“Decorridos cinco anos sobre a sua vigência” e tendo em conta “a evolução das condições económicas, sociais, culturais e ambientais subjacentes”, quatro dos Planos de Pormenor desenhados no âmbito do Polis foram revistos e voltam a estar sob o olhar dos vila-realenses. A oposição “estranha” a falta de promoção da discussão pública e apela para que estenda o debate, porque, afinal, “quem não deve não teme”.
Desde o dia 11 e durante 15 dias, os vila-realenses vão poder manifestar-se sobre as alterações previstas na revisão dos Planos de Pormenor da Antiga Zona Industrial, do Centro Histórico, do Parque Corgo e de Tourinhas.
Segundo o documento disponibilizado no “site” da autarquia (em www.cm-vilareal.pt), no caso do plano referente à antiga Zona Industrial, o “novo” Plano tem em conta “alterações na infra-estrutura rodoviária e a implantação de uma infra-estrutura hidráulica, para captação de água na ribeira de Tourinhas, para produção de energia eléctrica.
Segundo a autarquia, a necessidade de revisão decorre ainda da evolução ocorrida durante os anos que o plano leva já de vigência, nomeadamente a existência de um novo equipamento (a Biblioteca Municipal) e ainda a possibilidade de abranger a criação de outros equipamentos, como, por exemplo, um Posto de Turismo.
Já no que diz respeito ao que estava projectado para o Centro Histórico, entre outras questões, a revisão vai “implicar a alteração de algumas das suas peças constituintes e de acompanhamento, sem implicar alteração dos respectivos limites, nomeadamente, as disposições sobre o espaço do Quartel dos Bombeiros da Cruz Verde, previstas inicialmente”.
A criação de acessos à Central Biel, a exploraração do potencial hídrico existente e o redimensionamento do parque de estacionamento previsto para a Avenida 1.º de Maio, são outras das questões levantadas.
“Por último, deverá ser também estudada a possibilidade de reforço das áreas inseridas no Parque Corgo, na sua margem direita, como pólo de concentração de actividades de lazer, em especial bares e restauração, atendendo à alteração viária que surgirá em breve e prevista desde o início pelo Plano, com a construção dos acessos ao Centro de Ciência Viva”, refere a Câmara Municipal, sobre o revisto plano do Parque Corgo.
Finalmente, no que diz respeito aos projectos para a zona de Tourinhas, “a revisão justifica-se por razões de natureza interna ao próprio Plano, mas, também, externas à sua área de intervenção, podendo ser resumidas em três pontos essenciais: qualidade da nova área habitacional, articulação com a área envolvente e o financiamento e a execução do Plano”.
“A ponderação conjunta destes três pontos poderá conduzir a alterações no desenho e distribuição das parcelas edificáveis e, pontualmente, de alguns dos parâmetros urbanísticos a elas associadas, sendo de admitir a fusão ou eliminação de alguns dos lotes previstos, não deverá, contudo, levar a alterações no Parque da Cidade, para o qual já existe projecto de execução, podendo porém equacionar-se a eventual alteração da piscina prevista e a sua substituição por um outro equipamento mais necessário para a cidade”, adianta a edilidade.
Rui Santos, Presidente da Federação Distrital do PS, lamenta que todo o processo de discussão pública decorra em período de férias e não tenha merecido a devida promoção, de modo a incentivar, efectivamente, a participação dos cidadãos.
“Parece que estão a tentar esconder algo à população”, considerou o mesmo responsável político, referindo que a oposição já deixou o apelo para que o prazo para a participação pública seja dilatado.
“Apetece lembrar que quem não deve não teme”, defendeu Rui Santos, considerando que “deve haver interesses em torno de todo esse processo, sejam eles legítimos ou não”.
Maria Meireles




