“Quanto mais aumentamos a escala do poder, no sentido de criarmos uma governação europeia e mesmo uma governação mundial, mais relevância vão ter as entidades locais”, defendeu o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel durante um encontro com órgãos de comunicação social regionais em Bruxelas.
Promovida pelo deputado Mário David, eurodeputado também eleito pelo Partido Social Democrata, na visita foi sublinhado o papel dos jornais e rádios regionais no processo de estreitar a relação entre as instituições europeias e os cidadãos. “É preciso que haja entre os políticos e a comunicação social uma cumplicidade, no bom sentido da palavra”, defendeu Mário David, sublinhando a importância de “explicar efectivamente qual é o efeito da União Europeia no quotidiano dos seus 500 milhões de cidadãos”.
Um efeito que, segundo Paulo Rangel, torna-se cada vez maior à medida que os governos nacionais são obrigados a, no processo de globalização e governação em escala, “ceder competências aos níveis internacionais ou supra nacionais”.
Segundo o eurodeputado, “por razões de gestão de escala e de harmonização, e até pela importância da cultura e economia europeia”, temos vindo a assistir a uma “concentração de competências em Bruxelas”. “Precisamos de um nível geral e há até quem, de alguma maneira, e de uma forma ainda incipiente, vá propondo mesmo a criação de governo mundial para determinadas agendas”, explicou.
No entanto, acompanhando esse processo de globalização, Paulo Rangel defende que surgiu outro fenómeno, o da “glocalização”, ou seja, “quanto mais se reforça o poder fora do país mas importantes são as unidades territoriais internas”.
“Quem perde poder instituído é, sem dúvida alguma, o Estado Nacional, porque vai ter que ceder competências a esses níveis internacionais ou supra nacionais e devolver competências às entidades locais”, explicou ainda o mesmo responsável político. Por isso, a Europa sempre apostou muito na políticas regionais, “sempre deu um grande incentivo às regiões”, e procurou mesmo promover as euro-regiões, que foram pensadas para “fintar e perverter” a lógica dos poderes nacionais e procurar “tornear as fronteiras estabelecidas”, criando “espaços de cumplicidade”.
Tendo em conta esse reforço das regiões ao nível europeu, Paulo Rangel sublinhou que, consequentemente, “a imprensa regional deve ter um papel cada vez mais forte”.
Relativamente à crise que se vive na imprensa regional, o deputado refere que esta não advém só do momento económico difícil pelo qual passa o país, e que é responsável pela diminuição das receitas de publicidade, mas também é “estrutural”. “Trata-se de um problema de degenerescência dos ‘mass média’ escrito em geral, que vivem hoje com uma grande dificuldade porque têm a concorrência dos média que se alojaram na internet”. “Essa é uma questão que nada tem a ver com o carácter regional ou local dos jornais, tem a ver com um problema estrutural de mudança do paradigma mediático”, defendeu.
Deixando uma palavra de esperança aos órgãos de comunicação social locais, o eurodeputado não só aconselhou os jornais e rádios a apostarem no mundo da internet como voltou a sublinhar que “os temas regionais não vão sair de moda”, “pelo contrário, estamos numa altura em que eles vão ter mais força”.



