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Para defender o irmão, matou o primo

A Polícia Judiciária deteve um homem, em Cerdedo, por homicídio e omissão de auxílio. O agressor manteve o cadáver, em casa, durante um dia. A morte foi causada por uma pancada, desferida na cabeça da vítima. A aldeia de Cerdedo foi palco, em 26 de Março, de um homicídio, entre primos. Salvador Gonçalves, de 45 […]

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A Polícia Judiciária deteve um homem, em Cerdedo, por homicídio e omissão de auxílio. O agressor manteve o cadáver, em casa, durante um dia. A morte foi causada por uma pancada, desferida na cabeça da vítima.

A aldeia de Cerdedo foi palco, em 26 de Março, de um homicídio, entre primos. Salvador Gonçalves, de 45 anos, munido de um ferro, com cerca de um metro de comprimento, atingiu, na cabeça, um primo, quando este agredia, na cozinha, o seu irmão. A vítima, Domingos Fernandes, de 51 anos, com a alcunha, de “Penato”, não era bem vista, na aldeia, e, já há algum tempo que andava debaixo do olho da GNR. Era suspeito de vários furtos, em habitações de Cerdedo, e de armas. Era voz corrente que recorria à violência para subjugar os seus dois primos, ambos solteiros.

“Queria dinheiro para comprar cigarros e, como não o tinha, começou a bater-me, com os canos da espingarda, só que, nesse momento, chegou o meu irmão, que, tendo ouvido barulho, veio ver o que se passava. Para me defender, deu-lhe, então, com um ferro, na cabeça. Calhou mal, bateu em mau sítio e ele morreu. O meu irmão só me queria defender”.

Esta foi a versão de António Gonçalves, de 41 anos, irmão do agressor, contada e repetida por todo o povo da aldeia.

O homicida é tido, pela população, como um bom homem. O mesmo, depois de cometer o crime e muito transtornado, confessou, alto e bom som, que tinha matado o Penato. Alguns vizinhos e amigos nem acreditaram. Só pelas 18 horas de Quinta-feira é que alguns populares aceitaram a versão de Salvador Gonçalves, tendo encontrado, prostrado no chão frio e escuro da cozinha, o corpo da vítima.

Este drama há muito que era previsto. Na boca de Salvador Afonso, habitante da aldeia, “a vítima era muito conflituosa e espalhava o terror e o medo, pela aldeia. Não fazia nada, estava com eles há seis meses, meteu-se lá por casa e agredia-os, constantemente. Andava sempre com uma espingarda e com uma faca. Durante o dia, ninguém o via, até porque também andava fugido à guarda. Tinha problemas de alcoolismo e assaltava tudo o que podia. A GNR foi, diversas vezes, chamada à aldeia, por causa das agressões perpetradas sobre os dois” – disse.

Ao fim da tarde de Sexta-feira e depois de ouvido, no Tribunal de Boticas, recolheu ao Estabelecimento Prisional de Chaves.

O funeral da vítima decorreu, depois, para o cemitério de Cerdedo.

 

Jmcardoso

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