Desde Janeiro do ano passado que a escola Carvalho Araújo é partilhada, durante o período normal de aulas, por crianças do 1.º ciclo e adultos dos cursos de formação para beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido. Os pais já revelaram a sua apreensão e a escola já deixou a garantia de que está já a ser estudada uma “solução equilibrada e coerente”, que sirva o interesse de todos.
Os pais dos alunos da Escola Carvalho Araújo mostraram-se, no dia 17, em reunião com o conselho executivo do Agrupamento de Escolas Diogo Cão, preocupados com o facto das crianças do primeiro ciclo do ensino básico, daquele estabelecimento de ensino, estarem a partilhar a escola durante o período regular de aulas, com um grupo de formandos adultos.
Maria de Lurdes Cardoso, mãe de dois alunos, explicou que “os adultos estão junto de crianças com idades entre os seis e os nove anos e partilham, por exemplo, as casas de banho”.
Apesar de reconhecer que “as pessoas têm direito a educação”, sendo de enaltecer que os adultos sejam preparados para ser reintegrados na sociedade, a mesma responsável mostrou-se apreensiva com o facto dos formandos, em causa, terem tido “problemas no passado”, embora alguns já os tenham ultrapassado. “Não se trata de xenofobia, de maneira nenhuma”, garantiu Maria de Lurdes Cardoso.
Também Dolores Monteiro, vereadora da Câmara Municipal de Vila Real, responsável pelo pelouro da educação, considerou a situação “completamente inviável”. “Normalmente, as aulas dos adultos decorrem durante a noite”, revelou a edil mostrando-se surpreendida pelo facto das turmas terem aulas durante o período normal.
José Maria Magalhães, presidente do conselho executivo do agrupamento de Escola Diogo Cão, confirmou a realização da reunião com os pais, referindo que o agrupamento “está sensível” às questões colocadas. Depois de pedir vários pareceres, está a ser estudada uma solução para o problema, de modo a que “nenhum dos intervenientes perca os seus direitos”.
“Estamos a equacionar possibilidades”, revelou o mesmo responsável esclarecendo que os alunos, em causa, são beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido/Rendimento Social de Inserção e completam quatro turmas, num total de 50 alunos que se dividem pelos turnos da manhã e da tarde.
“O agrupamento tem uma forte responsabilidade na alfabetização e qualificação da população”, explicou, ainda, José Maria Magalhães, deixando a ideia que será encontrada uma solução. “Com a colaboração entre o agrupamento, a Direcção Regional da Educação do Norte, a autarquia e outras instituições, vamos conseguir uma solução equilibrada e coerente”.
Entretanto a autarquia de Vila Real já afixou um comunciado na porta da escola, grantindo que desconhecia a situação e que de imediato as aulas dos adultos foram transferidas para um espaço apropriado.
Maria Meireles



