Nascido em Vila Real, o major-general Jaime Neves, que vai ficar na história do país graças ao seu papel preponderante no 25 de novembro de 1975, faleceu na madrugada do dia 27, no Hospital Militar, em Lisboa. O major-general Jaime Neves nasceu na freguesia de São Dinis, no concelho de Vila Real, em 1936, tendo entrado na Escola do Exército em 1953, e feito cinco missões de serviço em África e na Índia. É considerado como herói nacional devido à sua atuação em defesa da democracia nacional em 16 de março de 1974, em 25 de abril de 1974 e em 25 de novembro de 1975, e pela ação importantíssima na restauração da disciplina nas Forças Armadas.
Durante o 25 de novembro de 1975, estava nos Comandos da Amadora, uma das unidades militares que pôs fim à influência da esquerda militar radical e conduziu ao fim da revolução em curso. Em 1995, foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a medalha de grande-oficial com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada, do valor Lealdade e Mérito. Na reserva desde 1981, Jaime Neves era um dos mais medalhados comandos do Exército, tendo-se reformado com a patente de coronel. No entanto, em abril de 2009, por proposta do antigo chefe de Estado Ramalho Eanes e do general Rocha Vieira, Jaime Neves foi promovido a major-general pelo Presidente da República, Cavaco Silva, tendo sido a primeira vez que se procedeu à promoção de um oficial na reforma. O funeral de Jaime Neves realizou-se na segunda-feira no cemitério do Alto de São João, após uma missa na Academia Militar.
Portugal de luto evocou Jaime Neves
A morte deste militar vila-realense (fez a 1ª classe em S. Martinho de Anta) foi sentida pelos mais variados quadrantes militares, políticos e sociais do país. Seria quase impossível estarmos a mencionar os elogios e evocações ao papel marcante de cidadão e militar que o major-general Jaime Neves assumiu ao longo da sua vida. Figura incontornável do regime democrático, a ele, por altura do seu falecimento, se referiram várias personalidades políticas e militares, nomeadamente o Presidente da República, Cavaco Silva, que o considerou como “um exemplo inspirador de dedicação ao País”. Sublinhou ainda que “são raros os homens da fibra de Jaime Neves”, e que “Portugal lhe deve muito”. Na nota publicada no site da Presidência, Cavaco Silva disse ainda que era “um homem dotado de uma coragem extraordinária”. “Lutou pela liberdade em duas ocasiões históricas decisivas: Em 1974, no 25 de abril, na queda do regime autoritário; e, mais tarde, quando, a 25 de novembro de 1975, foi necessário impedir o avanço daqueles que, pela força das armas, pretenderam atraiçoar os ideais da revolução democrática”.
O Primeiro-ministro, Passos Coelho, recordou a sua “contribuição extraordinária para a implantação da democracia em Portugal”, referindo mesmo como “um militar de exceção”. O responsável máximo do Governo frisou o papel que o general teve após cessar a sua vida de militar, salientando o seu “papel cívico relevante, com uma grande dignidade que hoje é recordada por todos aqueles que com ele colaboraram”, enalteceu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP, Paulo Portas, também lembrou que o general “nunca pediu nem esperou favores ou honras do regime que ajudou a consolidar”, considerando que “não foi devidamente lembrado em vida”.
Uma outra figura da vida política portuguesa, o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, referiu que Jaime Neves era um homem associado a valores próprios de um comando militar, salientando a sua coragem e camaradagem”. Com uma visão mais global, Aguiar Branco está convicto de que é “uma figura que marca decididamente períodos importantes da história, antes e depois do 25 de abril”.
O General Loureiro dos Santos, seu companheiro de armas, elogiou Jaime Neves como um “autêntico herói nacional”, focando o seu papel nas guerras coloniais e na era revolucionária em Portugal, desempenhando um papel de exceção ao serviço da democracia pluralista”. Afirmou ainda ser “um grande combatente e um guerreiro”, sendo decisivo no plano operacional contra a deriva autoritária que ameaçava o país.
Do Partido Socialista vieram elogios e reconhecimento, com João Soares e evidenciar o seu importante papel no 25 de abril de 1974 e, sobretudo, no 25 de novembro de 1975, sublinhando que é uma figura que merece “respeito e consideração”. “Foi um oficial distinto e nunca foi um militar de secretaria”, referiu.
A Associação Nacional de Comandos, através do presidente da Direção Nacional, José Lobo do Amaral, a quem o Nosso Jornal agradece o envio do material fotográfico, deixou uma mensagem de homenagem: o grito de guerra dos comandos. “E neste tempo já de saudade, os Comandos celebram o Amigo, o Comando, o Comandante de sempre, mas sobretudo o Português de corpo inteiro que soube ser! Os Comandos saberão guardar a sua Memória! MAMA SUME! (prontos para o sacrifício) ”.




