Segunda-feira, 23 de Maio de 2022

Parque Natural de Montesinho terá novo modelo de gestão

Órgão de decisão alvo de críticas por não ter representantes das juntas de freguesia, que lamentam não ter sido ouvidos .

O Parque Natural de Montesinho (PNM) vai ter um novo modelo de gestão, que pretende promover a proximidade e a coesão territorial e responda aos desígnios da sustentabilidade, nas dimensões política, social, económica, ecológica e cultural, salvaguardando os valores naturais.

Apresentado no Auditório Paulo Quintela, o modelo de cogestão tem ainda como objetivo a valorização do capital natural do PNM, que comunique e promova o Parque de forma diferente e que, principalmente, “se aproxime das pessoas, de forma inclusiva e integrada, em todas as suas valências e singularidades: identitárias, sociais, culturais e económicas”.

Hernâni Dias, presidente da Câmara de Bragança, referiu que o município integra este processo de cogestão para “melhorar a atual situação das pessoas, que vivem e trabalham no PNM”, lembrando que, “atualmente, o Parque não serve as populações”.

“Esperamos que, no decorrer deste novo modelo, essa situação seja invertida e que as pessoas possam, finalmente, ser uma peça central, além, claro, da própria preservação e conservação da natureza”, pois “só assim faz sentido”.

A Comissão de Cogestão será o principal órgão presidido pelo presidente da Câmara de Bragança e pelo presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, em substituição. Desta comissão fazem ainda parte o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a Direção Regional de Agricultura e Pescas, o Instituto Politécnico de Bragança, a associação florestal Arbórea, a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), e a Azimute, associação ligada aos desportos de aventura, juventude e ambiente.

CRÍTICAS

A proposta para o novo modelo de gestão do PNM levantou críticas, por não ter as freguesias representadas no órgão de decisão.

Telmo Afonso, presidente da União de Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo, disse à Lusa que no momento em que se discute o novo modelo de gestão, “os presidentes de junta foram, maltratados, porque ninguém falou deles”, lamentando que o órgão de decisão “não tenha representantes das 28 freguesias dos dois concelhos”, que abrangem as 88 aldeias e oito mil habitantes desta área protegida, que ao longo dos últimos anos se têm queixado de ser esquecidos pela direção do Parque.

O autarca lembrou que “os constrangimentos têm sido muitos em relação às pessoas”, sublinhando que que “tudo aquilo que está preservado foram os bisavôs, os avôs, os pais” que o fizeram. “A principal espécie que não é protegida no Parque Natural de Montesinho é a humana e os nossos jovens não se radicam nas aldeias, porque têm restrições”, frisou.

A diretora regional do INCF, Sandra Sarmento, admitiu que “não conseguiram colocar toda a gente que gostariam na Comissão de Cogestão, todavia, disse que “será possível criar grupos de trabalho sobre determinados setores, entre eles os do turismo de natureza”.

A mesma responsável justiçou ainda que são as “câmaras municipais são órgãos eleitos que representam as pessoas e o território”.

A proposta para o novo modelo de gestão será apresentada até agosto em sessões para ouvir contributos nas várias localidades do Parque. Já em outubro e novembro será colocado em discussão pública e em dezembro será apresentada a proposta final, que deverá começar em vigorar em 2023.

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