Sexta-feira, 1 de Julho de 2022

“O CDS só foi chamado ao Governo em momentos muito complicados”

Líder das estruturas distrital e concelhia do CDS há um ano e meio, Patrique Alves faz um balanço “muito positivo” do seu mandato, mas acredita ser possível fazer sempre “mais e melhor”. Contando atualmente com mais e 1.800 militantes, até ao final do ano o partido deverá ver a sua área de implementação alargada no distrito, criando as duas concelhias que faltam no mapa. Quanto às legislativas de setembro, considera que mais importante que debater o perfil dos candidatos é “discutir ideias” e pensar “no caminho que o país deve trilhar”.

Como foi o seu percurso dentro do CDS?

O meu percurso no CDS confunde-se um pouco com a minha própria vida. Recordo-me do dia em que recebi o meu primeiro pin do CDS, ainda não andava na escola. Desde dessa altura sempre cultivei um grande amor pelo partido. Filiei-me na Juventude Popular, na altura no Porto, logo que fiz a idade mínima. Depois vim para Vila Real. Aqui fui presidente concelhio, coordenador distrital e cheguei à comissão política nacional na liderança do Pedro Moutinho, que é atualmente o presidente da concelhia do Porto. Posteriormente, fui vice-presidente da comissão política nacional e vice-presidente da mesa do congresso e acabei o meu percurso na Juventude Popular por limitação de idade, ficando como militante honorário, que algo que muito me honra.

Relativamente ao CDS, o percurso foi sendo feito um pouco também em paralelo. Em 2009 fui cabeça-de- -lista à Câmara Municipal de Vila Real, um desafio muito interessante. Nestas últimas eleições autárquicas tive o privilégio de ser o número dois na lista encabeçada por Jorge Pinho e há cerca de um ano e meio assumi a liderança na concelhia e na distrital.

Com 34 anos de vida, há 30, pelo menos, que identifico o logótipo do CDS e nesse período temporal fui-me identificando com o que é a matriz ideológica do partido. Para mim, ser do CDS é natural, não preciso estar a ler o ideário para perceber qual a nossa linha de pensamento.

 

Foi eleito para a distrital em dezembro de 2013, um cargo que acumula com o de presidente da concelhia de Vila Real. Qual o balanço faz desse ano e meio de mandato?

Comecei esta minha ligação mais próxima com a comissão política distrital dois anos antes, quando fui convidado pelo então presidente, João Alarcão, a integrar a sua equipe. Na altura, em finais de 2012, assumi também o cargo de coordenador autárquico distrital, e aí fui-me envolvendo de uma forma mais acentuada com as questões e os desafios que o partido vive no distrito. Esta passagem pela coordenação autárquica deu-me um conhecimento mais profundo da estrutura do partido, permitiu-me perceber também melhor quais as nossas dificuldades. Todos os partidos, independentemente de terem mais ou menos votos, têm sempre desafios no seio da sua estrutura. No final de 2013 assumi então a liderança. O balanço é positivo. Não estaria a ser correto se não entendesse que poderia, posso e podemos (a minha equipe) ir mais além, e é esse o nosso objetivo, é por isso que temos batalhado. Estou muito satisfeito com a equipe que tenho o privilégio de liderar na Comissão Política Distrital. Cobre muito bem o distrito e tem pessoas com imenso valor, pessoas que dão o melhor de si na construção de ideias, de propostas para a nossa ação política. Felizmente, temos feito uma boa aposta em termos de formação, temos reunido sistematicamente, trocado impressões e isso é muito compensador. Conseguimos, nesse caminho, ir de encontro ao programa que apresentei aos militantes, ao plano de atividade que definimos e aprovamos na sede dos órgãos próprios do partido. Isso deixa-me satisfeito, mas quero, obviamente, conseguir mais.

Ainda demos apenas pequenos passos. Podemos e devemos fazer muito mais, e estou convicto que assim será.

O objetivo do partido é crescer no distrito?

Esse é o objetivo de todos os partidos e o CDS não é, de todo, exceção. Estamos a duas estruturas de completar a nossa implantação em termos territoriais. Acredito que vamos conseguir até ao final do mandato, até dezembro. Esse é o nosso caminho, que procuramos fazer sempre de mãos dadas com as estruturas autónomas que o partido tem no distrito, nomeadamente a Federação dos Trabalhadores Democráticos Cristãos e a Juventude Popular. Temos vários dirigentes locais representados nos órgãos nacionais do partido, e isso é também um sinal da dinâmica que as estruturas do distrito têm, o que é reconhecido também pelo partido a nível central. Isso deixa-me contente, porque percebo que a minha equipe está a fazer um bom trabalho, mas também nos dá responsabilidades.

 

Comparativamente, nas legislativas de 2099 e 2011 o CDS perdeu um pouco de terreno, ficando sempre, no entanto, no terceiro lugar…

Ao longo dos anos, o CDS tem feito resultados eleitorais, em termos legislativos, não lhe tem permitido eleger deputados no círculo eleitoral de Vila Real. O que não significa que não tenhamos apresentado pessoas com imensa capacidade para defender, e bem, esta região na Assembleia da República. Tem sido muito difícil conseguir esse objetivo, mas isso não significa que seja impossível. É um trabalho que demora o seu tempo… Mas estou absolutamente convicto que conseguiremos atingir esse objetivo. É um trabalho difícil, demorado, mas se esta equipe e a que se sucederá a esta se empenharem, estou convicto que seremos merecedores da confiança dos vila-realenses, dos transmontanos, para os podermos representar na Assembleia da República.

 

As últimas sondagens divulgadas voltam a colocar o PS em primeiro lugar, o PSD ganha terreno e o CDS aparece, novamente, em terceiro lugar. Defende uma renovação da coligação?

Confundo a minha vida com o CDS, e como tenho essa confusão positiva nesta minha convivência com o partido estou, como alguém diria, vacinado em relação às sondagens. O CDS é o partido recordista em Portugal a contrariar sondagens e, portanto, acho que os resultados que o partido tem conseguido alcançar, de uma forma sustentada, ao longo dos últimos atos eleitorais, dão-nos absoluta confiança de que somos uma força política que merece e merecerá a confiança de muitos portugueses. O CDS, quando esteve na oposição, fez uma oposição responsável, e quando foi chamado a governar, só em momentos difíceis, soube ter a sua cota de responsabilidade na participação nos diferentes governos e isso é muito importante e deve, acima de tudo, ser valorizado. A questão da coligação, obviamente estará a ser discutida, mas não é isso que me preocupa. O que me preocupa é perceber o estado em que este Governo herdou o país, um país que estava prostrado perante os nossos credores internacionais. Herdamos um país que estava a menos de um mês de entrar em colapso, de não ter dinheiro para pagar os salários. Que estava numa situação de eminente bancarrota e que, apesar dos seus largos séculos de história, estava com a sua credibilidade completamente posta em causa por um Governo do Partido Socialista. Pegamos num país que estava, volto a dizer, de joelhos perante a comunidade internacional. Que tinha taxas de juro astronómicas (só para ter uma ideia, teremos as taxas de juro neste momento, a dez anos, entre 1,2 e 1,5 por cento, quando assumimos a governação essas taxas eram dez vezes superior), e esse foi o ponto de partida.

O Governo funcionou como um todo, mas podemos focar algumas áreas, como, por exemplo, a agricultura. Em 2011 a agricultura em Portugal era o parente pobre da economia. Hoje, em 2015, é uma das boas referências do que é o nosso bom desempenho económico, em termos de criação de emprego e de riqueza. A taxa de execução que existia no PRODER era medíocre, agora vamos concluir esse programa com uma taxa de execução superior a 97 por cento. Isso diz muito da forma de governar e de olhar para um setor que é estratégico para o país e, acima de tudo, para esta região. Tivemos a capacidade de dar a volta e mostrar que é um setor em que vale a pena apostar, em que os jovens podem e devem apostar.

Tem sido um caminho muito difícil ao longo destes três anos. Obviamente que tivemos que tomar medidas muito difíceis. Tivemos que pedir imensos sacrifícios aos portugueses, sacrifícios que não foram pedidos por recreação do Governo, mas sim porque o país que nos foi entregue pelo Partido Socialista estava completamente descapitalizado e até, com muita pena digo isso, descredibilizado em termos internacionais. Conseguimos alavancar o país, com as orientações do Governo e o enorme esforço dos portugueses. O CDS tem sido elemento interventor neste caminho que é amplamente positivo. Só pode ambicionar ter bons resultados neste ato eleitoral. Acho que isso é absolutamente inquestionável.

Mas não teme que a população em geral não tenha compreendido os benefícios das medidas austeridade e que o CDS sofra de alguma animosidade que os cidadãos sentem hoje pelo Governo?

Percebo bem o sentimento que algumas pessoas possam ter por algumas medidas que foram tomadas. Temos que fazer a distinção entre quem conduziu o país ao abismo em que ele se encontrava em 2011 e quem fez o caminho de colocar o país de novo nos carris do crescimento económico, da estabilidade social. Quem teve a capacidade de o preparar para um futuro mais promissor.

Hoje temos um país de novo autónomo, que consegue encontrar financiamento nos mercados, bater e debater de igual para igual com todos os parceiros europeus. Acho que os Portugueses já perceberam que a governação que este governo levou por diante conduziu-nos por um caminho muito rigoroso, muito difícil, mas que está a ter os seus frutos. Vínhamos de uma situação em que não havia crescimento económico, havia sim recessão. Neste momento o que se discute é se o país vai crescer 1,5 por cento, 1,6, 1,7 ou até 2,0 por cento. Há questões que podem, devem e vão ser afloradas, nomeadamente o desemprego, mas, essa questão, é importante que se perceba, terá atingido o seu pico em 2013 e tem vindo a decrescer de uma forma sustentada. A oposição tenta mascarar esses números com a emigração, mas essa questão não justifica esta redução. Há uma criação líquida de postos de trabalho. Isso é inequívoco, significa que há um dinamismo em termos económicos.

Este Governo tem feito um caminho muito, muito exigente, por exemplo no que diz respeito à contenção da despesa pública, que em 2010 tinha um peso muitíssimo maior, que rondava os 52 por cento do PIB, e neste momento, em 2015, rondará os 47,3.

Muitas vezes a oposição acusa, erradamente, este Governo de insensibilidade social. Mas foi este Governo que, em situação de crise, conseguiu aumentar em sede de Orçamento de Estado as dotações orçamentais para as prestações sociais. Em 2010 nós utilizávamos 18,6 por cento do PIB, em 2015 vamos utilizar 19,2. Sendo que em 2013, ano de viragem neste caminho dificílimo pelo qual passamos, utilizamos 20,3 por cento do PIB para prestações sociais. Isto denota bem que este Governo, apesar das dificuldades, teve a coragem e a capacidade de auxiliar quem mais precisava, obviamente dentro das possibilidades do país. Podem existir semânticas muito interessantes, mas não passam de semânticas. A realidade é muito dura, por muito que nos custe.

Outro exemplo muito importante, principalmente para as pessoas que vivem nesta região, são as pensões rurais que este Governo descongelou, fazendo atualizações. Foi suficiente? É necessário mais? Obviamente que é necessário mais. Não estamos na situação ideal, estamos na situação possível face aos constrangimentos e às restrições que encontramos.

 

A seis meses das legislativas, é possível levantar o véu sobre o perfil dos rostos que vão entrar na lista do CDS pelo Círculo Eleitoral de Vila Real?

Em relação ao perfil dos candidatos do CDS, é um perfil que é transversal. Têm que ser pessoas competentes e que obviamente possam dar garantias de capacidade de trabalho. Essa é uma característica que é transversal a todos os candidatos, sejam de Vila Real ou de Faro. Essa é uma questão que será discutida nos órgãos próprios.

Contudo, mais importante que perceber quem são os candidatos, e é aqui também que o CDS marca muito a diferença em relação a outros partidos, nomeadamente ao PS, que se quer apresentar como alternativa a este Governo, é perceber quais às linhas programáticas.

 

Pode avançar alguns pontos desse programa eleitoral do partido?

O CDS está neste momento a trabalhar num programa eleitoral que quer apresentar às pessoas e isso é que é fundamental.

Muito se tem discutido em relação às questões fiscais. Sabe-se quais são as propostas do PS nessa área? Muito se tem falado por exemplo em termos de objetivos para o desemprego. Sabe-se quais são as propostas de António Costa nessa área? Sabe-se quais são as propostas de António Costa, por exemplo, na área da demografia? Eu não sei.

O CDS está a trabalhar no seu programa de Governo e está a utilizar um método muito interessante de participação, de abertura e de recolha de propostas de militantes, simpatizantes e da própria sociedade civil. Esse caminho ainda não está ultimado mas tem dado passos muito interessantes, muito sustentados e que conduziram, inclusivamente, à apresentação, no final da semana passada, dos objetivos principais em termos de programa eleitoral. Objetivos que passam, obviamente, por um alívio fiscal, quer para as empresas quer para as famílias. Há uma proposta para eliminar a sobretaxa do IRS e para reduzir o IRC, de 21 por cento para uma taxa entre os 17 e os 19 por cento na próxima legislatura. Temos também propostas para colocar o país a crescer a uma taxa de três por cento.

O desemprego é para nós uma questão muitíssimo importante e para qual temos que ter uma estratégia que visa reduzir a taxa de desemprego. O caminho tem sido positivo, é um facto, mas o ponto em que nos encontramos ainda não é satisfatório. Enquanto existir portugueses com capacidades, com vontade de trabalhar e que não consigam encontrar trabalho na nossa economia, o Governo, e em particular o meu partido, não pode estar satisfeito. Nesta região sentimo-lo. É preciso criar um dinamismo económico maior, é preciso criar mais postos de trabalho. O objetivo é conseguir colocar a taxa de desemprego abaixo dos dez por cento.

Há outras questões que estão a ser enquadradas nos objetivos eleitorais do CDS e que se prendem com a questão demográfica, uma questão muitíssimo importante para o distrito de Vila Real, para Bragança, para todos os distritos do interior. Percebendo que não deve haver uma dialética entre o litoral e o interior, mas sim apenas um discurso de desenvolvimento equilibrado do nosso território, fico muito satisfeito por perceber que o CDS elege a demografia como um dos objetivos principais da ação para os próximos anos. Depois há outra questão que o partido tem dado e vai continuar a dar muita importância, a igualdade de género no mundo laboral.

Essencial neste momento não é a discussão sobre o perfil dos candidatos, é discutir ideias, perceber que herdamos um país falido, conseguimos criar uma situação amplamente diferente, para melhor. Neste momento, o CDS está a trabalhar e a perceber qual o caminho que o país deve trilhar, e é isso que é verdadeiramente essencial.

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