Vila RealNovo rosto da olaria negra apresentou, pela primeira vez, o seu trabalho

Novo rosto da olaria negra apresentou, pela primeira vez, o seu trabalho

Apesar de a maior parte dos oleiros de barro negro ter estampadas no rosto as décadas de dedicação junto à roda onde nasce a arte, desde Janeiro que um jovem vila-realense decidiu resgatar a herança dos seus antepassados e começar a moldar o barro. A autarquia continua a trabalhar para manter viva a arte e […]

Apesar de a maior parte dos oleiros de barro negro ter estampadas no rosto as décadas de dedicação junto à roda onde nasce a arte, desde Janeiro que um jovem vila-realense decidiu resgatar a herança dos seus antepassados e começar a moldar o barro. A autarquia continua a trabalhar para manter viva a arte e projectos como o desenvolvimento de cursos de formação profissional e a criação de um núcleo museológico podem ganhar agora um novo fôlego.

Numa altura em que já se temia pela continuidade do barro negro de Bisalhães, surge um novo oleiro, um jovem artesão que mostrou, pela primeira vez, o seu trabalho, na Feira de Artesanato, realizada entre os dias 5 e 7 e que contou com “cerca de 15 mil visitantes”.

“Os meus avós sempre viveram da olaria”, recorda Miguel Fontes, um jovem de 29 anos, técnico de informática de profissão, que desde o início do ano decidiu dedicar-se à produção do barro negro como uma segunda fonte de rendimento, mas, sobretudo, com o objectivo de “não deixar morrer esta arte”.

O mais novo oleiro de Bisalhães, localidade que representa o centro da produção do barro negro, onde sempre viveu e onde ainda mantém residência, explicou, ao Nosso Jornal, que, um dia resolveu montar a roda, onde, desde de muito jovem, viu o seu avô paterno trabalhar e, apesar de nunca se ter dedicado especificamente à aprendizagem da olaria, “de tanto observar os avós a trabalhar”, acabou por aprender.

Miguel Fontes referiu que também a família da sua esposa conta com um historial na arte do barro de Bisalhães e afiança que o seu filho, André Fontes, que no próximo mês de Outubro vai fazer dois anos, gosta de “ver a roda a andar”. “Eu gostava que ele aprendesse, mas é preciso que ele goste”, referiu o jovem oleiro.

Para além de Miguel Fontes que já garantiu ir continuar a produzir peças para apresentar durante a Feira de São Pedro, em Junho, no certame dedicado ao barro negro, voltaram a encontrar-se os rostos que, há décadas, mantêm a arte viva, como, por exemplo, os de Ermelinda Monteiro e do marido Manuel Martins que, com 75 anos de idade, continua a produzir as suas peças de barro negro.

“O meu marido não tem feito muitas peças, não tem tido muito vagar, mas a feira até correu muito bem para os outros oleiros, muito melhor que nos outros anos”, garantiu Ermelinda Monteiro.

Positivo é também o balanço feito pela autarquia, com Domingos Madeira Pinto, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Real a contabilizar que entre 12 e 15 mil pessoas terão passado pelo certame.

“Este ano, apostámos na divulgação e sentiu-se um forte incremento no nível de negócios”, explicou o edil, realçando ainda o crescimento da participação dos artesãos do linho.

Madeira Pinto voltou a frisar os planos da autarquia no desenvolvimento de esforços para manter estes dois tipos de artesanato tradicional vivos, através, por exemplo, da aposta na formação profissional.

“Estamos a encetar esforços, junto de várias entidades, como o NERVIR, a Associação Comercial e Industrial de Vila Real e a Região de Turismo, entre outras, para criar cursos de formação, ao nível do artesanato, com o objectivo de incentivar o aparecimento de mais artesãos e que esses possam ver, por exemplo, a olaria com uma profissão viável, um meio de subsistência”.

Outro dos projectos que, já há vários anos, está a ser pensado e que poderá estar mais próximo da concretização é a criação de um núcleo museológico de Bisalhães, um espaço que “conte a história” do barro negro e, ao mesmo tempo, sirva de atracção turística.

Até lá, no coração da olaria negra de Bisalhães, vai resistindo uma mão cheia de artesãos, a maior parte deles sem descendentes interessados na arte.

 

 

Maria Meireles

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