Mais de 2500 vila-realenses já assinaram os postais que serão entregues ao Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, contabilizou António Serafim, da Comissão de Utilizadores A24, A23 e A25, que, no dia 11, desenvolveu junto ao Mercado Municipal da capital de distrito mais uma acção de protesto contra a introdução de portagens.
A recolha de assinaturas no distrito, que ontem também se realizou junto a loja de venda de “chips” no Centro Comercial Dolce Vita Douro, chega hoje a Chaves, onde a acção de luta terá lugar a partir das 10h00, junto ao edifício do Tribunal.
De recordar que, a nova programação do protesto contra a introdução de portagens surgiu na sequência de uma reunião com a Comissão de Economia da Assembleia da República, onde, mais uma vez, as “posturas” políticas foram as esperadas, com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e “Os Verdes” a manifestaram-se contra a medida, enquanto os restantes partidos voltaram a defendê-la.
António Serafim lembrou que, entre as várias medidas previstas pela Comissão de Utilizadores, está a viagem pelo “percurso alternativo da EN2, em autocarro de passageiros, acompanhado de, pelo menos, duas viaturas pesadas (2 camiões TIR), entre Vila Real/Chaves, com a participação dos presidentes de junta do distrito”, o que deverá acontecer no próximo dia 22.
A primeira das iniciativas anunciadas pela Comissão de Utentes foi a solicitação “de imediato” de uma audiência com o Presidente da República, sendo ainda de sublinhar que já foram enviadas cartas a todas as juntas de freguesias dos concelhos afectados pela introdução de portagens, no sentido destas “tomarem uma posição” oficial contra a medida.
“Marchas lentas e buzinões” serão realizados durante este mês, estando também prevista a organização de “outros tipos de iniciativas de sensibilização, nomeadamente a realização de um espectáculo musical com a participação de artistas dos vários distritos envolvidos, em local e data a fixar”.
Federações distritais da JS unidas contra as portagens
Transmitir ao Governo “a preocupação pela eventual introdução de portagens nas auto-estradas A23, A24, A25 e em toda a extensão da A4” foi o objectivo de uma carta aberta enviada, no dia sete, ao Ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, e assinada pelos responsáveis das Federações Distritais da Juventude Socialista (JS) dos distritos de Vila Real, Bragança, Castelo Branco, Guarda e Viseu.
“A construção de vias de ligação em perfil de auto-estrada nos territórios do interior teve como objectivo a resolução dos problemas da mobilidade rodoviária, o reforço da coesão territorial e o incentivo ao desenvolvimento regional. Estas vias estão igualmente associadas ao aumento da competitividade do país, significando maior eficiência e rapidez na exportação de produtos”, recorda a missiva, também subscrita por Ivo Oliveira da JS de Vila Real.
Reconhecendo o “verdadeiro impacto económico positivo” da criação das SCUT, com as quais “as distâncias se esbateram, o transporte de pessoas e bens é mais célere e a segurança aumentou significativamente”, a JS defende a “manutenção do actual sistema” de via sem custos para o utilizador”, considerando-o como um “serviço público de especificidade regional”.
Para justificar a sua posição, os jovens socialistas enumeram na carta enviada vários pontos, entre as quais a inexistência de alternativas, antevendo que a sinistralidade rodoviária venha a agravar-se com “o aumento de circulação nas antigas estradas nacionais”, vias sem as condições necessárias para “uma fluidez de tráfego compatível com os padrões de circulação actuais e necessidades da economia”.
A JS fala ainda no “fim consumado da economia regional”, uma vez que a introdução de portagens elevará “os custos de produção, levará ao encerramento de empresas e ao despedimento de milhares de trabalhadores”.
Com o fim das SCUT, “a mobilidade intra-regional é posta em causa”, corre-se o risco de se assistir ao “abandono do desígnio do turismo” e será “inevitável o aumento do fluxo de pessoas a abandonar estes territórios”, denunciam ainda os socialistas.
“Concluindo, ao longo da presente missiva procuramos apresentar os motivos pelos quais a introdução de portagens poderá representar graves efeitos para o país, e para o interior em especial”, concluem os jovens políticos.
Segundo fonte da Estradas de Portugal, “a A24, entre Viseu (IP5) e Chaves (fronteira), integrada na Concessão do Interior Norte, terá 13 pórticos”.



