Para reclamar medidas urgentes do Governo para minimizar as consequências devastadoras da atual situação de seca e os “graves problemas” de sanidade animal, centenas de produtores de bovinos, ovinos e caprinos transmontanos manifestaram–se, no dia oito, em Mirandela.
Organizada por várias associações, entre as quais a Federação das Associações Agroflorestais Transmontanas (Fagrorural) e a Associação dos Pastores Transmontanos, entre outras dos distritos de Vila Real e Bragança, e com o apoio da delegação regional da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), na concentração foi aprovado um documento que foi enviado ao Governo onde é feita uma análise do setor e apresentadas medidas urgentes “para acudir aos problemas gerais da agricultura”.
“O Governo não pode suplicar que chova. Pode e deve agir”, defendem os agricultores relativamente ao problema da seca “impiedosa” que se está abater no país, e em particular na agricultura de montanha. Os agricultores criticam em especial a atitude da ministra da Agricultura, que “se permitiu, numa altura de aflição de milhares de agricultores, afirmar que tinha fé que chovesse”, afinal, “o que se esperava é que fossem anunciadas medidas concretas”. Afinal, “os pastos de montanha estão mirrados, os lameiros estão secos, as palhas e os fenos estão a escassear, o recurso de aquisição de palhas de Espanha não param de subir, as rações custam ‘os olhos da cara’, as culturas de outono/inverno estão irremediavelmente perdidas e as de primavera/verão são ainda uma incógnita”. No mesmo documento, os agricultores lembram que “mesmo nas culturas permanentes como (vinha, olival e pomar) não se podem prever os malefícios provocados pela atual situação”.
Outro problema que motivou a manifestação prende-se com as questões da sanidade animal, sobretudo tendo em conta que Trás-os-Montes é uma “região com um número considerável de explorações pecuárias, bovinas, ovinas e caprinas, cujo estatuto sanitário continua a exibir a maior percentagem de doenças endémicas em toda a UE”.
“São conhecidas as dívidas vencidas e não pagas às OPPs, da região e do país”, sublinham os produtores, referindo que só na região Norte, até julho do ano passado, essas atingiam mais de dois milhões de euros, sendo que no país ascendem aos quatro milhões.
Estes problemas, somados aos já sobejamente conhecidos, como as dificuldades de escoamentos, os aumentos constantes dos fatores de produção e as dificuldades na obtenção de apoios financeiros, entre outros, têm destruído pouco a pouco o setor da agricultura. “Os últimos dados do recenseamento agrícola indicam que existem 1,5 milhões de hectares abandonados, e mais de 125 mil de área agrícola por cultivar. Só nos últimos 10 anos, a superfície agrícola recuou mais de 450 mil hectares e desapareceram, num espaço de 20 anos, 300 mil explorações agrícolas, particularmente de leite e de batata” contabilizaram os agricultores.




