Domingo, 24 de Outubro de 2021
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Primeiro-ministro faltou à visita agendada a Vimioso

O primeiro-ministro, António Costa, faltou ontem à visita agendada para Vimioso, um concelho “habituado a esperar” e onde tudo “custa tanto a chegar” que a alternativa é Espanha, até para o Governo.

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A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, acabou por ser a única da comitiva prevista a encerrar os dois dias do “Governo Mais Próximo em Bragança”, dedicado à valorização do Interior e que terminou num dos concelhos mais isolados do Nordeste Transmontano.

“Um território onde custa tanto a chegar a alguns”, como observou o presidente da Câmara, Jorge Fidalgo, porque falta uma estrada pedida há décadas. A alternativa é Espanha, ali ao lado, e, talvez porque a própria tecnologia GPS é para lá que orienta os automobilistas, a ministra foi pelo estrangeiro para chegar ao interior profundo.

Cinco minutos separam Vimioso de Espanha e de uma rodovia que permite viajar comodamente entre o concelho português e Bragança. Por Portugal são 20 minutos de uma sucessão de curvas pelo vale do Rio Maçãs atenuada por poucos quilómetros de autoestrada já perto da capital de distrito.

“Eu estive com várias pessoas que aqui vierem e diziam elas: isto fica mesmo no fim do mundo. Não estão habituados hoje a percorrer estradas com 50, 60 ou mais anos e que não oferecem as condições de segurança e de comodidade que oferecem hoje as novas vias”, observou à Lusa o autarca local.

Vimioso tem ficado para trás e continua a aguardar a concretização da estrada que há décadas esbarra em obstáculos ambientais e que até já foi travada por um rato, o chamado rato Cabrera, protegido pela União Europeia.

O projeto está finalmente aprovado e o presidente da Câmara conta agora com o primeiro-ministro, António Costa, para em breve “pôr a primeira pá de cimento da travessia Vimioso-Carção”.

“Nós já estamos habituados a tanta coisa”, desabafou o autarca, apontando outro caso, o do regadio de Santulhão, um projeto de “quatro a cinco milhões de euros” que foi incluído pelo Governo no Plano Nacional de Regadios e, depois de prontos os estudos necessários, foi reprovado porque os organismos do Estado “não sabem se vai ter água”.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, pediu desculpa por o primeiro-ministro não estar presente, mas assegurou que “ele virá certamente” noutra ocasião.

“Nem o senhor presidente, nem as forças vivas têm de ficar melindradas com o senhor primeiro-ministro porque ele só não veio porque o Conselho de Ministros acabou de facto muito tarde”, justiçou a ministra, referindo-se à reunião que decorreu em Bragança.

O Governo aprovou hoje medidas para valorizar o Interior com a ministra da tutela a realçar que alterar o atual estado das coisas “demora tempo, mas significa não desistir, significa criar incentivos, articulá-los com os autarcas, as comunidades intermunicipais”.

A governante considera que “há situações que é impossível reverter” porque “não se pode obrigar as pessoas a viver onde não querem viver nem o investidor a investir onde não quer investir”.

Em Portugal, continuou, “é a tendência europeia, que é as populações e a atividade económica tendem a concentrar-se nos centros urbanos e os espaços rurais tendem a perder população e atividade económica”.

“Isso não quer dizer que desistamos das pessoas que lá estão e que procuremos que os territórios fiquem abandonados, porque este territórios podem ser ocupados com a agricultura, com a floresta, nós não podemos é abandonar as pessoas e os territórios”, afirmou.

Ana Abrunhosa encerrou, em Vimioso, dois dias do “Governo Mais Próximo” no distrito de Bragança com António Costa e vários ministros pela região e um Conselho de Ministros em Bragança. A próxima iniciativa é, em março, na região de Castelo Branco.

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