Dentro de uma semana e meia, deverá entrar em funcionamento um novo serviço que promete fazer a diferença entre a vida e a morte de muitos transmontanos: a “Via Verde” do Enfarte Agudo do Miocárdio. Também, muito em breve, entrará em funcionamento o tão ambicionado Centro Oncológico de Trás-os-Montes. Mas as boas novas não ficam por aqui. O Conselho de Administração do Centro Hospitalar fala num investimento, em infra- -estruturas, equipamentos e recursos humanos, na ordem dos 100 milhões de euros, para os próximos três anos.
Graças à criação de um Serviço de Hemodinâmica, será possível, ao Centro Hospitalar de Trás-os- -Montes e Alto Douro (CHTMAD), colocar em acção a “Via Verde” do Enfarte Agudo do Miocárdio, uma valência que deverá estar em funcionamento até ao próximo dia 15 e que poderá salvar muitas vidas.
“Este é um serviço com grandes vantagens, para toda a região”, sublinhou Carlos Vaz, Presidente do Conselho de Administração do CHTMAD, recordando que o enfarte agudo do miocárdio é, “infelizmente”, mais usual entre a população mais envelhecida, em Trás-os-Montes e Alto Douro.
O mesmo responsável explicou que a dinamização dessa nossa valência vai permitir que “largas centenas” de doentes não necessitem de ser transferidos, para o Porto, para receber o tratamento e, mais importante, é que, quando se fala do enfarte agudo do miocárdio, o tempo do socorro médico “faz a diferença entre a vida e a morte”.
De recordar que, no ano passado, o Centro Hospitalar instalou, também, a “Via Verde AVC”, uma valência que, em 2007, fez “350 atendimentos”.
“Estamos na fase final de testes dos equipamentos médicos e de formação das equipas”, explicou Carlos Vaz.
O Centro Oncológico vai servir meio milhão de habitantes, garantindo os tratamentos de cerca de 80 por cento dos casos de cancro registados na região.
“Uma das grandes mais valias deste Centro é o desenvolvimento dos tratamentos de radioterapia”, sublinhou o Presidente do Conselho de Administração, lembrando que, até agora, os doentes oncológicos, para receber este tipo de tratamento, deslocavam-se ao Porto, “o que era muito penoso, para o utente”.
Mas as boas novas, em relação à Saúde da região, não ficam por aqui. Carlos Vaz lembrou que, com o estatuto de Hospital Central, em vigor desde o início deste mês, o CHTMAD vai poder contar com um aumento de cerca de 30 por cento de apoios financeiros garantidos pela tutela.
“Vai permitir-nos uma maior liquidez, para desenvolver o Centro, ao nível das infra-estruturas, da aquisição de equipamentos e da admissão de pessoal”, explicou o mesmo responsável, prevendo, para os próximos três anos, um investimento de 100 milhões de euros que vão ser direccionados para as quatro unidades de saúde do CHTMAD (Vila Real, Peso da Régua, Chaves e Lamego), com especial destaque para o “hospital de proximidade” de Lamego que vai contar com um orçamento de cerca de 50 milhões de euros, sendo que já decorre o concurso público, para a sua execução.
No Hospital de São Pedro, em Vila Real, os projectos passam pela ampliação do Serviço de Urgências e a criação das novas instalações, para os cuidados intensivos (incluindo uma valência para doentes coronários) e intermédios.
Outro dos objectivos, para os próximos três anos, é a construção, de raiz, na unidade vila-realense, mais exactamente no local onde ainda hoje se situa um parque de estacionamento (junto à Pediatria), de um novo edifício, com três andares, onde serão instalados os Serviços de Consulta Externa e de Ambulatório e, ainda, a Pediatria, a Pneumologia, a Nefrologia, bem como, “provavelmente, outros dois serviços que ainda não foram definidos”.
Carlos Vaz adiantou que uma das necessidades verificadas no CHTMAD é a falta de médicos neurocirurgiões.
“Esta é a única especialidade que não temos”, reconheceu o mesmo responsável, revelando que estão a ser feitos esforços, no sentido de trazer, para Vila Real, um médico da especialidade.
Em 2007, altura em que contou com um “saldo positivo, na ordem dos 3,2 milhões de euros”, o Centro Hospitalar foi responsável por 216.708 consultas de especialidade, mais cerca de 3.500 que em 2006, tendo recebido 221.078 episódios de urgência, ou seja, uma redução, em relação ao ano anterior, na ordem dos 5 mil casos.
Maria Meireles



