“Fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais fracos”, disse Leão XIV, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.
“Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói”, acrescentou, na sua homilia.
O pontífice alertou para o perigo de a sociedade ceder ao desespero perante o constante poder da morte, sublinhando a necessidade da ressurreição.
“Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora”, assumiu.
“Este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, alcançando-nos nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos.”
A reflexão papal sublinhou que a celebração da ressurreição de Jesus, núcleo central da fé cristã, desafia todas as comunidades a manterem viva a semente da vitória face aos desafios da história.
“Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida”, realçou.
Leão XIV invocou o pensamento do seu antecessor, Francisco, para assegurar que o triunfo sobre a morte tem consequências práticas e transformadoras nas realidades mais sombrias da atualidade.
“O Papa Francisco, na sua primeira Exortação apostólica, ‘Evangelii gaudium’, recordou-nos isso mesmo com palavras sentidas, afirmando que a ressurreição de Cristo ‘não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo’”, declarou.
A reflexão destacou a urgência de os crentes assumirem um compromisso ativo, atuando como portadores desta nova luz de vida perante o sofrimento global.
“É deste canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo”, indicou.
A homilia referiu que muitos, perante tantas “injustiças, maldades, indiferenças e crueldades”, parece que “Deus não existe”, apelando à confiança nos “rebentos da ressurreição”, que apresentou como “uma força sem igual”.
“Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro”, concluiu.
A Missa da Ressurreição do Senhor, que reuniu peregrinos de vários países, antecedeu a tradicional mensagem pascoal e a concessão da bênção ‘Urbi et Orbi’ a partir da varanda central da basílica
A celebração começou, como acontece desde 2000, com o rito do ‘resurrexit’ (ressuscitou), que inclui a abertura dos painéis laterais do ícone do Santíssimo Salvador, ao canto do ‘Aleluia’.
Este rito, perdido durante vários séculos, era realizado antigamente na Basílica de São João de Latrão, em Roma, da qual o Papa partia em procissão para a Basílica de Santa Maria Maior, onde celebrava a Missa.
A proclamação do Evangelho aconteceu em latim e grego, como sinal da universalidade da mensagem cristã, no dia mais importante do calendário litúrgico da Igreja Católica.
A Praça de São Pedro está decorada com milhares de flores e plantas, provenientes da Itália e dos Países Baixos.
A montagem para a solenidade inclui 65 mil bolbos de tulipas e narcisos, juntamente com quase oito mil flores variadas.





