Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

Pequeno incêndio volta a alertar para perigo eminente

Duas velas de cheiro fizeram arder uma superfície de plástico numa habitação de uma das torres do Miracorgo. Um pequeno incidente, de fácil resolução, mas que acabou por relançar a problemática sobre a falta de condições de segurança daqueles edifícios e a inacessibilidade para os meios de combate dos bombeiros.

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“Como se costuma dizer, foi mais um aviso à navegação”, sublinhou Álvaro Ribeiro, comandante dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca de Vila Real, que, ao início da tarde do dia 18, foram chamados a combater um incêndio nas torres do Miracorgo, tendo sido mais uma vez confrontados com problemáticas antigas que, numa situação mais grave, poderão mesmo pôr em risco a vida de muitas pessoas.

Segundo o mesmo responsável, na terça-feira, o alerta para um incêndio num apartamento daquele conjunto de prédios acabou por ser apenas uma pequena combustão. “Duas velas de cheiro fizeram arder uma superfície de plástico, enchendo a habitação de fumo, que depois invadiu a caixa das escadas e se propagou até ao último andar do edifício”, explicou.

Se neste caso não foi necessário grandes meios de combates a incêndios, apenas manobras de ventilação táctica para libertar o edifício do fumo, Álvaro Ribeiro volta a alertar para a dificuldade de acção caso se tratasse de um fogo urbano de maiores dimensões e que obrigasse a uma intervenção mais exigente por parte dos soldados da paz.

Em causa está, sobretudo, as acessibilidades ao pátio que fica em frente às fachadas dos três edifícios, um espaço que, apesar de ter sido já reabilitado e encerrado pela Câmara Municipal de Vila Real, continua a servir de estacionamento público, numa controvérsia que parece não ter fim.

De recordar que, a novela do logradouro do Miracorgo, considerado uma área privada de utilização pública, teve início com o Polis, o programa que tinha como uma das linhas de actuação a “requalificação e renovação do espaço público”. Foi exactamente com esse propósito que autarquia vila-realense recuperou aquela zona, criando um Espaço Internet e proibindo o estacionamento. Houve quem não gostasse e teve início ‘uma guerra’ entre moradores, autarquia e Polícia de Segurança Pública, e que contou mesmo com a intervenção do Governador Civil de Vila Real da altura.

A devida sinalização e a introdução de “pilares” que impediam o acesso aos automóveis não teve o efeito esperado, com as sucessivas transgressões e destruição do equipamento público. Sendo mesmo de recordar que, além da destruição sucessiva dos pilares, também o novo edifício foi vandalizado e um veículo chegou mesmo a ser estacionado junto à porta daquele equipamento, impedindo a entrada dos utentes.

Mais de três anos depois do início da discussão sobre a finalidade sobre o logradouro, o pequeno incêndio volta a trazer à tona a questão. “Devido às características do edifício, construído nos anos 70, em caso de incêndio, a evacuação das pessoas teria que ser feita pelo exterior, com o apoio de um veículo escada”, advertiu Álvaro Ribeiro, concluindo que essa seria uma tarefa muito difícil, senão impossível, tendo em conta a grande quantidade de carros que estão diariamente estacionados no local.

Contactado pelo Nosso Jornal, Miguel Esteves, vereador da Câmara Municipal de Vila Real, responsável pelos pelouros do trânsito e urbanismo, confirmou que a autarquia espera agora por uma deliberação do Tribunal. “Há várias queixas não só da Câmara como de moradores”, referiu o edil, reafirmando que foi mesmo intentada uma acção judicial por causa do vandalismo nas estruturas municipais.

O comandante da Cruz Branca deixou ainda um apelo aos condóminos para que se reúnam e tomem providências de forma a garantir as condições mínimas de segurança no interior do edifício, nomeadamente a instalação de sinalética e iluminação de emergência e de extintores em cada andar, entre outras medidas que hoje são obrigatória por lei nos novos edifícios.

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