças para espaços pré-construídos, os chamados monoblocos que serão montados o mais próximo possível daqueles edifícios escolares.
Apesar de frisar que a grande preocupação da autarquia, em todo este processo, foi a de garantir a segurança das crianças, a Vereadora sublinhou que “tudo foi pensado de forma a causar o menor incómodo possível às famílias”, sendo de realçar que a mesma responsável irá reunir com os pais, escola a escola, para explicar exactamente as intervenções que serão feitas e quais as implicações previstas.
Ao contrário dos outros projectos que já receberam a “luz verde” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, através da atribuição de verbas do FEDER, o Centro Escolar que será construído de raiz na zona de Folhadela ainda não conta com o apoio comunitário. No entanto, segundo Dolores Monteiro, as obras são para começar já em Janeiro. Este novo centro, cuja conclusão está prevista já para o próximo ano lectivo, irá receber as crianças do Ensino Básico de várias localidades, como, por exemplo, Andrães, Folhadela, Ermida, Nogueira, Abaças, Guiães e Constantim, com uma capacidade para receber 375 alunos.
Depois de construída a nova infra-estrutura, a maior parte das escolas daquelas freguesias será desactivada. Em alternativa, passarão a ter apenas a valência de Jardim de Infância, segundo referiu a Vereadora.
Dolores Monteiro explicou ainda que estão na calha as obras de requalificação, manutenção ou mesmo ampliação das escolas de Vendas e Pousada, na Campeã, de Mondrões, Arrabães, Constantim e Vila Nova e pequenos arranjos para as escolas de Sanguinhedo e Ponte.
“Houve um aumento muito significativo no número de pais que aderiram ao serviço de refeições”, explicou a Vereadora, contabilizando que, se no ano passado a autarquia, através da contratação de uma empresa de “catering”, financiou as refeições de cerca de 1.500 crianças, para o próximo ano lectivo serão mais cerca de 500 as crianças que beneficiarão deste serviço.
Mais, Dolores Monteiro explicou que, a partir deste ano lectivo, será a autarquia a responsável pela atribuição dos escalões referentes aos subsídios aos alunos provenientes de famílias carenciadas, sendo que, em vez de atribuir o apoio em dinheiro, a Câmara Municipal decidiu adquirir ela própria os manuais, para os entregar aos cerca de 760 alunos contemplados (de um total de 905 pedidos efectuados), isso para além de um “kit” básico escolar, composto, entre outros materiais, por uma mochila, estojo, cadernos e lápis.
Relativamente às actividades de enriquecimento curricular que já no ano passado eram garantidas, pela autarquia, a todos os alunos do Ensino Básico do concelho, a Vereadora explicou que, no próximo ano, para além da Música, do Inglês, da Actividade Física e Desportiva e da Expressão Dramática e Plástica, as crianças vão participar num projecto-piloto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, na área da Matemática e da Informática.
Quanto ao projecto do passe escolar, denominado 4_18@escola.tp, o qual prevê uma redução de 50 por cento do preço do título de transporte, para estudantes entre os 4 e os 18 anos, Dolores Monteiro explicou que a autarquia já pediu mais informações, junto do Governo, para saber se a nova lei também se aplica a Vila Real.
Maria Meireles


