Quinta-feira, 30 de Abril de 2026
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Esperança, Reconciliação e Paz

1 - Naturalmente que as declarações polémicas, nada respeitadoras, non-sense, mesmo, do atual Presidente dos Estados Unidos da América chamaram muito a atenção para a recente visita do Papa Leão XIV a países da África.

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Por isso, mas também pela atualidade e oportunidade da sua mensagem fui acompanhando atentamente essa viagem pela comunicação social e pela newsletter Vatican News. Classificado como “fraco” por Trump porque ousa discordar da guerra como forma de resolver divergências e dissensões entre Estados, ou desatualizado em teologia por Vance, quando Robert Francis Prevost ostenta no seu currículo as licenciaturas em Matemática e Teologia, bem como o doutoramento em Direito Canónico é, no mínimo, ousado. Possível, todavia, quando os que proferem tais dislates se consideram os donos do mundo, só porque exercem o poder no país, hoje, mais poderoso do mundo.

Claro que estes epítetos tiveram uma resposta da sociedade e de instituições norte-americanas e de muitos outros pontos do mundo católico. Também por parte de Leão XIV não podia haver hesitação quando àquelas expressões acrescem outras como a de destruir numa noite uma civilização. O Papa não é político, é verdade, embora presida a um pequeno Estado, o Vaticano; é o dirigente espiritual de uma das maiores religiões de âmbito mundial, com milhões de membros. Teria de responder. Fê-lo em vários momentos, mas transcrevo esta, elucidativa das suas convicções e do seu papel pastoral – “Num mundo onde as divisões e as guerras semeiam dor e morte entre as nações, nas comunidades e até mesmo nas famílias, o vosso viver unidos e em paz é um grande sinal. Unidos, difundis a fraternidade”, disse no final do seu 1º dia, na Argélia. E logo depois, nos Camarões, não se inibiu de falar da Casa Comum nos seguintes termos – “Somos uma única família e habitamos a mesma casa, este maravilhoso planeta de que as culturas antigas cuidaram durante milénios”. E homenageou as vítimas dos naufrágios, não deixando de questionar o que é que o Norte tem feito pelo Sul? Lembrou sempre os temas da Esperança, da Reconciliação e da Paz. Excelente resposta aos belicistas que não gostaram dos seus apelos à paz.

2 – Também por estes dias se celebram os 50 anos das primeiras eleições Legislativas, das primeiras eleições presidenciais e para as autarquias, livres e universais. E quando preparava a minha aula sobre o 25 de Abril na Escola das Árvores encontrei esta expressão de politólogos que abordavam a importância desses momentos: «o povo queria paz e sossego». Como, decerto, hoje no Médio Oriente.

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