Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022

Presidente da distrital do PSD apelida de “incompreensível” atitude de Montenegro

Jorge Fidalgo espera que ex-líder parlamentar repense o seu “momento menos feliz” e afirma estar absolutamente contra eleições diretas no partido

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Jorge Fidalgo, presidente da distrital do Partido Social Democrata de Bragança, afirma discordar “em absoluto” com a decisão de Luís Montenegro se candidatar à liderança do partido. “Penso ser o pior momento, numa altura em que o PSD está reunido com o Conselho Estratégico Nacional a preparar o programa eleitoral alternativo ao atual Governo e a quatro meses das eleições europeias. É incompreensível”.

O dirigente lembrou que o partido sempre recomendou que alguns meses antes de eleições não haja atos eleitorais, quer a nível de concelhos, quer a nível das distritais, sublinhando que este clima que se vive no partido é “uma incoerência de todo o tamanho”.

Para Jorge Fidalgo, “haverá outras movimentações” no partido, o que o leva a acreditar que Montenegro “é a face visível de todo um outro movimento que quer garantir lugares políticos”, nomeadamente na lista para deputados. “E acham que é derrubando a atual liderança, eleita legitimamente há um ano, que se podem conseguir esses lugares”, adianta.

Defendendo que o PSD não é dono de ninguém, “é de todos os militantes e estes têm capacidade e legitimidade para ocuparem cargos”, o presidente explicou que “não precisam de ser apenas militantes, pois Rui Rio está a abrir o partido, através do Conselho Estratégico, a toda a sociedade que queira participar. É uma nova era de fazer política, preconizada por Rui Rio, símbolo da coerência e da responsabilidade. Ora, quem abre o partido a todos os que queiram participar, é exatamente o oposto daquilo a que denominam de “limpeza”.

Quanto ao anúncio de Luís Montenegro, Jorge Fidalgo considerou que no discurso parecia existir algum “ressabiamento”. “Nem parecia o Luís Montenegro que nós conhecemos. Até me pareceu que estava a fazer um frete, mas não sei a quem. Pareceu-me constrangido, pois sabe que está a causar prejuízos graves ao PSD. E ele será responsável pelos prejuízos que vierem a acontecer. A partir de agora percebemos que Luís Montenegro e quem o está a apoiar são os responsáveis pelos danos causados no partido”.

“As divergências são saudáveis, agora os ataques que podem ferir com golpes muito duros o PSD levará a que os militantes avaliem bem quem os deferiu e quais os interesses e intenções destes golpes”, acrescentou.

Assumindo-se admirador de Montenegro, que considera um ativo importante do PSD, o presidente da distrital espera que o ex-líder parlamentar possa refletir e repensar a sua posição, recuar na decisão e “verificar que às vezes temos momentos menos felizes e quero acreditar que este foi um momento menos feliz de Luís Montenegro”.

“Rui Rio está a preparar um programa eleitoral.  Eu gostava de ter visto Luís Montenegro inscrito em comissões do Conselho Estratégico Nacional. Como militante deveria tê-lo feito e dar essa colaboração. Era nos órgãos do partido que deveríamos dar o nosso contributo e não andarmos com protagonismos que não levam a lado nenhum, que não interessam ao PSD e muito menos ao país. O que Luís Montenegro está a fazer é a desviar as atenções da má governação do Partido Socialista. As discordâncias têm um tempo próprio e um palco próprio. O que condeno é o timing e a forma como Luís Montenegro está a fazer essa discordância”, disse o presidente.

No que diz respeito à possibilidade de se realizarem eleições diretas no partido, o dirigente social-democrata afirma que é absolutamente contra, lembrando que Luís Montenegro, em declarações há pouco tempo, também o era, o que prova, uma vez mais, “a incoerência” de toda a situação. Além disso, como referiu, “Rui Rio não pôs o seu lugar à disposição, pelo que deve cumprir o tempo dos estatutos”.

Em resposta às últimas sondagens que desencadearam este processo e o descontentamento dos opositores internos de Rui Rio, Jorge Fidalgo questiona “se o PSD está tão mal, porque é que aderiu tanta gente ao partido neste último ano?”

“Respeitamos todos os partidos, todas as formas de fazer democracia e espero que esta política espetáculo a que muitos estão habituados não resulte no PSD. Não pactuarei nunca com esta forma de fazer política e lamento que seja Luís Montenegro a protagonizar uma situação destas”, concluiu.

 

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