Vila RealOrçamento para 2008 aprovado, sem consenso na oposição

Orçamento para 2008 aprovado, sem consenso na oposição

“A oposição não tem emenda”, considerou Manuel Martins, no final de mais uma reunião da Assembleia Municipal, onde foram aprovados, com os votos contra de nove dos 14 socialistas da bancada rosa, as Grandes Opções do Plano e o Orçamento da Câmara Municipal de Vila Real, para este ano. O documento fala de valores na […]

“A oposição não tem emenda”, considerou Manuel Martins, no final de mais uma reunião da Assembleia Municipal, onde foram aprovados, com os votos contra de nove dos 14 socialistas da bancada rosa, as Grandes Opções do Plano e o Orçamento da Câmara Municipal de Vila Real, para este ano. O documento fala de valores na ordem dos 39 milhões, mas não convence a oposição que deixou, mesmo, “um desafio”, ao edil social- -democrata.

As Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2008 da autarquia de Vila Real foram aprovados, pela Assembleia Municipal, com nove votos contra, quatro a favor e uma abstenção da bancada socialista.

Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal, lamentou que a oposição tenha assumido, mais uma vez, uma postura de “bota-a-baixo”, esquecendo “o que já foi feito” e trazendo à discussão “sempre, as mesmas críticas”.

“Não percebem que se o Partido Socialista (PS) não é sufragado é porque os vila-realenses não acreditam nele”, sublinhou o edil, referindo que a oposição “vai ter que continuar a ver o Partido Social Democrata (PSD) a governar, e a governar bem”.

Do outro lado da mesa, Rui Santos, porta-voz socialista, explicou o porquê dos deputados da sua bancada se terem oposto aos documentos levados à discussão, explicando que “o orçamento tem aspectos positivos, aspectos assim-assim e aspectos negativos”.

“No que diz respeito aos aspectos positivos, salientamos o apoio às famílias numerosas e o investimento, que consideramos significativo, na área cultural, mais exactamente na excelente programação do Teatro Municipal. Valorizamos, obviamente, essas opções”, explicou Rui Santos, lembrando, no entanto, outros pontos “assim-assim”, nomeadamente as opções resultantes da aplicação da lei e dos contratos-programa que têm com a Administração Central do Estado”, como, por exemplo, os investimentos ao nível do “transporte escolar e a aplicação das actividades extra-curriculares, entre outros deste género”.

“A falta de coerência e seriedade” marcam o lado negativo do orçamento que, segundo o mesmo socialista, “ano após ano”, contempla “verbas significativas, para projectos como o das piscinas, de um pavilhão desportivo e para centros escolares”. “Ciclicamente, constatamos que essas infra-estruturas, importantíssimas para o concelho, e que sempre apoiamos, quisemos e reivindicamos, são, sucessivamente, proteladas”, lamentou Rui Santos.

O responsável político terminou o rol de críticas, deixando um desafio a Manuel Martins: que este se demita, caso não se registe “uma taxa de execução acima dos 90 por cento”.

“Se, hoje, ele (Manuel Martins) não mentiu e vai corresponder à verdade na execução deste orçamento, nós apoiaremos. Se, por outro lado, tiver uma taxa de execução inferior a 90 por cento, desafio o Presidente a sair da autarquia”.

Deixando o apelo ao autarca, para que aceite o desafio, Rui Santos mostrou-se, no entanto, “certo” de que ganhará “a aposta”.

De recordar que o orçamento de 39 milhões de euros, 75 por cento dos quais (29 milhões e 200 mil euros) incluídos no Plano Plurianual de Investimento (16 milhões) e no Plano de Projectos e Acção Municipal (13,2 milhões), prevê projectos como a construção de dois Centros Escolares, das Piscinas no Campo do Calvário, do Pavilhão Gimnodesportivo, do Parque de Ciência e Tecnologia e da Zona Empresarial.

Na mesma reunião da Assembleia Municipal, foram ainda aprovados outros documentos, entre as quais a moção apresentada pelos deputados Abílio Guedes, do PSD, e José Caldeira, da CDU, com o intuito de demonstrar o repúdio, perante a criação de portagens na Auto-Estrada Transmontana, e, ainda, um voto de Mérito Desportivo ao atleta Mário Trindade e outro de louvor ao Clube Automóvel de Vila Real.

 

Maria Meireles

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