Celebraram-se, há alguns dias, os 40 anos da publicação desta tão importante como polémica Encíclica do Papa Paulo VI.
Os tempos eram conturbados, pois tinha ocorrido, há três meses, o “Maio de 68”, em Paris, e, há três anos, tinha acontecido o encerramento do Concílio Vaticano II.
Muitos esperavam, com ansiedade, a publicação da Encíclica, vaticinando que o Papa Paulo VI ia dar “abertura” à doutrina da Igreja, sobretudo no que diz respeito à moral sexual.
Ora, o “tiro saiu-lhes pela culatra”. O documento trata da paternidade responsável e da regulamentação da natalidade. Foi um documento marcante do pontificado de Paulo VI e continua a ser um documento de referência. Passou a ser conhecido como o documento que proíbe qualquer método contraceptivo artificial.
O Padre Jorge Cunha, professor de Teologia Moral e Director Adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto, diz que o que faz o casamento é o amor e o carácter humano, fiel, exclusivo e fecundo. Diz o Padre Jorge Cunha: “Não tenho dúvidas de que a Igreja tem feito um esforço, para ser fiel às exigências morais da mensagem de Jesus. Mas penso que é urgente a Igreja reformular esta norma, para ser proposta de forma mais realista às pessoas e que seja vista como um prolongamento das exigências éticas de Jesus, para que seja tida em conta. Isso é que é importante: que não continuemos a viver num esquecimento voluntário de que esta norma está em vigor”1.
Muitos casais, quando ouvem falar neste assunto, “assobiam para o lado”, como se nada disso tivesse a ver com eles. Mas tem e é pena que não tenha mais divulgação, na chamada “educação sexual”. Talvez assim não fossemos um dos países com mais mães adolescentes e onde há jovens que chegam a praticar três abortos num só ano!
É necessário falar de métodos de planeamento familiar naturais e com alta eficácia, como o método Billings. É ainda necessário, passados que foram 40 anos da sua publicação, dar-lhe visibilidade e mostrar que a Igreja, neste ponto como em muitos outros, está do lado do progresso e não do obscurantismo.
PS – Para estas linhas, servi-me de um artigo publicado na Página 1, “on-line”, da RR.



