Os produtores de castanha da aldeia de Cova de Lua, em Bragança, estão preocupados com os danos causados por veados, que destruíram mais de 100 castanheiros. David Garcia Fernandes, presidente da Comissão de Baldios, afirmou que as árvores foram danificadas, apresentando “castanheiros partidos, descascados, pontas cortadas”.
Um agricultor local relatou ter perdido 30 castanheiros e destacou que os estragos têm sido recorrentes ao longo dos anos. “Já relatámos isto no ano passado”, disse, referindo-se aos contactos feitos com o Ministério da Agricultura e o Ministério do Ambiente para discutir a criação de um grupo de trabalho que facilitasse o acesso dos agricultores às ajudas necessárias.
A legislação estipula que os prejuízos devem ser suportados pela entidade responsável pela zona de caça, neste caso a junta de freguesia. Contudo, a comissão salienta que não há garantias para os produtores quanto ao apoio financeiro e pede que o processo para solicitar indemnizações seja menos burocrático.
David Garcia Fernandes mencionou que muitos agricultores desistem de pedir indemnizações devido à falta de resultados. “Com este tipo de sistema o apoio não chega”, lamentou, alertando para as consequências futuras na manutenção das terras cultivadas.
Outro agricultor afetado, José Afonso, explicou que as proteções colocadas nas árvores foram levadas pelo vento, permitindo assim o ataque dos veados. Ele indicou que os castanheiros danificados tinham apenas dois ou três anos e já produziam ouriços, tornando a situação ainda mais grave para a cultura.
Embora as vedações possam ajudar a proteger as propriedades, David Garcia Fernandes sublinhou que estas implicam custos adicionais para os proprietários. Um proprietário teve prejuízos significativos no ano anterior e ainda teve despesas com a instalação de uma vedação sem possibilidade de recuperação desse investimento.
O presidente da Junta de Freguesia de Espinhosela informou que foi solicitada autorização ao ICNF em julho para um abate extraordinário de veados. No entanto, apenas foi autorizado o abate de um macho entre 01 e 15 de agosto, o que não se concretizou devido à ausência dos animais na zona durante esse período.
O autarca criticou a falta de coordenação do ICNF com as entidades gestoras locais e afirmou: “Não é com o abate de um exemplar que se vai minimizar os estragos”. Quanto à responsabilidade pelas indemnizações aos agricultores afetados, Octávio Reis reiterou que as juntas não têm orçamento para tal.




