Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
EnsinoProibição de uso de telemóvel nas escolas divide opiniões

Proibição de uso de telemóvel nas escolas divide opiniões

O Agrupamento de Escolas de Mirandela é um dos que, desde o início do ano letivo, decidiu implementar a medida. A proibição de os alunos levarem os telemóveis para a escola foi recomendado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, mas só em alguns estabelecimentos de ensino foi aplicada.

Em Mirandela, a decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho pedagógico e passou a constar no Regulamento Interno, sendo aplicada aos alunos do 1º e 2º ciclos que deixaram de poder utilizar o telemóvel no recinto escolar.

Os aparelhos eletrónicos já eram proibidos dentro da sala de aula, e o alargamento da medida à restante escola visa “desincentivar o uso desproporcional e não funcional desses instrumentos para que se foquem nas suas relações interpessoais dentro da escola”.

Entre os pais e os alunos há quem concorde com a medida e quem não a aprove.

“Concordo com a medida, de certeza que as crianças vão estar mais atentas e assimilar melhor o que se dá nas aulas”
JOSÉ MANUEL

José Manuel tem uma filha que vai começar a escola primária em setembro e considera a medida positiva. “Concordo e a sua implementação traz de certeza benefícios, não só para as crianças, mas também para os professores”, afirma, como melhorias nas aprendizagens. “De certeza que vão estar mais atentas e assimilar melhor o que se dá nas aulas”, frisa. No recreio também “é mais importante socializar, no meu tempo não tinha telemóveis, convivíamos muito” e “devemos incutir isso às crianças”. José pensa que a filha, de 6 anos, só deverá começar a utilizar telemóvel a partir dos 14 ou 15 anos. “Vamos tentar, porque vemos crianças com 7 ou 8 anos com telemóvel e mesmo com redes sociais e isso é preocupante”.

Para Catarina Passas “não há necessidade nenhuma de levarem os telemóveis” e pensa que antes do terceiro ciclo “não têm idade para isso”. “Se houver algum problema, a escola contacta com os pais”, sublinha. Para esta mãe de uma aluna do terceiro ano, “há sempre a tentação de ligarem os telemóveis na sala e de se distraírem”, por entender que “são viciantes”. Por outro lado, pensa que “podem partir ou podem roubar” o aparelho.

Já outra opinião tem Carla Pires, com uma filha no quinto ano, que gosta de poder contactar. “Eles passam muito tempo na escola e se precisarmos de saber como estão e falar com eles não é possível”, argumenta. Habituada a poder ligar à filha nos intervalos ou a receber chamadas desta não concorda com esta proibição.

A mãe de outra aluna diz que a filha vai sozinha para a escola do segundo ciclo e preferia que ela continuasse a poder usar o telemóvel para confirmar se tudo correu bem no percurso.

EXCEÇÕES

O regulamento prevê algumas exceções em que os telemóveis os jovens podem recorrer ao telemóvel na sala de aula ou em outros locais, “desde que para fins didáticos e pedagógicos, e mediante autorização prévia e supervisão do professor responsável”. 

“Não há necessidade nenhuma de levarem os telemóveis para a escola. Se houver algum problema, contactam os pais”
CATARINA PASSAS 

Outro caso em que se permite os uso do aparelho é se os alunos tiverem problemas de saúde “monitorizados por dispositivos eletrónicos, controlados por aplicações de telemóveis, como por exemplo, controles de glicémia em alunos diabéticos”. Aí os telemóveis podem estar permanentemente ligados.

Também os alunos cuja língua materna não é o português e não a dominem, podem utilizar o “smartphone” para ajudar na tradução.

Em Mirandela, os alunos do 1.º ao 6.º anos não devem levar os telemóveis para a escola, por norma, mas, se por algum motivo, tiverem que o fazer devem estar desligados e aos professores e pessoal não docente é pedido que deem o exemplo.

A partir do 3º ciclos os telefones pessoais só podem ser acedidos nos intervalos, já nas salas de aula e outros locais com atividades escolares, devem estar desligados.


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