“Não acredito em coincidências”, sublinhou Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, que acusou o CDS-PP de copiar a ideia de construir uma Casa Mortuária junto à igreja da Nossa Senhora da Conceição, um projecto que foi apresentado pelo partido da oposição na última reunião da Assembleia Municipal, realizada no dia 29.
Confrontado com um anteprojecto em papel, onde são apresentadas inclusivamente imagens em três dimensões da proposta do CDS-PP, Manuel Martins deixou a garantia de que os serviços da Câmara já estão a trabalhar num projecto idêntico, previsto para o mesmo local, nomeadamente “o relvado, em talude” localizado atrás da igreja.
“Há qualquer coisa que não me cheira muito bem”, sublinhou o autarca, chegando mesmo a colocar a hipótese de alguém dentro da câmara ter “passado para fora” informação que não devia.
Apesar de não apresentar datas, nem qualquer tipo de anteprojecto que o comprove, Manuel Martins revela que a ideia tem sido desenvolvida, prevendo-se a construção de raiz de uma infra-estrutura (um edifício que não ultrapasse em altura a Rua Rainha Santa Isabel), que terá duas câmaras para velórios e um espaço comum, onde serão induzidas máquinas de vendas de bebidas e comidas.
As informações apresentadas pelo edil retratam, basicamente, o projecto apresentado por Jorge Pinho à Assembleia Municipal. “Esta é uma falha que existe na cidade”, defendeu o deputado para justificar a decisão do partido de apostar na ideia da construção de uma casa mortuária.
“Numa postura construtiva, apresentamos um projecto feito por um arquitecto nosso amigo. Não viemos apresentar a factura ao presidente. E ele, indelicadamente, veio-nos acusar de copiar o projecto”, explicou o deputado, mostrando-se revoltado com a forma como o autarca respondeu à proposta apresentada.
Como presidente de câmara, ele “deveria receber as ideias e aproveitar as partes boas dos projectos, as quais adequaria aos seus planos”. “Eu acredito que a Câmara tenha um projecto, e o que nós trouxemos não está fechado”, sublinhou o mesmo responsável político, considerando que o concílio entre as duas propostas poderia resultar numa resposta mais eficaz para responder às necessidades da população de Vila Real.
“Em política não temos sempre a razão, temos que tirar o que é bom de cada um de nós”, considerou Jorge Pinho.
Segundo o projecto apresentado pelo deputado popular, a nova Casa Mortuária, a ser construída atrás da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, teria duas salas de velório e uma capela, casas de banho e um espaço de “vending” com máquinas automáticas de vendas de flores, bebidas e comidas.
Mais, segundo Jorge Pinho, a nova Casa Mortuária permitiria a realização de velórios de pessoas de várias religiões, “da forma que lhes seja mais conveniente”.
“Podem guardar o projecto, porque não nos interessa. Temos o nosso próprio projecto. Estamos atentos às necessidades da cidade”, garantiu Manuel Martins.




