Quinta-feira, 30 de Junho de 2022

Pai de militar descontente com a GNR

Após o suicídio do seu filho, Carlos Manuel Borges, militar da GNR, no posto de Póvoa de Santa Iria, José Pereira Borges, residente em Eiras (Chaves), quis saber quais as razões pelas quais o mesmo tinha sido, antes, alvo de um processo disciplinar. Veio a descobrir, segundo ele, que “a informação relativa ao processo não […]

Após o suicídio do seu filho, Carlos Manuel Borges, militar da GNR, no posto de Póvoa de Santa Iria, José Pereira Borges, residente em Eiras (Chaves), quis saber quais as razões pelas quais o mesmo tinha sido, antes, alvo de um processo disciplinar. Veio a descobrir, segundo ele, que “a informação relativa ao processo não estava correcta”, acrescentando: “Primeiro, disseram-me que tinha sido por causa de auto de acidente, registado no Carnaval deste ano, levantado em hora de patrulha; depois, vim a descobrir que foi devido a um jogo de futebol ocorrido em 28 de Outubro de 2006, no campo da Piedade do Povoense, a contar para o Campeonato Distrital de Juniores de A.F. de Lisboa”.

O “engano foi reconhecido”, quando José Pereira Borges se lembrou de pedir, também, o processo de uma outra militar (Nádia Filipa) que, na altura, estaria na mesma patrulha, quando ocorreu o acidente.

“Lembrei-me de pedir o processo dela e vim a confirmar que, afinal, o processo era do jogo do futebol! Telefonei para a Secção da Justiça e disseram-me não havia processo nenhum, relativo a este caso!”.

De acordo com José Pereira Borges e em relação ao processo do jogo de futebol, “dois militares da patrulha que o seu filho comandava, para policiar o encontro, passaram o tempo, desde os vinte minutos do jogo, enfiados num tasco, com mais um GNR do posto de Loures e um guarda-nocturno”, facto que foi comunicado, pelo seu filho, às instâncias superiores. Mas acabou por ser o seu filho alvo do processo disciplinar n.º 88/07, da Brigada n.º 2 do Grupo Territorial de Loures”, por, segundo o pai do Carlos Manuel, “não ter dado as devidas instruções aos militares destacados para o jogo”.

“Não é verdade, pois ele disse-lhes que eles já sabiam o que tinham a fazer e as missões a cumprir! Então, o meu filho cumpriu o seu dever e esteve sempre no campo, alertou-os para aquilo que estavam a fazer e, depois, ainda por cima, foi alvo de um processo!”. Indignado, o pai do militar Carlos não se conforma com o facto de serem ouvidos, apenas, “os quatro dos copos” e interroga: “Porque não foram ouvidas outras pessoas?”. José Pereira Borges garante que está “revoltado, que “quer justiça” e que “não me vou calar!”.

“Quero que seja apurada a verdade e exijo responsabilidades” – rematou.

Apurámos que o processo em causa terá sido arquivado, em 16 de Maio de 2007, por falecimento do guarda, em 11 de Maio de 2007.

 

Jmcardoso

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